Como a Internet precisa de evoluir na perspectiva da ISOC

A organização imaginou como a rede mundial e a sociedade da informação poderão evoluir de forma nefasta e faz recomendações para o evitar.

E se os centros de dados fossem criados em países ou comunidades mais pobres – mas apenas para servir utilizadores mais ricos de outros lugares? A Internet Society (ISOC) imaginou uma distopia, de futuros dominados pelas TI, de forma a provocar a discussão sobre como a Internet poderá evoluir de forma nefasta.

E quer que as pessoas e as organizações ajudem a manter o caminho de evolução em terrenos saudáveis. Numa análise, a ISOC identifica seis forças que estão a impulsionar a mudança na Internet: a inteligência artificial, as ciber-ameaças e as interacções entre a Internet e o mundo físico.

Está preocupada com o efeito que terão sobre as liberdades e direitos humanos, nos meios de comunicação e na sociedade em geral. Mas também a preocupa a maneira como discrepâncias digitais se formam entre diferentes grupos sociais.

Depois de 25 anos a trabalhar para uma Internet globalizada, aberta e segura, capaz de beneficiar todos, a ISOC publica dez recomendações para os próximos 25 anos. Quando os grupos ou instituições do género têm esse tipo de iniciativas, as ideias apresentadas são frequentemente envolvidas em relatórios incoerentes dirigidos a órgãos governamentais.

São redigidas com vaguidade para apaziguar tantos grupos de interesse quanto possível. Não só os utilizadores, como também os programadores devem equacionar como podem influenciar o futuro da Internet, referiu Constance Bommelaer de Leusse (ISOC)

Não só os utilizadores, como também os programadores devem equacionar como podem influenciar o futuro da Internet, refere Constance Bommelaer de Leusse (ISOC)

Há um pouco disso no “2017 Internet Society Global Internet Report, Paths to Our Digital Future” que tem 120 páginas. E na verdade as dez recomendações são 36, espalhadas por sete páginas.

Contudo, o estudo apresenta também exemplos concretos do que pode correr mal e os passos práticos que empresas, governos e cidadãos podem tomar para evitar os erros “O nosso projecto evoluiu completamente de baixo para cima. Fizemos centenas de entrevistas.

Nós falámos com os principais líderes da indústria, ministros do governo, mas também inquirimos utilizadores comuns e pessoas que fazem parte da participação individual da ISOC”, disse Constance Bommelaer de Leusse, gestora sénior de política pública da ISOC.

Não só os utilizadores, como também os programadores devem equacionar como podem influenciar o futuro da Internet, referiu. A recomendação número um da ISOC é que os valores dos seres humanos devem ser impulsionados pelo desenvolvimento técnico e o uso das TIC.

“Considerações éticas devem ser incorporadas no desenvolvimento”, reforçou Bommelaer. A ISOC observa que os objectivos da terceira recomendação, que coloca o interesse dos utilizadores em primeiro lugar em relação aos seus dados, podem ser alcançados através da minimização da retenção de dados, entre outras coisas.

Como isso os interesses dos utilizadores podem alinhar-se com interesses empresariais. As empresas minimizarão os dados coligidos mas também os seus custos de armazenamento e sua responsabilidade em caso de violação, explica.


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