Diferenças de linguagem são grande desafio na automação

Nas fábricas, o problema acontece sobretudo na recolha de dados a partir de vários equipamentos, confirma Francisco Correia, da Siemens, ao falar sobre as principais novidades da empresa apresentadas no evento Automation Days.

Francisco Correia, responsável desenvolvimento de negócio na Siemens Portugal

O responsável de desenvolvimento de negócio na área de automação em fábricas, na Siemens, Francisco Correia, passa em revista as principais novidades da empresa, apresentadas no evento Automation Days, realizado em Maio e Junho. O maior desafio na recolha de informação preconizada pelo conceito Indústria 4.0, reside sobretudo na heterogeneidade de linguagens de equipamentos e níveis de tecnologia, confirma o executivo.

Computerworld ‒ Quais são as principais novidades da Siemens para automatização em chão de fábrica?
Francisco Correia ‒ Destaco algumas das mais importantes, no que diz respeito ao hardware:
‒ o S7-1500T, permite integrar funções avançadas de controlo de movimento, com a possibilidade de se associar funções de segurança integrada num único PLC;
‒ o IoT2040, um gateway inteligente que uniformiza a comunicação entre diferentes fontes de dados, analisa e reencaminha os dados para os respectivos destinatários;
‒ o tablet PC ITP 1000, oferece a performance de um PC industrial num formato de tablet para um trabalho mais rápido e flexível.

Em termos de software, no TIA Portal versão 14 SP1, além de variadas novas funções para os equipamentos existentes, destacam-se as recentes opções para esta nova plataforma de engenharia:
‒ o Multiuser Engineering permite que múltiplos utilizadores trabalharem em conjunto num mesmo projecto;
‒ o Teamcenter Gateway, oferece a possibilidade de guardar e gerir projectos e bibliotecas globais do TIA Portal no TeamCenter;
‒ o Cloud Connector, que permite comunicação entre o software de Engenharia no servidor e o interface PC/PG local ligado ao hardware SIMATIC;
‒ o PLCSIM Advanced, que possibilita a criação de controladores virtuais para simulação das funções durante a configuração e programação sem necessidade de ligação física ao hardware;
‒ o OPC UA S7-1500, que garante uma ligação simples por parte de terceiros ao S7-1500 via OPC UA server integrado nas CPUs S7-1500;
‒ o OPC UA, que permite uma uniformização e estandardização da comunicação para a Industria 4.0;
‒ a nova plataforma Mindsphere, sistema operativo de IoT baseado em cloud, que suporta também serviços digitais inovadores.

CW ‒ Que grau de integração oferecem com os sistemas de informação? Como é recolhida e analisada a informação produzida pelas máquinas?
FC ‒ Como parte da Indústria 4.0, existe cada vez mais uma maior preocupação por estreitar a relação e comunicação entre os sistemas de Automação e Informação. Seja através de acessos remotos mais simples como o “webserver” integrado, nos PLCs SIMATIC, fontes de alimentação PSU8600, bem como outros equipamentos de campo.

Ou com recurso a soluções mais completas, como é o caso do já referido IoT2040 ideal como gateway entre o nível e TI ou cloud com os sistemas de produção. O maior desafio reside sobretudo em equipamentos de diferentes fabricantes e diferentes níveis de tecnologia que não falam a mesma linguagem.

Através deste sistema IoT é possível que elevadas quantidades de dados produzidos possam ser concentrados e enviados para que, posteriormente, sejam tratados e transformados em conhecimento fulcral, pelos sistemas de informação, de forma a optimizar e melhorar o processo produtivo.

É importante referir ainda a vantagem de permitir troca de informação em ambos os sentidos. O Mindsphere, sistema aberto na cloud, surge como a maior aposta tecnológica, permitindo que diversas indústrias fiquem habilitadas a ter acesso a informação tratada e analisada, e facilitando a intervenção e tomada de decisões antecipadamente no processo produtivo.

Além disso, permite ainda desenvolver e ter acesso a poderosas apps e serviços digitais. Como resultado é possível acelerar processos produtivos, minimizar erros e aumentar a transparência, conduzindo a uma maior produtividade.

CW ‒ Quais são os maiores desafios de adopção de maior automatização que a Siemens nota no tecido empresarial português?
FC ‒ Com esta nova era da digitalização, todos os dias surgem novos desafios, mas existem também novas oportunidades de negócio por explorar. O paradigma hoje é cada vez mais exigente, com ciclos de inovação cada vez mais curtos, o que inevitavelmente obrigará as empresas a reagirem, para não perderem o comboio da era digital.

Esta modernização do processo produtivo apesar de implicar algum investimento na tecnologia, contribuirá para impulsionar novos modelos de negócio de forma inovadora e disruptiva. A Siemens surge como parceiro ideal uma vez que apresenta um portefólio ímpar a nível de hardware, software e serviços para toda a cadeia de valor desde a concepção de produto até à produção e execução.




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