Quase 40% do negócio da Xpand IT é internacional

O CEO da empresa, Paulo Lopes, considera possível que a percentagem cresça para 75% em três anos, numa evolução assente em nearshoring, mas também na venda de produtos.

Paulo Lopes, CEO da Xpand IT

Depois de facturar 7,5 milhões de euros em 2016, a Xpand IT espera repetir o crescimento de 30% em 2017. As expectativas são do CEO, Paulo Lopes, bastante optimista quanto ao negócio da empresa em mercados internacionais.

A rede internacional da Microsoft será importante, sem relegar para segundo plano parceiros como a Tableau e a Atlassian. O valor da empresa portuguesa e da sua abordagem serão elementos chave, tanto no nearshoring como para o negócio de produtos próprios, acredita o responsável.

Computerworld ‒ Quais são os pontos principais da vossa estratégia?
Paulo Lopes ‒ Nós estamos a executar um plano definido que começou em 2016 e vai até 2018. Tem essencialmente alicerçado em dois vectores: internacionalização e produtos.

O primeiro tem a ver com a expansão de toda área de serviços de nearshore que funciona desde 2010, a partir de um centro em Viana do Castelo, actualmente com cerca de 60 pessoas. O foco dessa operação está na Europa e o salto mais importante que demos foi a abertura de uma subsidiária em Londres.

Temos uma aposta nos serviços baseados e especializados apenas em certas tecnologias-chave com os quais nos posicionamos como especialistas.

CW ‒ Como por exemplo?

PL ‒ Na área de mobilidade temos o exemplo da aposta na tecnologia Xamarin, de desenvolvimento de aplicações para vários sistemas de uma só vez. para três plataformas. A Microsoft diz ter falta de parceiros locais com a mesma abordagem da Xpand IT, de extremo a extremo, além dos grandes integradores.

Trata-se de ter uma vertente tecnológica e outra de negócio e acho que os portugueses podem dar cartas nesse âmbito. Na área de Big Data especializamo-nos em tecnologia da Cloudera e Pentaho e temos grandes projectos a decorrer em vários bancos.

São casos do que chamamos “mixedshoring”, em que temos recursos humanos alocados cá e no mercado britânico. São equipas de profissionais que nem sempre são portugueses, apoiadas também pela estrutura em Londres.

CW ‒ Têm  quantas pessoas em Londres?

PL ‒ É praticamente só para dar apoio local. Ao todo temos perto de 25 pessoas a trabalhar para a operação do Reino Unido.

CW ‒ Quanto custaria trabalhar com profissionais de lá?

PL ‒ Com o negócio dos serviços vamos precisar de ter sempre uma estrutura lá. E claro, ela é bem mais pesada em termos de custos, do que ter uma em Portugal.

Por via dos custos de vida, mas também pelo dinamismo e fragmentação, com muito freelancers, do mercado britânico. O custo dos profissionais de TI é muito elevado.

CW ‒ Que percentagem da vossa facturação é realizada no mercado internacional?

PL ‒ Quase 40%. Inclui os nossos três grandes mercados, EUA, Reino Unido e Alemanha.

CW ‒ Como está a outra área estratégica que é a de produtos?

PL ‒ Investimos nela muito mais durante os últimos dois anos. Começámos a produzir e já tivemos experiências falhadas com as quais aprendemos muito e crescemos.

O sucesso surgiu quando desenvolvemos dois produtos que é o Xray e Xporter. O primeiro é para gestão testes, com o qual mapeamos todo o processo de testes de uma equipa e está integrado com o Jira, da Atlassian.

Neste momento temos dois mil clientes em 75 países a usar estes dois produtos. Praticamente quase toda a indústria automóvel utiliza incluindo empresas com a Audi, a Porsche ou a equipa de Fórmula 1 da Renault. Temos clientes ainda no sector da aeronáutica, como a Airbus e a Lufthansa, e na farmacêutica.

CW ‒ E o Xporter?

PL ‒ É um produto mais “comodity” no mundo da Atlassian. Funciona como uma ferramenta de extrair informação de gestão de projecto a partir do Jira, usando reportes, em templates de Word ou Excel que o utilizador constrói.

Temos cerca de 2200 mil clientes em 75 países.

CW ‒ Como está a evoluir essa vertente?

PL ‒ Está a crescer, vamos seguir a mesma linha mas estamos a migrar para produtos mais orientados a cloud computing, de modo a serem instalados neste ambiente e serem fornecidos como um serviço. E estamos com uma aposta muito grande na área da internacionalização por via do nearshore.

O próximo ano será também de reflexão para os dois ou três seguintes.

CW ‒ Depois de facturar 7,5 milhões de euros quanto é que a Xpand IT prevê crescer em 2017?

PL ‒ O primeiro semestre correu muito bem, com crescimento homólogo de 45%. O objectivo anual estava na casa dos 20% mas diria que será mais na ordem dos 30%.

CW ‒ Com que sustentabilidade?

PL ‒ O projecto da internacionalização é de longo prazo. Aprendemos com o processo e já definimos o caminho para crescer nos serviços. O modelo pode ser replicado não só em Londres como também na Alemanha que tem um mercado extremamente apetecível e em que temos muitos clientes mesmo na área de serviços.

CW ‒ Mas equacionam montar lá um escritório?

PL ‒
Neste momento não é prioridade. No entanto, a partir do modelo que temos implantado em Viana do Castelo com tudo o que são processos e ferramentas e pessoas, é possível que possamos abrir outra subsidiárias, com a mesma estrutura.

CW ‒ Há a possibilidade de fazerem uma parceria com uma empresa local?

PL ‒ Pode ser numa primeira fase. Mas sentimos que não é o modelo com o qual podemos atingir o nosso maior potencial de abordagem ao mercado.

CW ‒ E se for com um parceiro português?

PL ‒ Já o fizemos. Mas é muito difícil. Temos uma cultura e abordagem muito próprias, diferente daquela de serviço tradicional.

Posicionamo-nos sempre como especialistas de determinada tecnologia e não generalista. E à escala local para mostrar o nosso valor temos de promover uma tecnologia no mercado.

Por isso é uma aposta muito grande que fazemos. Temos de estar lá.

CW ‒ Que percentagem de negócio internacional, face ao total, seria vista como um sucesso?

PL ‒ Não somos fundamentalistas. Esse negócio vai crescer a uma escala muito diferente do nacional, até por ter mais margem de expansão e por termos uma unidade focada em produtos que à partida terão um crescimento muito mais acentuado à escala internacional.

Para expandir com serviços preciso do modelo de que falei. Com produto é mais fácil. Nos próximos três anos pode chegar aos 75%.

CW ‒ A rede da Microsoft acaba por ser uma ajuda importante também, não é ?

PL ‒ Somos muito activos no ecossistema e já obtivemos prémios. No entanto também tentamos com a nossa abordagem que não haja concorrência de portefólio nas nossas áreas.

Trabalhos com Microsoft sobretudo na de mobilidade. Mas dentro da área de Azure também estamos focados numa ferramenta que é a API Management, da qual já temos casos de referência em Portugal.

E estamos a impulsionar o nosso negócio em torno dela lá fora com a Microsoft.

CW ‒ A OutSystems seria por exemplo um parceiro interessante?

PL ‒ É cliente. E apesar de ser também concorrente na mobilidade já promovemos a tecnologia deles porque faz sentido. Não somos fundamentalistas.

CW ‒ Pois, a Xamarin não tem plataforma de “low-code” e um dos mercados que mais cresce é esse…

PL ‒ Para quem já tem plataforma da OutSystems faz sentido manter tudo dentro do mesmo ecossistema, com uma componente de mobilidade adicional, para facilmente utilizar toda a tecnologia.

CW ‒ Qual é a vossa estratégia para o negócio em torno da tecnologia da Tableau?

PL ‒
Para BI nós temos dois pilares tecnológicos. Temos a Pentaho , tecnologia open source comercial, muito focada em gestão de dados. Está ligada à parte do negócio internacional mais bem sucedido na nossa actividade comercial, por exemplos nos EUA.

A tecnologia da Tableau envolve um contexto de self-service no qual os utilizadores ganham o poder de explorar autonomamente os dados. Acelera esses processos e agiliza-os e é dessa forma que procuramos promovê-la.

Neste âmbito os concorrentes mais fortes são a Qlik Tech e a Microsoft, com o Power BI, que não promovemos.

CW ‒ Quais são as vossas expectativas, com a Atlassian?

PL ‒ Esse negócio está a crescer imenso em Portugal. Além dos “add-ons” temos serviços de implementação de tecnologia, não da Atlassian mas também de outras para contextos de transformação digital. Por exemplo na mudança de tecnologias de metodologia “waterfall”, para Agile, para CMMI ou ITIL.

CW ‒ Esse fabricante empresa tem agora uma oferta de cloud cá na Europa…

PL ‒ Sim para nós é uma empresa de referência. A oferta agora passa a ser disponibilizada em três plataformas: cloud, servidor e datacenter do cliente.

CW ‒ Mas antes a oferta estava mais focada na área de DevOps, não era?

PL ‒ Há duas tendências importantes para nós. Estamos com uma oferta no mercado muito suportada em Atlassian que são ferramentas que ajudam muito no processo de DevOps e de promover a dinâmica entre duas equipas.

E temos outra oferta da Red Hat, a OpenShift, que serve a implantação de aplicações numa lógica de “containers” e micro-serviços, agnóstica quanto à infra-estrutura e com uma estrutura de PaaS.

CW ‒ À partida vão privilegiar as soluções de cloud ou mais baseadas em servidores?

PL ‒ Será o cliente a decidir, sobretudo.

CW ‒ Dos três fabricantes qual é aquele com maior peso no negócio da Xpand IT?

PL ‒ Neste momento, Atlassian tem um peso muito interessante e a Tableau também. Mas temos o negócio todo muito disperso entre as unidades.

No negócio internacional a área de desenvolvimento de ferramentas de BI baseadas em Tableau e Pentaho está com uma força muito grande.




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