Porque vão os HoloLens 2 ter um processador adicional?

Suportando o processamento para a inteligência artificial o componente pode marcar a diferença entre ver como uma máquina funciona, e obter uma perspectiva mais aprofundada para tomar uma decisão mais inteligente, diz John Brandon, do Computerworld.com.

 

John Brandon, do Computerworld.com

Coloquei um par de óculos para realidade virtual (RV) e olhei em redor da sala. Havia três impressoras PageWide instaladas na esquina e então eu estendi a mão e pressionei uma alavanca para abrir a bandeja de papel. Uma voz-off à distância, qual fantasma no nevoeiro, disse-me para tentar levantar a tampa da copiadora também.

Estava nas instalações da HP em Palo Alto, na Califórnia, e a sessão de demonstração devia mostrar-me como funcionam as impressoras multifuncionais. Curiosamente, a RV e a realidade aumentada (RA) não usam a inteligência artificial (IA) tanto quanto se imagina. Por exemplo, não havia naquela situação um “bot” para responder a qualquer uma das minhas dúvidas.

A RV parecia ultra-realista, mas era tudo contida dentro de um ambiente estruturado. A demonstração foi mais como uma apresentação de slides em imagem 3D com algumas interacções. Mas no futuro, a IA deverá desempenhar um papel muito mais importante.

A Microsoft sabe disso, razão pela qual revelou esta semana que pretende adicionar um processador auxiliar para IA, aos HoloLens 2 e chamou a minha atenção. O chip ajudará a suportar a adição de dados às vistas sobre o mundo real, o que parece tão complexo e computacional como se imagina.

Além disso, esse processamento desenrolar-se-á de forma muito mais rápida quando baseado num chip instalado localmente em vez de numa plataforma de cloud computing.

Consegue-se imaginar como isso pode funcionar numa demonstração de impressoras. Os HoloLens não estão focados na RV, mas antes na RA. Num escritório real, os óculos podem mostrar impressoras em imagens 3D e possibilitar a interacção com elas. Com mais poder de processamento para IA, os HoloLens 2 podem mostrar estatísticas, sobre quantas folhas se poderá imprimir num minuto.

Será capaz de obter dados do plano de arquitectura do escritório e calcular se a impressora se encaixa bem numa mesa. Será possível estimar a quantidade de energia que a impressora usaria durante uma semana, um mês ou um ano.

Outras animações podem mostram a infra-estrutura da rede instalada. E correlacionando todos esses dados seria possível ver como tudo funcionaria no escritório, em tempo real.

Este processamento em tempo real pode criar um novo paradigma de interacção. A IA poderia calcular muito mais do que os tempos de impressão de uma impressora.

Com um processador auxiliar rápido, talvez se consiga perceber quanto a impressora vai custar ao longo do tempo em consumíveis e impressão com base no uso da rede. Rapidamente posso visualizar quem imprime mais no escritório e perceber se, de facto, o marketing usará a impressora muito mais frequentemente do que a contabilidade

Será possível ainda ver como a impressora se encaixa num orçamento para todos os dispositivos num escritório, incluindo portáteis e smartphones. No geral, a IA pode gerar um novo conjunto de sobreposições no mundo real que são incrivelmente úteis.

Usando a tecnologia num painel de um automóvel em vez de ser montado na cabeça, uma pessoa poderia aceder a estimativas sobre o tráfego com base numa rede de sensores. Um carro autónomo poderia analisar milhares de dados para calcular a rota mais segura através de um tráfego difícil.

Durante uma video-chamada em Skype numa sala virtual, seria possível pedir a um bot para obter informações sobre os participantes e ver um resumo referente a cada pessoa em tempo real

Numa demonstração de processo de fabrico, seria possível olhar para partes de um novo produto e visualizar os custos associados, quanto tempo cada uma levaria a produzir no processo geral de fabrico e quem podia ser uma potencial fornecedor da peça.

Sabemos que isso vai acontecer em breve, porque já existem perspectivas de como isso pode funcionar. A Yelp usou a RA na sua aplicação há alguns anos. Mas um chip a processar os dados muito mais rapidamente e localmente, vai ajudar a interpretar o mundo e reagir, tomando decisões empresariais mais inteligentes

Pode ser a diferença entre ter uma demonstração em RV para mostrar como uma impressora funciona e uma demonstração em RA que nos ajuda a tomar uma decisão melhor. Essa será a melhor vitória da empresa.




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