SIBS desiste da compra de activos da Unicre

Negociação com a Autoridade da Concorrência foi “infrutífera” e empresa considera a actuação e exigências do regulador como “desproporcionadas”.

Madalena Tomé, CEO da SIBS

A SIBS abandonou a iniciativa de  aquisição dos activos do negócio Redunicre, da Unicre, face às condições impostas pela Autoridade da Concorrência para a operação efectivar-se. Em comunicado, a primeira empresa queixa-se de que “a negociação de soluções e compromissos” com o regulador foi “infrutífera”.

Mesmo com a disponibilidade de negociação de soluções que a SIBS diz ter demonstrado, para a compra da operação de aceitação de pagamentos com cartões da Unicre. A gestora da rede Multibanco considera que “a atuação e exigências da Autoridade” são “desproporcionadas, face à sua própria prática em processos anteriores” e de “congéneres em operações semelhantes”.

“A Autoridade da Concorrência insiste numa visão de mercado de pagamentos estritamente nacional, de forma contraditória aos diversos atos legislativos e regulamentares das Autoridades Europeias, e não atribuindo relevância à evidente facilidade de prestação de serviços interoperáveis pelos vários players internacionais em Portugal”, acusa.

Quando, na visão da SIBS, o mercado de pagamentos é actualmente um mercado de dimensão europeia, “corolário inevitável da existência de uma união monetária e bancária”. Para reforçar a sua posição, a empresa diz que a interpretação da AdC é “fechada” e “traduz-se numa efetiva discriminação negativa dos players nacionais, que ficam impedidos de ganhar dimensão e de reunir as mesmas valências competitivas que os demais players europeus com os quais concorrem (todos eles com atividade de acquiring integrada)”.

“O próprio processo de procura de um parceiro estratégico, apesar de ser um processo que decorre em paralelo ao da aquisição da Redunicre, também iria contribuir para dirimir dúvidas que a Autoridade tinha assinalado, quanto à composição acionista da empresa”, diz a SIBS.

Insiste que o objectivo da integração é “obter uma vantagem fundamental para a cadeia de valor das soluções de pagamento oferecidas pela empresa, que todos os seus grandes concorrentes europeus já detêm, e assim ficar habilitada a concorrer no espaço europeu e global, numa atividade onde a escala é fundamental”. Ao mesmo tempo os benefícios para o mercado seriam “claros”.

“Esta integração, pelo valor envolvido e pelas condições do negócio, não tem materialidade para ter qualquer impacto significativo nas condições do mercado, entendimento que foi reforçado por académicos e especialistas de economia industrial que apoiaram a SIBS na notificação”, argumenta também. A SIBS diz que ao longo de dez meses de negociação apresentou soluções e compromissos destinados a resolver os obstáculos que a Autoridade foi identificando.

“O próprio processo de procura de um parceiro estratégico, apesar de ser um processo que decorre em paralelo ao da aquisição da Redunicre, também iria contribuir para dirimir dúvidas que a Autoridade tinha assinalado, quanto à composição acionista da empresa”, exemplifica.

A SIBS conclui revelando ainda que está a avaliar alternativas para o desenvolvimento do seu negócio.




Deixe um comentário

O seu email não será publicado