Sonae usa OutSystems para controlar “TI sombra”

Nuno Borges, da unidade de SI do grupo, reconhece alguns alertas feitas pela Gartner sobre a plataforma do fabricante, rejeita outros e diz onde é que o software pode evoluir.

Nuno Borges, líder de entrega de soluções de TI do grupo Sonae

“Nós assumimos que nunca vamos conseguir eliminar as ‘shadow IT’ [TI sombra] e fizemos outra proposta: quem quer desenvolver aplicações adicionais, fala connosco e desenvolve com OutSystems”, revelou Nuno Borges, líder de entrega de soluções de TI do grupo Sonae. “Tem a grande vantagem de o código ficar em casa”, enfatizou durante um seminário organizado pelo parceiro do fabricante de TI, a Noesis.

A Business Information Systems (BIT), área de sistema de informação da Sonae, criou processos p ara sistematizar o acesso à plataforma com recursos de desenvolvimento “low-code”. Mas “não coloca questões e só intervém na fase de entrada em produção”, garante o responsável.

Antes disso, a empresa teve de virtualizar grande parte dos sistemas de informação legados e lidou com algumas dificuldades na racionalização do número de “application objects” (AO) usados, ressalvou Nuno Borges.

A forma de licenciamento da OutSystems é baseada em número de utilizadores e por ‘application objects’. “Não tendo em atenção as boas práticas de desenvolvimento aplicacional, pode-se rapidamente, aumentar o número de ‘objectos’ e tornar uma aplicação cara em termos de custos operacionais”, refere o responsável.

É um dos pontos de preocupação apontados por clientes da OutSystems à Gartner, num estudo em que o fabricante é referido como líder em tecnologia para desenvolvimento de aplicações móveis.

A Gartner considera que a OutSytems deveria fazer actualizações mais frequentes à plataforma, mas Nuno Borges (Sonae) defende as actualizações feitas têm sido aquelas necessárias.

“Porque se torna uma operação muito gráfica”, pode-se criar facilmente muitos elementos, com o potencial de tudo  funcionar, explica. Outros pontos de precaução são desvalorizados por Nuno Borges, no seu ponto de vista.

A Gartner considera que a OutSytems deveria fazer actualizações mais frequentes à plataforma. “Nós não sentimos isso, tem tido as actualizações que achamos necessárias”, sustenta.

A BIT instalou a versão 9 da plataforma em Julho do ano passado e logo em Outubro passou a usar a versão 10, que já permite a execução de aplicações nativas nos smartphones. O suporte de desenvolvimento de aplicações já tem algumas funcionalidades de analítica integradas, mas a Gartner alerta que para se ter mais informação sobre a utilização das ferramentas é preciso recorrer a aplicações externas.

Nuno Borges não referiu esse detalhe, mas assinala uma das suas expectativas sobre a evolução futura da plataforma. “Espero que venham aí novidades para gestão de ambientes, para garantir que temos em produção, várias ‘pools’, de aplicações críticas, e menos críticas a serem executadas com níveis de serviço diferentes na oferta PaaS”, da Ousystems.

Os maiores problemas que a BIT teve, não estiveram centrados no desenvolvimento de aplicações. “Temos desafios no alargamento da utilização da plataforma, porque é um paradigma de desenvolvimento muito diferente daquilo que uma equipa de desenvolvimento está habituada”. Como o processo é de modelação visual da aplicação, não de desenvolvimento de código, o conjunto de competências tem de ser diferente, de criatividade, considera.

Foi preciso “’virtualizar’, por via de API, os nossos sistemas legados para podermos facilmente desenvolver em Outsystems, usar toda a agilidade e potencial da plataforma e sem ter de criar conectores”, assinala o responsável da Sonae.

A BIT tem 15 pessoas formadas em tecnologia da OutSytems, mas recorre ainda à Noesis. “Depois de falar com os gestores do negócio, tem por vezes duas semanas para desenvolver um protótipo”, revelou.

Mas Nuno Borges reconhece que o facto de a organização já ter equipas dedicadas conhecedoras da plataforma, ajudou-a na adopção, por não ter de formar equipas internas.

Houve alguns problemas para resolver “na interligação da plataforma com os ambientes” de sistemas de informação, mas sem que isso tivesse a ver com a plataforma “em si”. Foi preciso “’virtualizar’ por via de API os nossos sistemas legados para podermos facilmente desenvolver em Outsystems, usar toda a agilidade e potencial da plataforma e sem ter de criar conectores”, explica.

Envolveu criar uma camada software para gestão das API em que todos sistemas, para aplicações comunicarem com outras no back office. “Isso permite prescindir da necessidade de os programadores perceberem os detalhes de um sistema de retalho ou de facturação”, refere.

A Sonae está a usar a Outsytems 10 para aplicações de mobilidade, para desenvolvimento de aplicações menos centrais e de interface com o consumidor.

Dois factores estiveram na origem da adopção. A Sonae tinha custos de operação com as aplicações “demasiado elevados” e o tempo de entrega ”não correspondia às necessidades”. Mas a empresa não deixou de avançara primeiro num modo de experiência com um número reduzido de utilizadores.

Uma das aplicações móveis desenvolvidas, a Heartfix, demorou cerca de quatro semanas a produzir. Serve para reporte de avarias nos edifícios da Sonae e vai ser disponibilizada aos seus 44 mil funcionários.

A aplicação móvel de Cartão Continente, mais complexa, não foi desenvolvida com tecnologia da Outsystems. Algumas camadas do sistemas de informação ainda não estão preparados para as API e a complexidade da arquitectura envolve cruzamento de informação de clientes com dados de cupões de desconto e preços nas lojas.

Noesis aposta na experiência com 80 consultores

Como integrador parceiro da OutSystems, a Noesis  preparou-se e formou uma equipa estruturada em três eixos fundamentais: tecnologia, processos e pessoas. “Temos um responsável por cada um, para conseguir acompanhar o percurso de transformação digital nos clientes.

Embora não possamos ser pretenciosos ao ponto de dizer que temos todas as soluções, temos a estrutura”, enfatiza Nuno Pacheco, director da empresa para o negócio em tecnologia daquele fabricante e da Qlik.  A mais importante prioridade para a Noesis é ser o mais proficiente no desenvolvimento com a Oustsytems 10, diferente das anteriores devido à componente de mobilidade.

Quanto a mercados de enfoque o responsável aponta a expansão na economia brasileira e holandesa. A empresa quer diferenciar-se pela abordagem referida, pela dimensão da equipa dedicada, tem 80 consultores, mas também pela experiência. “Acompanhámos a evolução da ferramenta desde início”, refere Nuno Pacheco.




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