Parlamento da UE apoia maior reparação de equipamentos

A assembleia sugere uma abordagem mais forte para evitar a obsolescência de dispositivos e de software. Acredita que isso promoverá a criação de mais empregos.

Os equipamentos electrónicos devem ser robustos e facilmente reparáveis e a legislação deve incentivar ou reforçar isso, consideraram os membros do Parlamento Europeu na última terça-feira. Os deputados querem acabar com a obsolescência planeada de dispositivos electrónicos de consumo e de software, muitas vezes usados ​​como ferramentas empresariais.

Uma das suas recomendações poderia ajudar a evitar uma repetição de incidentes de mercado como o do Galaxy Note7: as baterias devem ser amovíveis, a menos que a segurança determine que sejam “coladas” no produto. A tarefa da Samsung Electronics teria sido muito mais simples se tivesse apenas trocado as baterias defeituosas.

Mas além disso, quando os dispositivos avariam, os seus proprietários não devem ser obrigados a voltar ao fornecedor para obter peças e serviços, disseram os legisladores. Em vez disso, os fabricantes devem permitir que os proprietários levem dispositivos defeituosos a reparadores independentes e disponibilizem peças sobressalentes essenciais a um preço apropriado ao período de vida e a função do produto.

O uso de obstáculos técnicos, como bloqueios de software ou parafusos estranhos, deve ser desencorajado. A resolução, aprovada por 662 votos, face a 32 contra, é favorável a empresas como a iFixit e SOSav, fornecedores de tutoriais de reparação e peças sobressalentes para smartphones populares, apesar da resistência dos fabricantes.

Os deputados querem mesmo que os governos nacionais da UE ofereçam incentivos aos fabricantes para conceber produtos mais duráveis ​​e passíveis de reparação. Têm a expectativa de com isso aumentar as vendas em segunda mão e criar mais empregos na Europa na reparação de dispositivos mais antigos.

Os deputados europeus acreditam que muitos dispositivos deverão manter-se em utilização se os fabricantes forem obrigados a emitir actualizações de segurança para o software por mais tempo.

E consideram que isso dará às empresas da UE uma maior quota na na receita vitalícia de tais produtos, muitas vezes fabricados na Ásia e projectados lá ou nos EUA.

Como incentivo para a concepção de produtos mais reparáveis, os parlamentares querem que os fabricantes alarguem o período de garantia, caso demorem mais de um mês a reparar um produto sob a mesma.

Outra das suas ideias  é a introdução de um programa de rotulagem, com indicadores e pontuação sobre a durabilidade e facilidade de reparação e actualização dos produtos. O programa seria voluntário.

Apesar disso, com o ritmo da inovação em dispositivos como os smartphones a desacelerar, os consumidores podem bem prestar mais atenção a essas pontuações do que a pequenos ajustes de design, conforme procuram fazer suas compras durarem mais tempo.

A resolução não tem a ver só com hardware. Os deputados acreditam que muitos dispositivos deverão manter-se em utilização se os fabricantes forem obrigados a emitir actualizações de segurança para o software por mais tempo.
A votação envia à Comissão Europeia um sinal claro sobre o tipo de legislação que o Parlamento Europeu favorece. Mas é só um passo, num processo com necessidade de mais suporte.




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