Plataforma da Noesis procura mínimo de custos em licenciamento

A oferta para estruturas de cloud computing híbrida tem quatro clientes “grandes”, revela Ricardo Mendes, gestor sénior para soluções de infra-estrutura da empresa.

Ricardo Mendes, gestor sénior da Noesis

A plataforma Noesis Hybrid Cloud in a Box está configurada para funcionar com tecnologias open source de bases de dados (MySQL e PostgreSQL), embora suporte também SQL server em Azure. Ricardo Mendes, gestor sénior para soluções de infra-estrutura da Noesis, garante que a abordagem da Noesis nessa oferta é reduzir ao mínimo os custos de licenciamento de produtos.

A oferta para gestão de estruturas híbridas de cloud computing é apresentada como tecnologicamente “aberta”, tendo nisso um dos seus principais elementos diferenciadores. Pode vir a representar 30% do volume de negócios da operação de infra-estrutura da Noesis e foi preparada para a internacionalização confirma o responsável.

Computerworld ‒ Como é que a Noesis define a Hybrid Cloud in a Box?

Ricardo Mendes ‒ A solução utiliza o conceito de “hybrid cloud core”, que entrega de forma integrada as componentes de portal de serviço cloud, portal de desenho de serviço, gestão de ciclo de vida de um serviço em cloud e as componentes de automação processual. Este “core” permite que se possam integrar os recursos computacionais necessários ao processo de aprovisionamento de um serviço, seja ele IaaS, PaaS ou SaaS, englobando recursos de IT tradicional, clouds privadas, públicas ou um “mix” no mesmo serviço de cloud, permitindo que possam ser escolhidos os componentes best of bread para cada segmento do processo de aprovisionamento do serviço.

Desta forma, permite-se que no processo de evolução continuada de um serviço de cloud, possam trocar-se componentes do serviço, por actualização ou por surgimento de uma solução mais inovadora, de uma forma transparente ao serviço em si, assistindo-se apenas à alteração de parte do fluxo de aprovisionamento e não do desenho do próprio serviço. Esta abordagem simplificada torna mais fácil a criação de novos serviços e a sua evolução.

A Hybrid Cloud in a Box entrega estas componentes de gestão de ciclo de vida de um serviço de cloud já pré-configuradas num servidor com capacidade para acomodar os “workloads” aprovisionados de forma auto contida, sem a necessidade das organizações terem, de um dia para o outro, de alterar os ambientes que têm atualmente, visto que a solução traz de base todas as dependência necessárias ao seu funcionamento (desde um ldap próprio, repositórios de dados e, por exemplo, um servidor de endereços IP [IPAM] integrado, para alocação dinâmica de IP).

CW ‒ O único fornecedor de cloud pública previsto na proposta é a Microsoft?

RM ‒ Existem vários “public cloud providers” já integrados com a solução. Para além da [plataforma] Microsoft Azure, a solução suporta Amazon Web Services bem como cloud providers públicos associados a operadores de telecomunicações, através de integrações feitas à medida. A solução já está integrada com um “cloud provider” com sede em Madrid e está prevista a construção da integração com um “cloud provider” português.

CW ‒ Quantos clientes já têm a recorrer a esta solução?

RM ‒ O conceito base da solução está implementada em quatro grandes clientes em Portugal (telcos e administração pública), sendo que esta abordagem “in a box” pretende ser efectivamente um acelerador da adopção de plataforma de clouds híbridas, que potenciem o desenvolvimento de novos serviços de TI e que permitam transformar o modo como a [estrutura de ] TI é construída, entregue e consumida nas organizações.

CW ‒ Porque é que a Noesis recorreu a tecnologia open source para a infra-estrutura de base de dados?

RM ‒ A solução prevê o mínimo de custos associados a licenciamento de software. Com este pressuposto, foram escolhidas as peças de software comercial que são efectivamente necessárias, tendo sido escolhido um ecossistema periférico de componentes de software essencialmente baseado em open source.

CW ‒ Como é que a arquitectura foi validada/certificada?

RM ‒ A solução foi desenvolvida em parceria com a HPE, tendo a Noesis trabalhado com os departamentos de hardware e de software da HPE em Portugal, Espanha e com a casa-mãe nos EUA de forma a existir um alinhamento de certificação tecnológica das componentes [desenvolvidas pela] Noesis integradas com tecnologia HPE.

CW ‒ Qual é grau de suporte para o uso de “containers”?

RM ‒ A solução suporta integração com Docker de modo a disponibilizar o aprovisionamento e gestão de “containers” com configurações específicas para execução de componentes aplicacionais.

CW ‒ Que sectores económicos são prioritários?

RM ‒ Mais do que sectores, a solução está a ser posicionada principalmente em termos de necessidades às quais pretende dar resposta: de aceleração da adopção de plataformas de cloud híbridas e da implementação de agilidade na resposta das TI aos estímulos vindos das camadas de negócios das organizações.

O princípio fundamental é o da democratização dos serviços em cloud, em que qualquer organização, grande ou pequena, pode ser um cloud provider, tendo a “ownership” [propriedade] dos processos, da sua automação e dos serviços que disponibilizam, ao mesmo tempo que podem utilizar os recursos computacionais e as comunicações existentes nos grandes cloud providers, visto que com o modelo de “hybrid cloud core”, existe uma separação clara entre o serviço em si (os seus processos) e os recursos que o suportam.

Qualquer organização pode implementar assim um serviço de cloud diferenciador, sem ter de possuir um datacenter próprio para fornecer o seu serviço, e utilizar os servidores, armazenamento e comunicações dos “cloud providers” públicos ou de clouds comunitárias a que pertençam.

CW ‒ Como pretendem diferenciar esta oferta e como é que ela tende a evoluir?

RM ‒ Esta solução caracteriza-se fundamentalmente por ser aberta, isto é, além de providenciar uma adopção rápida de plataforma de cloud híbrida pronta a funcionar, não é limitada ao catálogo de serviços que tem de base, estado preparada para acomodar a inclusão de novos serviços e evoluções que sejam necessárias garantir, permitindo às organizações terem um ponto de partida sólido para o crescimento natural dos seus
serviços e automatismos, alinhados com os seus objectivos de negócio e à medida que vão surgindo novas necessidades e desafios.

CW ‒ Que peso poderá ter ou tem no vosso negócio?

RM ‒ Estima-se que esta solução possa ter um peso entre 20% e 30% nos números globais de Infrastructure Solutions da Noesis em 2019.

CW ‒ A proposta parece também dirigida ao mercado internacional. Quanto é que este poderá representar neste negócio?

RM ‒ A solução foi desenhada para ter escala tecnológica e comercial, ou seja, não está dependente de nenhuma componente específica do ponto de vista de posicionamento no mercado, sendo que a componente de formação e certificação de equipas comerciais e de pré-venda de parceiros internacionais foi devidamente salvaguardada, de modo a que o “know-how” necessário para lidar com a solução seja adequado relativamente à cobertura geográfica que venha a atingir.




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