“Queremos impor uma estratégia comercial mais agressiva”

A directora-geral da Wondercom, Zuzana Fabianova revela que a Wondercom pretende contratar entre 20 a 30 pessoas, em 2017, e desenvolver um enfoque mais forte junto de empresas, que estão além do segmento das telecomunicações.

Zuzana Fabianova, directora-geral da Wondercom

O volume de negócios da Wondercom voltou em 2016 ao patamar dos 17 milhões de euros, depois de ter passado os 19 milhões em 2015 (ver caixa). Neste quadro, durante 2017, a directora-geral da empresa, Zuzana Fabianova, quer implementar uma estratégia comercial mais agressiva, sobretudo junto do mercado das empresas além daquelas nativas do segmento das telecomunicações.

Actualmente os principais clientes da empresa são a Vodafone, Nos, Colt, Verizon e Huawei. A executiva quer ter novos parceiros tecnológicos para viabilizar e enriquecer as soluções da organização. Mas o desenvolvimento de aplicações à medida não será abandonado e haverá uma aposta em produtos da Wondercom, através da KnowledgeWork.

Ao todo a empresa tem 412 trabalhadores e pretende contratar.

Computerworld ‒ Quais são as vossas previsões de negócio para o ano de 2017?

Zuzana Fabianova ‒ Este ano pretendemos crescer na ordem dos dois dígitos. Isto porque de acordo com a evolução do crescimento que tivemos nos últimos três anos e com a condição do mercado onde actuamos acreditamos que será um ano de consolidação e crescimento.

CW‒ Quais as vossas prioridades no mercado português?

ZF ‒ No mercado das “telcos”, o investimento ao nível de construção da nova rede vai diminuir significativamente; o número de instalações de serviços de TV, voz, dados vai estabilizar. Para crescermos neste mercado teremos que conquistar quota de mercado com uma estratégia comercial mais agressiva e planeada.

A transformação digital é inevitável no mercado onde actuamos e será uma das nossas apostas em termos de soluções de TIC. Durante o 2017/2018, as operadoras irão consolidar seu foco nos serviços digitais como um meio de crescimento, actualmente isso representa apenas entre 10% e 15% da receita total. Desse total, os serviços empresariais representarão 75% a 80% e os serviços ao consumidor 20% a 25%.

Para crescermos e nos expandirmos, vamos continuar a investir nas competências e criar condições necessárias para implementar e manter/suportar soluções de TIC. Pretendemos angariar novos parceiros tecnológicos para viabilizar e enriquecer as nossas soluções para criar o valor acrescentado ao nosso cliente.

Queremos implementar uma estratégia comercial de expansão mais agressiva para abordar o mercado empresarial. Mas vamos continuar a aposta na concepção de soluções à medida e estandardizadas/produtos (soluções Wi-Fi entre outras)

CW ‒ Quanto representa o negócio internacional?

ZF ‒ O mercado português é muito interessante e desafiante, mas não nos falta capacidade e ambição para levar as nossas soluções TIC e os nossos serviços além das fronteiras de Portugal.

A Wondercom já desenvolveu projetos com clientes na Holanda, Irlanda e Suécia e foram experiências positivas. Além das nossas soluções de TIC estamos a investir no desenvolvimento de novos produtos próprios para gestão de operações baseadas em “field service” e logística e de software para gestão do acesso à Internet em redes públicas.

Ambas as soluções desenvolvidas em parceria entre a Wondercom e KnowledgeWorks, empresa do grupo que presta serviços de desenvolvimento de software e de consultoria em tecnologias Java e SOA.

CW ‒ De que forma estão a usar tecnologias de Software Defined Networks (SDN) e Network Function Virtualization (NFV) nos vossos projectos? Estão a ter a receptividade esperada, ou não?

ZF ‒ As tecnologias SDN e NFV permitem-nos ser mais flexíveis e mais eficientes do ponto de vista do custo, nas nossas implementações, aumentando a competitividade no processo. São tecnologias usadas para desmaterializar alguns componentes de que é exemplo o controlador de rede, bem como fazer a gestão centralizada e remota da infra-estrutura.

Esta abordagem diferenciada permite libertar o cliente da gestão de hardware e com isso os temas logísticos, de avarias ou de upgrades associados, baixando o custo e aumentando a capacidade de evolução sem deslocação de equipas especializadas.

Trabalhamos em proximidade com mais conceituados fabricantes no mercado nacional e internacional.

CW ‒ Que estratégia estão a adoptar para o negócio em projectos de redes IoT?

ZF ‒ A nossa abordagem ao IoT tem sido pragmática. A tecnologia é alavancada por nós, nos produtos que desenvolvemos, na perspectiva de desmaterializar, automatizar processos ou obter dados com mais qualidade. Existem ainda muitos desafios, mas trabalhamos diariamente com os nossos fornecedores e parceiros para os ultrapassar e demonstrar ao mercado a mais-valia e os ganhos que se alcançam na adoção desta tecnologia.

CW ‒ Quais são as vossas três áreas de negócio mais importantes em volume de negócios?

Em 2017 temos uma distribuição da receita estimada dividida da seguinte forma:

– Serviços de Implementação: 40%

– Serviços de Manutenção/Suporte e Help Desk: 30%

– Outsourcing e Consultoria – 15%

– Design de Soluções – 10%

– Software (Knowledgeworks): 5%

CW ‒ Quantas pessoas deverão contratar em 2017?

A Wondercom e a KnowledgeWork [ao todo] têm previstas 20 a 30 contratações com o objectivo de reforçar a equipa actual, sendo que o nosso foco estará em perfis de excelência onde a qualidade técnica e a capacidade de resposta são primordiais.




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