Uso de drones é mais provável nas zonas rurais (actualizado)

Não será no “curto prazo” e o preço de entrega de encomendas “terá de ser mais” elevado, considera Francisco Simão, CTO dos CTT, baseado em previsões da McKinsey.

Francisco Simão, CTO dos CTT

Os CTT efectuaram recentemente testes de serviços de entrega de encomendas por drone em Lisboa, mas um cenário de previsões traçado pela McKinsey, remete a utilização do dispositivo em zonas rurais com fraca densidade populacional, explicou Francisco Simão, CTO da empresa. Mesmo nesse caso, a empresa não deverá avançar com serviços a “curto prazo”, ressalvou o responsável em conferência da APDC, sobre eCommerce.

O responsável, tendo em conta a mesma análise, considerou ainda que o preço do serviço “terá de ser superior” ao praticado nos serviços actuais. Uma previsão da referida consultora, que citou, refere um acréscimo estimado de 10%.

Durante a sua palestra, Simão procurou vincar que a empresa não pretende focar-se no fornecimento de serviços de pagamento electrónicos e posiciona-se como operador de “last mile”, de última etapa do processo, para entrega dos artigos. Não se vai inibir, no entanto, de desenvolver outras iniciativas na cadeia de valor.

Uma delas é montar e dar suporte a um emarketplace, em preparação com a AICEP, de produtos de fornecedores portugueses nas plataformas da Alibaba e particularmente direccionado para o mercado chinês. Os CTT querem ainda reforçar a sua posição na rede internacional de entregas, com a Transporta a desempenhar papel determinante.

Dados apresentados por Francisco Simão indicam que 22% das compras online registadas nos últimos 12 meses, em Portugal, pelos CTT, são relativas a aquisições transfronteiras.

Ainda durante o corrente ano, a organização tenciona realizar um projecto piloto com uma startup na exploração de “crowdsourcing” para um modelo de entrega de encomendas: “crowshiping”, como denominou o responsável. À partida, a ideia pressupõe o recurso à disponibilidade de particulares para executar a última etapa das entregas.

Dados apresentados pelo responsável indicam que 22% das compras registadas nos últimos 12 meses, em Portugal, pelos CTT são relativas a aquisições online transfronteiras. O valor é o mais alto da Europa Ocidental.

A percentagem de compras envolvendo transacções domésticas e transfronteiras ascende a um número ainda maior, 64%. Segundo Francisco Simão, 82% dos consumidores refere como mais importantes no processo de entrega, três factores:
‒ a recepção da encomenda dentro da janela temporal prevista,
‒ visibilidade completa sobre o processo de transporte;
‒ a notificação electrónica na entrega.

Adicionalmente, quase com o mesmo grau de referência surge a possibilidade de seleccionar o local da entrega. E segundo o responsável, de o mudar no dia da entrega.

5 previsões que os CTT estão a seguir

No quadro de previsões a dez anos da McKinsey, os CTT acompanham a evolução em quatro áreas nas entregas de “última milha”:

‒ nas zonas urbanas, os veículos autónomos equipados com cacifos tendem a dominar a entrega regulara de encomendas, em janelas temporais definidas no mesmo dia;

‒ Estimativas apontam para que haja uma redução de custos na ordem dos 40%, face aos meios actuais e sobretudo nas zonas rurais;

‒ Os drones também poderão serviços competitivos, mesmo com custo previsto de mais 10%;

‒ Mas nas áreas urbanas, estafetas em bicicletas podem tornar-se na melhor opção, mesmo em serviços de entrega imediata;

‒ O processo e meios tradicionais deverão continuar a ser melhor opção em zonas com elevada densidade de entregas para o segmento empresarial.

*Actualizado: No primeiro parágrafo, acrescentou-se informação para esclarecer que as afirmações de Francisco Simão reflectem as previsões da McKinsey.

 




Deixe um comentário

O seu email não será publicado