Claranet Portugal prepara datacenter Azure

Na sequência da compra da Iten, o CEO, António Miguel Ferreira prevê chegar perto dos 100 milhões em facturação em 2017. E garante que todos os 350 profissionais da primeira serão incorporados na operação portuguesa da multinacional.

António Miguel Ferreira, CEO da Claranet Portugal

O CEO da Claranet Portugal, António Miguel Ferreira não pode revelar quanto capital esteve envolvido na aquisição da Iten Solutions, mas adianta que esta facturou 80 milhões de euros em 2016. A estratégia para disponibilizar uma oferta de TIC em arquitectura híbrida justifica a compra, com reforço para as operações “on premises”.

Descartar aquelas menos centrais, como a gestão de parques de impressão, não está nos planos. Mesmo que o núcleo seja a cloud computing e o executivo pretenda ter um datacenter Azure até final de 2017, em Portugal.

Computerworld ‒ Quais foram os moldes da transacção?

António Miguel Ferreira ‒ A compra de 100% da Iten é realizada exclusivamente com dinheiro pela Claranet S.A. Não temos por hábito fazer aquisições com cedência de quota. Todas as aquisições em Portugal foram feitas nestes moldes.

CW ‒ É possível saber o valor investido?

AMF ‒ Concordamos que não seria divulgado.

CW ‒ A empresa resultante da fusão deverá ter uma volume de negócios próximo de que valor?

AMF ‒ Estamos a prever que seja de quase 100 milhões de euros em 2017.

CW ‒ A Iten Solutions factura quanto?

AMF ‒ Perto de 80 milhões de euros em 2016. Enquanto no nosso caso 100% da  facturação seja em serviços, a Iten tem as áreas de tecnologia que inclui software e hardware, sendo que 35% a 40% também seja da prestação de serviços.

CW ‒ Quais as componentes mais interessantes que a Iten adiciona à Claranet?

AMF ‒ A Iten é talvez o maior integrador em Portugal, mas além da dimensão, tem evoluído nos últimos quatro anos no sentido de prestar cada vez mais serviços. Tem feito um caminho correcto. Já concorríamos em algumas áreas, por exemplo, em tudo o que estava ligado a gestão de desktops, ferramentas de produtividade, e mais ainda naquelas de cloud pública, particularmente em Azure. Noutras áreas somos complementares.

CW ‒ Tais como?

AMF ‒ Temos a nossa actividades centradas nas nossas infra-estruturas dos nosso centros de dados que são cinco em Portugal, e a Iten essencialmente prestava serviços nas infra-estruturas de clientes “on premises” e cloud privada. A Iten tem um histórico muito forte no negócio de “on premises” enquanto nós somos fortes na cloud privada, e ambos trabalhamos em oferta de cloud pública.

Tal como no mundo inteiro, o mercado de TI em Portugal está a mudar. Os sistemas que estavam “on premises”, estão a passar para cloud privada ou pública.

Com esta compra fazemos um reforço significativo da nossa operação para ambientes nas infra-estruturas dos clientes (“on premises”), mas também em cloud pública e privada. Em resumo, para cloud híbrida.

Temos fortes competências nas três áreas, não temos de proteger qualquer uma em particular,  e podemos dar a melhor oferta ao cliente.

CW ‒ E a Iten tem uma relação forte com a Microsoft…

AMF ‒ A nossa relação com o fabricante sai substancialmente reforçada e um dos motivos da compra também é esse reforço. Nós endereçamos soluções sobretudo de cloud pública em Azure. O nosso foco sempre foi no serviço e é-nos indiferente se as infra-estruturas estão nas nossas instalações ou na cloud pública .

A Microsoft é o nosso principal parceiro e queremos trabalhar mais com ela, porque a Azure é inevitável e o fabricante tem uma grande presença em empresas de média e grande dimensão em Portugal. E também está no sector público que passamos a endereçar com mais força.

CW ‒ Isso quer dizer que poderá passar a haver mais clientes a usufruir da plataforma Azure desde Portugal, em vez de terem de recorrer a centros de dados na Irlanda?

AMF ‒ A realidade actual é híbrida. São muito poucos os clientes, que estão totalmente em Azure, num centro de dados ou “on premises”. Cada vez mais, a tendência será para estarem fora das suas instalações.

Nós posiciona-mo-nos como fornecedor de TI híbrida. Por isso faz parte da nossa estratégia montar um datacenter em conformidade com Azure em Portugal. Estamos a trabalhar com a Microsoft nesse sentido.

CW ‒ A disponibilidade desse recurso está previsto para quando?

AMF ‒ Não temos ainda uma data, mas acreditamos que ainda será possível em 2017. Os volumes de trabalho vão poder ser mudados para onde o cliente quiser a qualquer momento [dentro da rede Azure].

Se o cliente, por razões culturais ou de conformidade regulatória os quiser ter em Portugal vai poder fazê-lo. No caso pretender ficar mais perto dos seus clientes noutros mercados, ter acesso a infra-estrutura em maior escala, maior cobertura mundial, pode mudar para outro centro de dados no mundo, com uma migração simples.

CW ‒ Com quantos clientes é a Claranet fica em Portugal?

AMF ‒ 2000 empresas de média e grande dimensão, dos quais 1300 clientes “adquiridos” agora.

CW ‒ Que sobreposições de actividades ou áreas de negócio será preciso “lapidar”?

AMF ‒ O nosso enfoque na fusão será de crescimento. O sucesso será ditado por aquilo que conseguirmos crescer. As áreas comuns serão conjugadas para serem mais fortes.

A sobreposição não é assim tão grande. Concorríamos em cloud pública, Office 365, ferramentas de desktop… O resto é complementar

CW ‒ As operações de empacotamento de software e gestão de parques de impressão são para manter?

AMF ‒ Sim, faz parte do portefólio da Iten. O futuro das TIC evolui para o software.

CW ‒ Todos o recursos humanos da Iten vão ser incorporados?

AMF ‒ Sim, passamos a ser cerca de 500, com a incorporação de 350 profissionais.

CW ‒ As instalações da Iten serão mantidas?

AMF ‒ Sim.

CW ‒ A conclusão do processo de fusão está previsto para quando?

AMF ‒ A primeira etapa é unificar o portefólio de oferta e em dois meses devemos conclui-la. Estaremos focados no crescimento do mercado. A integração das áreas operacionais vão acontecer naturalmente nos próximos dois anos.

CW ‒ A área de nearshoring merece atenção especial?

AMF ‒ Sim. Queremos aproveitar e também prestar serviços para clientes noutros países. A Iten adiciona o desenvolvimento e embalamento de software e gestão de desktops.

A Claranet já geria  plataformas de TI de clientes na Suíça e Canadá, a partir de Portugal.




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