Novidades na Build 2017 para programadores

A Microsoft revelou várias iniciativas na sua conferência abrangendo as áreas de Inteligência Artificial, bases de dados e computação “sem- servidor”.

Como era de esperar a conferência da Microsoft para programadores, a Build 2017, realizada na semana passada, trouxe novidades em várias áreas nas quais o fabricante quer mostrar trabalho. E oferta. A da computação “sem-servidor” ou “serveless computing” foi uma delas, além das iniciativas em torno da transversal Inteligência Artificial.

Mas talvez uma das maiores apostas seja aquela centrada no segmento das bases de dados. A Microsoft promete que os programadores terão maior facilidade para aumentar de escala as suas aplicações com o serviço Cosmos DB, actualizado.

A oferta vai permitir-lhes armazenar dados passíveis de replicação em qualquer uma das 34 regiões da cloud pública Azure da empresa, diz esta. A Cosmos é uma expansão do DocumentDB, um serviço de base de dados NoSQL gerido, lançado pela Microsoft em 2015.

A sua inovação chave é um recurso que permite escolher entre cinco modelos de consistência que vão desde a consistência “forte” a “eventual”. A ferramenta permite armazenar e aceder a dados com uma grande variedade de API, incluindo DocumentDB, MongoDB, SQL, Gremlin e Azure Tables. A Microsoft garante 99,9% de disponibilidade dos dados.

A iniciativa em torno do Cosmos DB  é um passo importante para a Microsoft competir com outros fornecedores de cloud computing, como a Amazon Web Services e a Google.

Mas também diz que os tempos de resposta da base de dados serão inferiores a 10 milissegundos, para quase 100% dos utilizadores numa região para onde a Azure está disponível, e com réplicação em Cosmos DB. A bases de dados distribuídas globalmente como o Cosmos são uma parte importante das promessas da cloud computing.

Devido à velocidade da luz, os utilizadores de aplicações distantes do centro de dados mais próximo, sofrem atrasos maiores nas suas solicitações. O Cosmos DB permitirá que os programadores aproveitem a escala dos datacenters da Microsoft para melhor atender a utilizadores em todo o mundo.

A iniciativa é um passo importante para o fabricante competir com outros fornecedores de cloud computing, como a Amazon Web Services e a Google. Cada uma tem sua própria proposta de serviço de base de dados gerida e amplamente disponível.

O Cosmos DB destaca-se pela variedade de garantias de serviço, escala global e abordagem inovadora sobre a consistência das bases de dados.

Visual studio progride na computação “sem-servidor”

A Microsoft revelou vários pontos em que o Visual Studio IDE evoluiu para acomodar necessidades relacionadas com “serverless computing” e para ambiente Mac. Para a computação “sem-servidor”, a versão beta da Azure Functions Visual Studio permitem aos programadores integrarem as funções em fluxos de desenvolvimento, disse Scott Guthrie, vice-presidente executivo para cloud da Microsoft.

O CTO da empresa, Kevin Scott revelou que a empresa está a “desenvolver uma série de coisas para tornar mais fácil gestão de todo o ciclo de vida do desenvolvimento de código para computação ‘sem-servidor’”. A versão beta está disponível como uma extensão do Visual Studio 2017 e permite usar extensões de terceiros, matrizes de teste e sistemas de integração contínua.

A computação “sem-servidor” fornece programação orientada a eventos num ambiente gerido. Com as Azure Functions, os utilizadores pagam pelos recursos que usam. A oferta compete com o serviço AWS Lambda da Amazon.

A Microsoft fez também uma antevisão do suporte do Azure Application Insights para as Azure Functions, fornecendo informações sobre o código das mesmas, para as equipas poderem medir o desempenho, detectar problemas e diagnosticar problemas com aplicações em computação “sem-servidor”. Noutra beta, a Azure Functions Runtime, estende as Azure Functions a sistemas locais e outros exteriores a ambiente de cloud computing.

O Visual Studio 2017 para Mac da Microsoft está já em versão de produção, oferecendo desenvolvimento para aplicativos móveis e da Web, bem como para implantação no Azure. Para o desenvolvimento do iOS e do Android, o Visual Studio para Mac usa o Xamarin, que suporta o desenvolvimento em várias plataformas e vem com o IDE.

Investimento redobrado na Inteligência Artificial

A Microsoft está a aumentar o seu investimento em serviços de cloud com Inteligência Artificial para clientes empresariais com uma série de novas ofertas. Destinam-se sobretudo a lidar com aplicações de vídeo e problemas mais específicos não resolvidos com os seus serviços pré-definidos.

Os novos serviços incluem o Video Indexer, para legendagem automática, a análise de sentimento, reconhecimento facial feito a pedido, a detecção e identificação de objectos, o reconhecimento óptico de caracteres e a extracção da palavras-chaves. A ferramenta é baseada nos serviços Microsoft existentes, mas oferece aos clientes uma maneira mais fácil de processar grandes quantidades de vídeo para indexação e análise, em vez de exigir trabalho manual.

O fabricante também disponibiliza um serviço de reconhecimento de imagem personalizado para permitir a utilizadores usar as ferramentas existentes da Microsoft para detectar objectos e ensiná-las a reconhecer outras coisas às quais não são geralmente aplicáveis.

Outras novas ofertas incluem o Bing Custom Search Service, que permite às empresas incorporarem pesquisa na Internet personalizada nos seus sites. O serviço Gesture, também revelado na conferência, foi projectado para ajudar as empresas a construírem ferramentas de reconhecimento de gestos.

O conjunto inclui ainda o Custom Decision, concebido para automatizar opções entre diferentes conteúdos. Todas estas novas ferramentas destinam-se a ajudar quem não é especialistas a utilizar capacidades de aprendizagem automática para melhorar os seus negócios.

A empresa revelou ainda o Azure Cloud Shell, que permite a programadores fazerem a gestão de um ambiente de terminal completo dentro da cloud da Microsoft e vem com um conjunto de ferramentas pré-configuradas para gerir implantações. O ambiente pode ser acedido a partir da aplicação móvel da Azure.




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