Farfetch procura engenheiros para operação em Lisboa

Ao inaugurar novas instalações na capital do país, o CEO da empresa explica as razões para apostar nos recursos humanos portugueses e como definiu a estratégia da empresa de tecnologia para o retalho.

José Neves, CEO da Farfetch

A Farfetch abriu oficialmente novas instalações em Lisboa onde conta ter cerca de 100 profissionais, mais trinta, a trabalhar até ao final do ano. A aposta “marca uma fase de investimento em infra-estrutura” e o recurso a um repositório de profissionais talentosos muito forte, explicou José Neves, CEO da empresa, referindo-se a Lisboa.

À empresa interessa a experiência mais forte (do que no Norte) da cidade no serviço ao cliente, detalha. Apesar disso a maior parte dos recursos a contratar será de engenharia de software, abrangendo perfis mais ligados a segurança, aprendizagem automática, analítica ou metodologia DevOps.

As competências procuradas nos restantes 470 profissionais a contratar deverão seguir guião semelhante, com a empresa a distribuí-los maioritariamente pelas operações de Guimarães e Porto. As novas instalações em Lisboa, com 3000 metros quadrados e capacidade para 300 pessoas, envolvem um investimento de um milhão de euros, focado também na retenção de talento.

Ao contrário da maioria das empresas, a Farfetch diz que existem recursos humanos de TIC suficientes em Portugal, para as necessidades da empresa. Mas não rejeita a hipótese de recorrer à contratação de estrangeiros, os quais representam uma percentagem diminuta dos seus 1600 trabalhadores, diz Neves.

São sobretudo comerciais úteis para o negócio em múltiplas línguas, do retalhista online. Em declarações ao Computerworld, o CEO garante que a vantagem de contratar engenheiros portugueses, não tem nada a ver com o preço de mão-obra.

“Em Londres, Berlim ou Silicon Valley é muito complicado manter uma equipa coesa, com sentido de missão, e isso para nós é muito importante”, diz José Neves (Farfetch)

Resulta sim da excelência da qualidade dos recursos de engenharia, elogiada até por empregadores estrangeiros como a HelloFresh, que tem 40 engenheiros portugueses em Berlim, enfatiza. “O talento português é de altíssima qualidade, o custo é mais baixo, mas se aquela não existisse, deixava de valer a pena. Recorríamos à Ásia”, reforçou para explicar a aposta no mercado português.

Mas além disso, o CEO considera que os recursos humanos portugueses são muitos “mais apegados à missão da empresa, à cultura e valores”, do que os de outros territórios, onde a rotatividade de profissionais é muito grande. “Em Londres, Berlim ou Silicon Valley é muito complicado manter uma equipa coesa, com sentido de missão, e isso para nós é muito importante”.

Ao todo, em Portugal a Farfetch tem já 900 trabalhadores. As novas instalações estão situadas no Edifício D. Luís I, na zona de Santos.

Três propostas de oferta estratégicas

A Farfetch procura ter actualmente três propostas estratégicas para o sector da moda. Uma é a plataforma de “emarketplace” que coloca em interacção marcas e clientes. “Somos também um ‘innovation partner’, cada vez, para os grandes grupos, como a Louis Vuitton ou Guci para criar projectos de inovação”, afirma.

Na opinião do executivo, não é internamente que essas empresa vão inovar.”Não podem contratar centenas de engenheiros. Queremos estar nessa frente”, deaclara.

Uma terceira área, funda-se numa revolução no retalho que a Farfetch acredita que vai acontecer “mais ano menos”, mas durante um “processo longo”. “Queremos ser pioneiros [nessa vaga] para elevar a experiência do cliente dentro da loja e com tecnologias bastante integradas”, ilustra.

Nesta área a empresa aposta na oferta “Store of the Future”, especialmente focada na redefinição da experiência de retalho omnicanal para o consumidor. Para dimensionar o investimento em TIC, José Neves refere apenas que até final de 2017, a empresa terá cerca de 800 engenheiros ao todo.

A empresa pretende continuar a investir na construção de uma plataforma de negócios e focada no desenvolvimento das suas API. Serão factor de crescimento através da inovação, de parcerias com outras entidades e acesso a novos mercados. Luís Teixeira director-geral da Farfetch em Portugal, explica que a ideia subjacente à “Store of the future” é criar tecnologia capaz de proporcionar ao retalhista a capacidade de tomar decisões com base no cliente em vez de canais. “Por exemplo, sabendo na loja o que o cliente tem inscrito na sua “wish list” do site”, explica.

Passa também por permitir que a experiência de cliente seja a melhor possível, “mais continua”, sem interrupções de canal para canal. “Já temos informação sobre os clientes, sobre os pontos de distribuição e o que Farftech pode fazer é desenvolver as pequenas aplicações, módulos, capazes de usar a plataforma [do marketplace], em prol do cliente e o retalhista”, explica o responsável.

O mesmo não acredita que a evolução implique a eliminação de assistentes de loja em favor de mais tecnologia. “O retalho físico vai ser importante ao longo de muitos anos. As pessoas vão precisar das ferramentas certas e aptidões de envolvimento, diferentes das que têm hoje”, remata.




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