Automatização e eProcurement na agenda de clientes da SAP

Três empresas portuguesas partilharam a sua visão e algumas iniciativas para modernização dos sistemas de informação, durante o SAP Innovation Forum. A analítica é transversal.

João Ramos (Expresso), Frederico Macias (Sovena) Luís Henriques (Lusíadas Saúde) e Luciano José (Pestana Hotel)

Numa mesa redonda, responsáveis da Lusíadas Saúde, Pestana Hotel e Sovena, empresas clientes da SAP Portugal, explicaram a sua perspectiva sobre como poderão evoluir os sistemas de informação e de TIC nas organizações. As tecnologias de automatização, de suporte à gestão de compras, de recolha de dados ou para a promoção de maior envolvimento com clientes e recursos humanos, fazem parte da sua visão ou já estão a ser usadas.

No grupo Pestana Hotel, manter a conectividade com os seus clientes é um dos objectivos principais na sua estratégia. E na interacção com potenciais hóspedes, a organização pretende proporcionar a experiência mais homogénea possível na sua actividade de eCommerce.

Esta é uma das áreas de enfoque, diz Luciano José, director de compras do grupo Pestana Hotel. Transversal aos seus planos é a orientação para automatizar tudo o que possa ser automatizado, revela o responsável.

Por isso, este considera que a empresa precisa de recursos capazes de aprender ou saber, depois da automação, a proporcionar valor acrescentado. Parte deste advirá naturalmente do investimento em plataformas de big data e BI, com as quais o executivo espera que a organização consiga transformar os dados em informação e conhecimento para criar valor.

Mas cada vez mais importante, na visão deste responsável, será a área de compras, tanto no grupo Pestana como na maior parte das empresas. Passará a ser estratégica em vez de transacional, enfatiza.

No seu esforço para recolha de dados, a Sovena disponibilizou uma aplicação móvel, para agricultores parceiros introduzirem dado, com dos quais consegue extrair  informação.

A organização hoteleira já faz parte da rede mundial de eProcurement da plataforma Ariba, gerida pela SAP, na qual estão presentes milhões de fornecedores. Se o grupo não quer perder a conectividade, também não quer perder, lembra o responsável, potenciais oportunidades de negócio e parcerias na cadeia de abastecimento.

Quanto a esta área, o CIO do grupo Sovena, Frederico Macias, reconheceu a tendência e o potencial de as empresas abrirem os seus sistemas a uma interação mais ágil com fornecedores e parceiros, num “ecossistema” próprio. Com as devidas cautelas de segurança de informação, ressalvou.

Na sua visão, face às dificuldades das empresas em atraírem recursos humanos talentosos e num cenário laboral com profissionais mais “nómadas”, as empresas poderão recorrer a plataformas digitais de interacção. Com estas devem conseguir criar “envolvimento” e até “passar a cultura da organização”.

Contudo, noutro patamar, considera que as tecnologias de automação serão a chave para as empresas enfrentarem a deslocalização das cadeias de produção para outras geografias, e poderem vingar em mercados determinados pelo preço, sobretudo.

No seu processo de evolução tecnológica, a Sovena adoptou uma plataforma de gestão de recursos humanos e talento (SucessFactors) e consolidou três ERP (herdados de processos de fusão). Mas também investiu noutros sistemas com redes M2M para, por exemplo, conseguir prever melhor a dimensão de colheita de matéria-prima, em terrenos agrícolas.

No seu esforço para recolha de dados, disponibilizou uma aplicação móvel, para agricultores parceiros introduzirem elementos, com dos quais consegue extrair também informação. A empresa produtora de óleos alimentares está a investir na obtenção de maior eficiência mais a jusante.

Na Lusíadas Saúde a sua equipa tem na agenda uma maior integração dos sistemas de equipamentos complementares, para efeitos de centralização de informação em registo clínico e permitir aos médicos mais tempo de contacto com os pacientes.

Aposta na disponibilização de uma ferramenta aos seus profissionais, capaz de conjugar múltiplas variáveis e algoritmos para uma definição de preços mais rigorosa. Neste processo, explicou Macias, interferem factores como o sítio onde a oferta é produzida e para onde tem de ser exportada.

O negócio da Sovena também depende de importantes flutuações bolsistas nos mercados de matérias primas e a empresa procura lidar melhor com esse factor. Está a investir num sistema para conjugar dados internos com elementos sobre os mercados e produzir informação de negócio cada vez mais em tempo real (numa base horária).

BI em tempo real também tem sido foco de investimento na Lusíadas Saúde, revelou o seu CIO, Luís Vaz Henriques. Além disso, a organização implantou os módulos SAP RH, FI e Logistics sobre plataforma Hana, em quatro meses, avançou.

Apesar da aposta, o responsável considera que na área da Saúde as TIC ainda não trouxeram o mesmo grau de produtividade verificado noutros sectores. Embora defenda que o foco das iniciativas de modernização devam incidir na redução do risco clínico.

Na Lusíadas Saúde a sua equipa tem na agenda uma maior integração dos sistemas de equipamentos complementares, para efeitos de centralização de informação em registo clínico. O objectivo envolve, diz Henriques, incrementar a produtividade nos processos inerentes, de modo a permitir aos médicos mais tempo de contacto com os pacientes.




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