Novo centro da CGI pode valer mais de 25 milhões

A empresa pretende contratar quarenta profissionais, preferencialmente com 10 a 15 anos de experiência na gestão de TI, revelou o CEO da empresa em Portugal, José Carlos Gonçalves.

“No prazo de dois anos”, quando o novo centro de competências da CGI, inaugurado oficialmente esta quarta-feira, estiver a funcionar em pleno, a facturação associada deverá ascender a mais de 25 milhões de euros. Com a estimativa, o vice-presidente sénior da empresa, para o Sul da Europa e Brasil, José Carlos Gonçalves, crê estar a ser “pessimista”, face ao potencial de negócio do mercado mundial de gestão de TI.

O Cloud Innovation Center poderá elevar a facturação em serviços de desenvolvimento de software, de outsourcing e consultoria para fasquia dos 50 milhões de euros, pelo menos, confirma. A unidade constitui uma operação da empresa estabelecida em Sintra, para o desenvolvimento de estratégias, soluções e serviços para a gestão de TI, incluindo cloud computing.

Deverá prestar serviços para clientes num universo de 40 países, em articulação com outros centros da multinacional canadiana, tendo por base uma plataforma de tecnologia aberta, a Unify360. Desenvolvida pela equipa da operação portuguesa constitui uma solução integrada de orquestração e monitorização de serviços de TI com origem na cloud e em plataforma tradicional, já disponibilizada para clientes da CGI em toda a Europa.

Até final de 2017, a CGI conta acrescentar mais 40 profissionais à estrutura que existia do “IT Modernization Center” para ter um corpo de 80 especialistas. José Carlos avança que “por natureza” a equipa será particularmente sénior, tendo pessoas com 10 a 15 anos de experiência.

O novo centro vai precisar de arquitectos e engenheiros de sistemas e por isso o nível salarial tende a ser elevado, garante o José Carlos Gonçalves (CGI).

“Estamos a falar de uma área de infra-estrutura que precisa de pessoas com ‘tarimba’, capazes de perceber como funcionam muitos produtos, individualmente ou em interacção”, explica. O novo centro vai precisar de arquitectos e engenheiros de sistemas e por isso o nível salarial tende a ser elevado, garante o CEO.

Como a área envolve especificidade, o executivo acredita que o processo de contratação não sofrerá da falta de recursos humanos de TI. A CGI espera ainda conseguir recuperar profissionais portugueses emigrados.

Além disso, perto de 20% dos especialistas do centro serão de origem estrangeira, numa lógica de beneficiara de multi-culturalidade na inovação. “O grande investimento vai ser nas pessoas e não se faz de uma só vez”, promete José Carlos Gonçalves, que pretende investir o menos possível em máquinas.

A estrutura de recursos humanos deverá desenvolver a sua actividade focada na operacionalização de inovações disponibilizando serviços de consultoria, “frameworks” e boas práticas, abrangendo o portefólio de TI de uma organização.

Automação e analítica são áreas de potenciais parcerias

Visando aumentar o número de serviços o centro terá uma plataforma para disponibilizar oferta de parceiros, num formato de “emarketplace”. O processo para acolher a oferta de sistemas de empresas portuguesas, incluindo startups, ainda não arrancou, revela o executivo. Decorreram apenas “contactos preliminares“.

Mas haverá um arquitectura de referência e um modelo de remuneração para esses parceiros. “Temos de ver ainda como as empresas vão reagir, mas o potencial de negócio é muito grande e quanto mais reunirmos mais escalabilidade alcançaremos, numa perspectiva de longo prazo”, garante.

Fruto desse trabalho noutros mercados, uma empresa já foi acolhida para disponibilizar tecnologia e serviços de cibersegurança. Esta constitui um segmento de enfoque particular, “Queremos poder a varrer constantemente os volumes de trabalho em execução para detectar potenciais situações de risco atempadamente”, explica.

Mas há cinco áreas em que o responsável vê particular potencial de negócio e parceria. “Tudo o que tem a ver com robótica e automatização de infra-estruturas e no aproveitamento dos dados gerados pelas ferramentas de gestão, por exemplo da Unify 360”, assinala.

Na segunda há dois “caminhos muito interessantes”: o da analítica aplicada à previsão de avarias ou à identificação de tendências para se fazer melhor gestão de TI. Outra linha com potencial é o da aprendizagem automática, colocando-se as máquinas a aprenderem com aquilo que as pessoas vão fazendo.

Um dos pontos mais importantes do centro será aproveitar com maior eficácia toda a tecnologia que as empresas já têm instalada, diz ainda José Carlos Gonçalves.

 


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