Do Disaster Recovery ao serviço de TI omnipresente

Cesar Funes, engenheiro na CommVault, estabelece seis pontos essenciais na recuperação do funcionamento de sistemas, face a rupturas de serviços.

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Cesar Funes, engenheiro líder de sistemas na CommVault

A Disaster Recovery (DR) nasceu como conceito associado a um problema grave no centro de dados, normalmente provocado por desastres naturais ou acidentes (terremotos, furacões, incêndios, ataques terroristas, etc).

Para garantir a continuidade dos processos de TI sobre os quais se baseiam os processos de negócio de muitas empresas (e dos serviços públicos de populações, regiões ou nações inteiras), tornou-se necessário desenvolver um conjunto de tecnologias e soluções baseadas na existência de centros de contingência, replicação de dados e sistemas de orquestração para a implementação automática de serviços.

Com o tempo, o uso do termo Disaster Recovery evoluiu e passou a incluir duas importantes matrizes: DR refere-se à recuperação não de um centro de processamento de dados (CPD) inteiro, mas de qualquer sistema sobre o qual se baseie um serviço de TI.

O CPD de contingência deixou de ser um centro remoto de uma empresa ou instituição, para ser substituído de forma geral pela “cloud” (afinal, um conjunto de CPDs de fornecedores de infraestruturas, plataformas e software como serviço). No entanto, hoje em dia a essência do DR continua a ser a mesma: a continuidade dos serviços de TI em centros remotos.

Mas se olharmos para o futuro iminente, a evolução das tecnologias de TI e a sua implementação massiva na nossa sociedade através da Internet das Coisas (IoT) permite-nos prever uma nova evolução no conceito, passando o DR a referir-se à continuidade omnipresente do serviço. Porque uma grande parte dos serviços de TI se baseará na cloud, ou inclusive nos dispositivos móveis, de forma que diferenciar o local e o remoto será cada vez mais difícil.

Se queremos estar preparados para o presente e para o futuro, temos que ter em conta, entre outras coisas:

1 – A continuidade do serviço não é um serviço de TI em si: é estratégia. E requer o compromisso da gestão empresarial ao mais alto nível.

Nem todos os serviços de TI são igualmente importantes: estabelecer um mapa que os relacione com os processos de negócio ajudará a tomar decisões e a diminuir custos e risco.

2 – A continuidade do serviço implica um custo. Podemos aplicar ao mundo
dos SLAs (acordos de nível de serviço), se me é permitido o anacronismo, o princípio de incerteza de Heisenberg.

O produto do tempo de indisponibilidade de um serviço e o custo da sua continuidade é uma constante. Para assegurar um tempo de indisponibilidade zero (infinitos 9s), o custo é infinito.

Ou seja, devemos saber onde investir os nossos recursos em TI, para apoiar os processos de negócio ou os serviços mais críticos.

3 – A não-continuidade do serviço implica um risco. Em termos de imagem pública, em competitividade ou em penalizações legais no caso de uma empresa, em diminuição de qualidade, inclusive danos a pessoas ou comunidades no caso das instituições públicas, como os corpos de segurança ou organismo da área da saúde.

4 – A “cloud” requer centros remotos. Afinal, a cloud é formada por CPDs de outras empresas. O nosso próprio CPD pode atuar como centro de contingência dos serviços de TI que se executam diretamente na cloud – incluindo o Software como Serviço.

5 – IoT é o futuro; os telefones e tablets são o presente. Os dispositivos móveis não são só um meio de apresentação de informação.

Há já algum tempo que possuem potência de cálculo e de armazenamento para produzir dados e intervir como fatores decisivos em processos de negócio. Incluí-los na estratégia de continuidade de serviço é necessário já hoje.

6 – Transformar a continuidade de serviços em realidade, como qualquer outro aspeto estratégico das TI, implica contar com parceiros tecnológicos. As TI são cada vez mais complexas. Façamos uma comparação com a área da saúde: uma empresa ou instituição de média dimensão pode contar na sua equipa com pessoal do sector da saúde; mas nenhuma tem aspirações a ter o seu próprio Hospital.

Todas as empresas que desejam levar adiante este aspeto da estratégia de TI necessita de parceiros tecnológicos que estabeleçam relações de longo prazo, baseadas em visões de futuro que façam melhorar continuamente a tecnologia ao mesmo tempo que garantem de forma ética uma evolução sustentável.




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