Lisboa precisa de atrair recursos de empreendedorismo

A cidade não será das mais competitivas da Europa nem sequer em 2019, precisa de corrigir falhas, mas está a progredir, mostrou Paulo Carvalho, da Câmara Municipal de Lisboa.

paulo-soeiro-carvalho_cml

Paulo Soeiro Carvalho, director na Câmara Municipal de Lisboa

No arranque da Semana do Empreendedorismo de Lisboa, Paulo Carvalho afirmou que o “ecossistema” empreendedor lisboeta é dos que mais cresce à escala europeia, recorrendo a dados do estudo da Startup Genome ‒ o qual atribui um índice de 6,1.

Mas o director da Câmara, para a inovação e economia,  admite que falta muito para a cidade atingir os objectivos que a edilidade definiu em 2011. “Não seremos uma das cidades mais competitivas da Europa no próximo ano nem daqui a dois”, alertou.

E o mesmo não escondeu os principais problemas detectados na análise realizada pela organização internacional. Há pontos vermelhos de alerta quanto à atracção de recursos, experiência das startups e desempenho do ecossistema.

No primeiro tema, segundo o estudo a comunidade lisboeta atraiu apenas 38 empreendedores enquanto a média mundial foi 300, em 2016. O número de startups atraídas chegou a 11, quando a média global foi de 83, embora esteja a par da evolução de algumas cidades europeias.

Cerca de 34% dos clientes do “ecossistema” são estrangeiros, face a 23% da média global.

O que poderia ser um factor de atracção não parece produzir efeito: o salário anual dos engenheiros de software, em Lisboa, é em média de 29 mil dólares e aquela global é de 49 mil dólares. Além disso financiamento também exige atenção.

Não obstante, a comunidade tem a sua excelência nas habilitações dos fundadores das startups, com 82% das empresas a ter doutorados ou mestres com esse estatuto. A média mundial é de 47%.

analise-empreendedorismo-de-lisboaOs resultados em termos de startups nascidas também ficam aquém das médias mundiais, embora mais próximos de algumas concorrentes europeias. O referido estudo refere haver entre 200 a 300 startups de base tecnológica com actividade em Lisboa.

“Todos os dias morrem e nascem empresas em Lisboa”, sublinhou o director antes de procurar destacar as oportunidades e forças que tornam o “ecossistema”, “especial”. O facto de ter boas relações e ligações com o resto do mundo nas redes de empreendedorismo é um dos pontos mais importantes.

Quando a nota média mundial fica nos 6,1 pontos, a da comunidade lisboeta ultrapassa ligeiramente os 10 pontos.  Talvez ligado a este factor está também o alcance de mercado, com 34% dos clientes do ecossistema a serem internacionais, face aos 23% da média global.

O índice de fundadoras de startups, de 17%, também mereceu referência por parte de Paulo Carvalho. Mas o valor acompanha a média global, que é de 16%.

Outros números do ecossistema de startups de Lisboa

‒ Valor: 1,3 mil milhões de dólares
‒ Obteve mais de 180 milhões de eutos em financiamento
‒ Valor médio do financiamento inicial de startups: 201 mil dólares
‒ Crescimento do valor de financiamento inicial: 5,3;
‒ Tem 18 aceleradoras/ incubadoras;
‒ Disponibiliza 5 Fablabs;
‒ Nasceram 475 startups nas incubadoras em 2016;
‒ Apresenta mais de 40 espaços de coworking;
‒ Número de novos postos de trabalho nas incubadoras chegou a 3164, atingindo-se no total um conjunto de 5730 empregos em 2016;
‒ Criaram-se 700 empresas no segmento de alta tecnologia em 2014 e 2016;




Deixe um comentário

O seu email não será publicado