Correlação de dados promete segurança nos pagamentos

Os operadores confiam na conjugação de múltiplos factores de verificação, para garantirem a usabilidade segura de métodos digitais.

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Paulo Raposo (Mastercard) Paula Costa (Visa), Cláudia Sargento (Ntech), Teresa Mesquita (SIBS) e Sebastião Lancastre (Easypay)

O director-geral da Mastercard, Paulo Raposo, reiterou várias vezes durante uma sessão da conferência Cybersec, que o operador não acede a dados pessoais dos titulares de cartões de pagamento, apenas a elementos sobre as transacções financeiras, para garantir a segurança das mesmas. Mas conforme o segmento dos pagamentos electrónicos evolui para uma maior desmaterialização, o recurso a uma maior panóplia de factores de verificação com dados, tende a prevalecer.

Pelo menos foi o que sugeriu Paula Costa, directora-geral da Visa em Portugal, na mesma sessão. Sobretudo quando observou que nos métodos totalmente digitais há também mais dados disponíveis para garantir a segurança e mitigar os riscos inerentes ao meio digital.

A executiva aludiu à estratégia de segurança do operador para as transacções baseada na análise de informação para avaliação de risco (“risk based system”). Contudo os sistemas da empresa recorre a elementos com bastante especificidade: o conhecimento sobre o comerciante envolvido na transacção, o potencial de fraude associado, o dispositivo usado pelo titulara da conta, a coerência do seu comportamento, são exemplos.

O desafio dos fornecedores dos serviços de pagamento é particularmente definido pelo binómio segurança e usabilidade. Teresa Mesquita directora de gestão de produto na SIBS, não se esqueceu de referir isso e de ressalvar que sem valor acrescentado (ou usabilidade) uma solução perde interesse. Face às carências de literacia dos cidadãos na cibersegurança, a responsável defende que garantir a utilização segura está bastante do “lado” dos fornecedores.

A SIBS não deixa por exemplo de fazer a monitorização posterior das transacções, referiu. Contudo, acrescenta, é cada vez mais importante que as medidas não sejam “sentidas” e haja “simplificação”.

“As parcerias vão ser fundamentais para criar soluções”, antevê Paula Costa (Visa)

Até devido à emergência de clientes de novas gerações, menos disponíveis para requisitos de segurança, concorda Sebastião Lancastre, da Easypay. Para este responsável lidar com as exigências de dois grupos de clientes de gerações diferentes, uma mais velha e cautelosa,  será o grande desafio, a par do suporte aos “millenials” mais “nómadas”.

Mantendo o mesmo espírito de fintech, o CEO da empresa preferiu focar-se na necessidade de incutir e garantir “confiança”, para os consumidores experimentarem as plataformas. A par da analítica de dados, para efeitos de autenticação, o recurso à biometria parece ser uma dos caminhos a seguir sobretudo na Visa, Mastercard e SIBS.

Paula Costa, da Visa, referiu a importância das parcerias da empresa, com a Safran e Delta ID nesta área. “As parcerias vão ser fundamentais para criar soluções”, antevê. Paulo Raposo, responsável da última, lembra que este operador tem testado tecnologia de reconhecimento de impressão digital precisamente para garantir usabilidade, além de segurança.

A promoção de experiências com técnicas de reconhecimento de iris e facial, também faz parte da actividade da Mastercard, acrescentou. É um dos pilares do esforço da empresa para produzir novas soluções.

Outro é a utilização de tecnologia de “tokens”, para decompor dados de identificação em partes, evitando expor desnecessariamente números de cartões nas redes. Um terceiro refere-se garantia de uma boa experiência do consumidor nos múltiplos canais de interacção, que passa por agilizar os processos de litígio.

Raposo garante ainda que toda a informação sobre as transacções suportadas pela Mastercard, ficam na empresa. É usada para avaliar risco, “numa rede paralela”, e na detecção de operações potencialmente fraudulentas.

Novos regulamentos, mais desafios

Da sessão saiu a ideia reforçada de que os cartões tendem a desaparecer, com a renitência dos operadores “incumbentes” e entusiasmo do CEO da Easypay. Embora a Visa esteja a abrir a sua plataforma a soluções baseadas noutros dispositivos, e a SIBS, tal como a Mastercard explorem novas vias.

Sebastião Lancastre (Easypay) referiu-se à transposição da chamada directiva europeia das transferências instantâneas, como factor de desafios, enquanto Paulo Raposo (Mastercard) avisou que o regulamento PSD II vai “obrigar a grandes transformações”.




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