Mobi.Me da CEiiA suporta rede de scooters eléctricas partilhadas

Uma frota de 170 scooters eléctricas já chegou a Lisboa. O CEiiA, de Matosinhos, desenvolveu a aplicação e parte da tecnologia integrada nas scooters.

cooltraO serviço de aluguer de scooters eléctricas ao minuto, eCooltra Scootersharing, foi apresentado oficialmente esta semana. De acordo com os promotores, o projecto já foi implementado “com sucesso” em Barcelona e começa agora a funcionar em Roma, Madrid e na capital portuguesa. É a “primeira rede de scooters eléctricas partilhadas”, assinalam.

Em Lisboa, o serviço está a funcionar há cerca de dois meses, num regime de “passa-palavra”, embora ainda não tivesse sido divulgado, explicou André Dias, responsável de engenharia de sistemas no CEiiA, envolvido no desenvolvimento da plataforma de gestão integrada para a mobilidade, Mobi.Me, subjacente ao funcionamento da nova rede de “scootersharing”.

A Cooltra é uma empresa europeia de aluguer de scooters e este projecto representa um investimento de 750 mil euros, incluindo tecnologia desenvolvida pelo centro tecnológico especializado em aeronáutica, automação e mobilidade, em Matosinhos.

Para esta rede de “scootersharing”, as soluções desenvolvidas pela CEiiA incluem a parte tecnológica do veículo e uma “app”. A parceria entre a Cooltra e a CEiiA remonta à primeira etapa do projecto, em Barcelona.

A CEiiA desenvolveu a aplicação (disponível para iOS e Android) que agiliza e centraliza todas as operações desde a reserva, à utilização ou pagamento do serviço.

Na maior cidade da Catalunha, a frota começo a funcionar, em Março de 2016, com 250 unidades, sendo actualmente composta por 360 scooters. André Dias avança que está previsto “o aumento da frota para 500 unidades”.

A tecnologia a CEiiA inclui modelo de conectividade e controlo colocado na scooter, que está ligada à plataforma Mobi.Me, e através do qual é transmitida informação variada como a carga das baterias, a geo-localização, informação sobre se o capacete está ou não dentro da mala”. A CEiiA desenvolveu também a aplicação (disponível para iOS e Android) que agiliza e centraliza todas as operações desde a reserva, à utilização ou pagamento do serviço.

O suporte  tecnológico à geolocalização, comunicação e unidade lógica (computador de bordo) que regula o funcionamento das scooters eléctricas foi também desenvolvida em parceria com o CEiiA.

Para Lisboa, o objectivo da Cooltra é alcançar mais de 25 mil utilizadores, o que se traduz numa poupança de 70 toneladas de emissão de CO2 ainda este ano. Em Portugal, estão previstas 170 motociclos para o corrente ano, estando previsto ao alargamento da frota em 2018, avança Timo Buetefisch, CEO da Cooltra, em comunicado.

“As alterações de firmware só podem ser efectuadas localmente e nunca remotamente, sendo impossível a um hacker enviar o comando que faça a frota parar ou acelerar” (André Diogo, CEiiA).

André Dias avança ainda que em Madrid o número de veículos ascende a 280 e em Roma a 200.

O responsável de engenharia de sistemas da CEiiA, André Silva, explica que os veículos podem ser levantados ou deixados em qualquer lugar, desde que o estacionamento seja legal. Os motociclos têm uma autonomia de 45 quilómetros. Quando a bateria tem capacidade para menos de oito quilómetros, a scooter deixa de surgir como disponível na aplicação, dirigindo-se para o local equipas com o objectivo de trocar a bateria.

A aplicação foi desenvolvida a pensar em segurança “by design”. “As alterações de firmware só podem ser efectuadas localmente e nunca remotamente, sendo impossível a um hacker enviar o comando que faça a frota parar ou acelerar”, explicou André Diogo. As comunicações são feitas através da rede 3G, mas estão cifradas, explicou ainda.

No âmbito da plataforma Mobi.Me, a CEiiA está ainda envolvido noutros projectos, uma vez que visa a promoção da sustentabilidade e eficiência dos transportes, incluindo redes de bicicletas partilhadas, “carsharing” ou integração inteligente de transportes públicos. Entre outros projectos, a Mobi.Me, que “representou um investimento avultado” está também a ser utilizada numa frota de automóveis de uma empresa pública no Brasil e numa frota de cerca de 30 veículos eléctricos da Câmara de Lisboa.

A Mobi.Me foi também a plataforma escolhida por Cascais para o projecto Mobi Cascais que inclui inclui 1 200 bicicletas, cinco linhas de autocarros de apoio e mais de 21 mil lugares de estacionamento. A plataforma está também integrada na rede de carregamento de automóveis eléctricos Mobi-E. “O investimento numa plataforma robusta foi elevado, mas pode agora ser integrado com múltiplas soluções de mobilidade sustentável”, assevera.

Como funciona?

Os utilizadores tornam-se proprietários de uma das scooters eléctricas, durante alguns minutos. Se portadores de carta de condução de automóvel, podem recolher e deixar a scooter em qualquer lugar (sistema “free float”). Para o efeito basta descarregar e fazer o registo na app oficial (eCooltra Scootersharing), que obriga à associação de um cartão de crédito. a partir desse momento, pode geolocalizar a scooter mais próxima e escolher a que pretende reservar por 24 cêntimos por minuto. Após a “reserva, a eCooltra oferece 15 minutos para chegar até à scooter e iniciar a viagem ou cancelar a reserva sem nenhum custo adicional”.

O utilizador desbloqueia então o assento para retirar o capacete e a mota liga-se através da mesma app. A app é também utilizada para desligar a scooter, sendo então debitado, automaticamente, o montante necessário no cartão de crédito. O serviço contempla ainda um seguro com franquia para danos no veículo e a terceiros.



  1. Preço que deixa MUITO a desejar quando em Madrid, por exemplo, a eMov cobra 0,19 Eur / minuto e falamos de carros e não motorizadas.

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