Governo quer requalificar 18 mil pessoas para as TIC

Objectivo faz parte da iniciativa nacional Competências Digitais e.2030 a qual prevê a certificação de dez mil quadros médios e superiores em tecnologias.

rhO Governo lançou esta segunda-feira a iniciativa nacional Competências Digitais e.2030, Portugal INCoDe.2030 com a qual tenciona requalificar até 2020, 18 mil pessoas diplomadas, para serem profissionais de TIC. Serão sobretudo da área das ciências, tecnologias, engenharias e matemáticas, com cursos de fraca empregabilidade.

Cerca de dez mil dos indivíduos abrangidos pelo programa no geral (que tem outras linhas de intervenção) deverão ser certificados em tecnologias propostas pela Microsoft, Cisco e Samsung, entre outros fabricantes. Na Administração Pública, o plano envolve ainda a formação de Chief Data Officers.

No tecido empresarial o Governo quer que 20% das PME em Portugal sejam de “elevada intensidade digital”, durante 2020, e que 1% das suas despesas seja em investigação e desenvolvimento (em função do PIB), fruto do plano também enquadrado na iniciativa Industria 4.0.

O programa concebido para colocar Portugal na liderança das competências digitais, na Europa, tem cinco eixos de acção abrangendo as áreas da inclusão, educação, qualificação profissional, especialização e investigação científica, até 2030. O Governo pretende ainda que daqui a três anos, 60% dos cidadãos portugueses sejam capazes de utilizar serviços públicos online, uma das áreas que penaliza fortemente o país no índice de digitalidade.

Durante a apresentação da iniciativa, o coordenador técnico do INCoDe.2030, Pedro Guedes de Oliveira, invocou o grau “surpreendente” de “possibilidade de sucesso” de empresas criadas em ligação com instituições de ensino portuguesas, para dizer que pretende partir dessa “base sólida”. O responsável quer usá-la para dar coerência ao programa, eficácia no investimento e evitar redundâncias.

Célia Reis (Altran) lembra que as multinacionais quando equacionam investir num país consideram a disponibilidade de recursos humanos, mas também a capacidade desse corpo de mão de obra adaptar-se às necessidades da organização.

Pedro Dominguinhos, presidente do Instituto Politécnico de Setúbal, também envolvido na coordenação do programa, acredita que este reforça os estímulos para a “co-criação entre empresas e Ensino Superior”. Incrementa também a capacidade empreendedora, acrescentou.

Célia Reis, directora -geral da Altran Portugal considerou que o plano cobre muitos dos “pedidos” do sector das TIC ao Governo. Elogiou o interesse do Executivo em fazer de Portugal uma plataforma tecnológica para a Europa.

Mas ressalvou que importa colocar o território “como país de valor acrescentado e não de baixo preço”. Para isso não interessa ter só recursos humanos qualificados e especializados, mas estes têm de ser em número suficiente.

Célia Reis lembra que as multinacionais quando equacionam investir num país, consideram a disponibilidade de recursos humanos, mas também a capacidade desse corpo de mão de obra adaptar-se às necessidades da organização. Neste ponto chama a atenção para o papel que a academia pode ter para salvaguardar essa capacidade, através das suas acções de investigação e desenvolvimento.

Domingos Guimarães, CEO da Academia de Código confirmou a importância do tema para atrair investimento. Às multinacionais, a responsável da Altran sugeriu ainda que assumam o papel de “veículos” para levar as startups aos clientes que mantêm.

Vasco Pedro (Unbabel) acredita que a iniciativa apresentada pode ser uma oportunidade de criar em Portugal um centro de competências em aprendizagem automática e inteligência artificial

O executivo da Academia procurou desafiar ainda os 130 mil portugueses com curso superior, mas sem emprego, a investir na formação das suas competências em TIC. Haverá perto 15 mil vagas de emprego em Portugal por volta de 2020 e 500 mil na Europa, lembrou.

Já o CEO da Unbabel, Vasco Pedro, acredita que a iniciativa apresentada pode ser uma oportunidade de criar em Portugal um centro de competências em aprendizagem automática e inteligência artificial. Existe massa crítica de profissionais que se estão a aplicar na área e esta produzirá bons frutos se receber investimento, vincou.

Este executivo destacou por outro lado a importância de as startups terem acesso em Portugal, profissionais com experiência internacional em fazer crescer empresas. E enquanto Célia diz que a Altran, como fornecedor com centro de competências em Portugal pode ajudar a trazer de volta engenheiro portugueses emigrados, Paula Costa Gomes diz que a BLIP, já o está a fazer.

A directora desta empresa, com uma base no Porto, espera que o novo programa possa ser um decalque da parceria mantida entre a organização e o ISEP para a formação de 100 pessoas em nove meses.

O Primeiro-Ministro encerrou a apresentação do programa alertando que o primeiro desafio do mesmo é o de cidadania. Trata-se de promover a inclusão das pessoas na sociedade digital com objectivos económicos, mas também salvaguardar o funcionamento da democracia, conforme o debate político vai passando para a esfera digital.

Programa inclui observatório e fórum permanente

A direcção-geral de estatísticas da educação e ciência (DGEEC) vai desenvolver um “Observatório para as Competências Digitais” em colaboração com o Instituto Nacional de Estatísticas (INE), para fazer o acompanhamento e reporte do desenvolvimento do programa.
A organização do programa pressupõe ainda um Fórum Permanente para as Competências Digitais,“cujo objetivo é dinamizar e articular um leque alargado de atores sociais e garantir uma ampla mobilização para a iniciativa”. As suas actividades serão dinamizadas pelo secretariado técnico (referido abaixo) e terá como primeiro presidente Rogério Carapuça, presidente da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações (APDC).




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