Sugestões para fortalecer o cluster Lisboa Robotics

Enfoque em equipamento de valor prático para as pessoas e desenvolvimento comum de tecnologias passíveis de adaptação, são duas das ideias sugeridas por Karen Kharmandarian, gestor de um fundo focado no segmento da robótica.

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Karen Kharmandarian, gestor de fundos da Pictet Assoet Management

Apesar das suas funções na Picktet Asset Management, Karen Kharmandarian não conhece nenhuma empresa portuguesa da área da robótica. Cordial, o gestor de um fundo de activos, nesse segmento, justifica a falha dizendo que está mais atento a organizações cotadas em bolsa.

Mas em breves declarações explica como o recém-criado cluster Lisboa Robotics poderá ganhar maior visibilidade e força, tendo em conta as suas fraquezas. Silicon Valley é o “ecossistema” de inovação mais conhecido do responsável da gestora de activos, parceira do Banco Best.

Naquele, a existência de recursos humanos com talento permite uma “fertilização cruzada” entre empresas e com impacto positivo da partilha de conhecimento, também alimentada pela rotatividade de recursos humanos entre organizações. Por isso, a atracção de trabalhadores com competências e criatividade será um dos factores principais do sucesso do cluster.

“Mas, claro, é fundamental a combinação das iniciativas de investigação de desenvolvimento de empresas com as de universidades”, as quais também serão uma fonte natural de talento. Um elemento chave para Kharmandarian é ter um laboratório muito bem reconhecido em robótica ou inteligência artificial.

Para o gestor de fundos, outro factor será que o esforço de desenvolvimento, da oferta do cluster, seja capaz de disponibilizar valor prático às pessoas. Em vez de montar projectos com objectivos estratosféricos, “pouco recomendáveis“ para empresas carentes de recursos.

Tema da cooperação entre as empresas do cluster pode ser enganador e aquela tem de ser baseada na confiança, com definição sobre o que propriedade intelectual de cada a empresa, alerta o gestor de activos.

“Envolve um enfoque maior em tecnologias que já se detém para fornecer produtos de boa utilidade prática”, reforça. Pouco adianta colocar no mercado tecnologias sem ter em conta o valor custo das vantagens oferecidas.

Partindo de uma das fraquezas identificadas na análise SWOT feita sobre o cluster, a fraca colaboração entre empresas, o gestor alerta que este assunto pode ser enganador. “A cooperação tem de ser baseada na confiança, com definição sobre o que propriedade intelectual de cada a empresas, de maneira a defender a confidencialidade e vantagem competitiva de uma organização face à concorrência”, refere o gestor.

Mas pode ser mais interessante colocar em comum alguns recursos, para atingir um objectivo partilhado, benéfico para e empresas em áreas diferentes. A intenção da partilha é baixar custos de recursos para o desenvolvimento de tecnologia capaz de ser adaptada, nas áreas diferentes em que evoluem as empresas. Este modelo pode evitar mais os problemas de confidencialidade e propriedade intelectual, estima.

Mesmo estando envolvido o apoio da Câmara Municipal, o gestor questiona se deverá ser esta entidade a definir regras de governação de um grupo formado por organizações de empresas privadas.

“Talvez seja útil delegar isso a pessoas capazes de gerir isso de uma forma orientada ao negócio”, considera o responsável de investimento. Um conselho de governação, para criar as suas próprias regras mesmo com supervisão “distanciada”.

Mantém-se um ciclo de evolução do mercado de financiamento para a robótica, em que  as startups muitas vezes nem chegam a recorrer à bolsa para obter financiamento.

Kharmandarian considera que na área da robótica está a ser particularmente fácil obter financiamento, desde que o plano de negócios faça sentido. “Cá em Portugal não sei, mas talvez seja interessante abrir o cluster a redes de investidores internacionais”, sugere.

A presença em plataformas online dedicadas, nas quais é possível apresentar os projectos, a empresas de capital de risco envolvidas, por exemplo, talvez possa ajudar a resolver dificuldades de obtenção de financiamento.

Mantém-se um ciclo de evolução do mercado de financiamento para a robótica, em que as startups muitas vezes nem chegam a recorrer à bolsa para obter financiamento. A gestora de activos acompanhou várias empresas interessantes, mas segundo o responsável em 18 meses apenas três ou quatro chegaram à bolsa.

A maioria obteve antes financiamento de capitais de risco e outros fundos, “em quantidade exagerada”, considera. O gestor diz que se trata de um ciclo, findo o qual as startups deverão voltar a recorrer à bolsa.

Visão de máquina será elemento crucial de diferenciação
A inteligência artificial atravessa praticamente todas as áreas de diferenciação para empresas a desenvolverem produtos de robótica. Mas Karen Kharmandarian ainda individualizou a aprendizagem automática, a área da interacção homem/máquina e sublinhou a importância da visão de máquina. Outra área de diferenciação será o dos sistemas de linguagem natural, na qual sobressai o reconhecimento e compreensão de discurso.

Contudo as capacidades de reconhecer e processar estímulos visuais serão crucial para a robótica expandir-se além dos ambientes do de chão de fábrica e equipar dispositivos, como os drones e automóveis de auto-condução. Trata-se de preparar os equipamentos para ganharem ainda maior independência ao obterem maiores capacidades de leitura da realidade circundante.

Kharmandarian considera que a circulação vulgar de carros auto- conduzidos surgirá nos próximos, com os principais fabricantes a alimentarem planos para lançar veículos entre 2018 e 2021. O optimismo do gestor pode ser enquadrado no facto de a Pictet ter investiudo na Mobileye, empresa que desenvolveu um sistema de auto-condução para a Tesla, e que foi comprada recentemente pela Intel.

Talvez por isso, o responsável é peremptório ao afirmar que as principais barreiras à autocondução deixaram de ser tecnológicas. Serão de carácter regulatório ou terão a ver com reacções adversas e de disputa de condutores no trânsito. O potencial dos automóveis com auto-condução para as TIC é marcado pelo enorme volume de dados produzido pelos múltiplos sistemas que os equipam. Estimativas apontam por 400o GB por dia .

E por isso, Kharmandarian não estranha que a “edge computing” esteja a obter cada vez maior atenção.




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