Protecção de dados deve evoluir na estratégia de informação

A conjugação das duas pode levar a boas oportunidades, considera Bruno Horta Soares, da IDC. A CNPD apresenta na próxima sexta-feira recomendações para a conformidade

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Bruno Horta Soares, consultor sénior da IDC.

O novo regulamento geral de protecção de dados pessoais irá dominar o investimento em matéria de segurança e privacidade dos dados, segundo a IDC Portugal, no próximo ano e meio. A Comissão Nacional de Protecção de Dados (CNPD) conta disponibilizar na próxima sexta-feira (27 de Janeiro) uma lista de dez passos principais e medidas genéricas para preparar a conformidade com o quadro regulamentar.

A iniciativa antecipa o Dia Europeu a Protecção de dados, celebrado a 28 de Janeiro. Em 2018, três quartos dos CIO das 500 maiores organizações portuguesas, especialmente aquelas vocacionadas para o consumidor final, terão no topo da sua agenda a segurança e a privacidade dos dados, avançou Gabriel Coimbra, director-geral da IDC, durante a conferência FutureScape 2017.

“Se nós conseguirmos que as organizações entendam que a privacidade é um requisito da qualidade da informação, mas que o centro, o activo no qual têm de estar concentrados são as estratégias para a informação, nós conseguiremos tornar isto numa oportunidade”, considera Bruno Horta Soares consultor sénior da IDC.

Trata-se de monetizar a transformação entendendo a “privacidade” como um atributo, a partir de uma reflexão sobre o seu modelo de maturidade e percebendo quais são as estratégias que têm para a informação. “Se este momento for aproveitado não só para se estar em conformidade, mas também questionar a transformação, consideramos que as organizações podem aproveitar para fazer a tal transição da visão tecnológica para a visão transaccional”, explica.

Para Horta Soares a nova directiva “é essencialmente uma mudança administrativa que muda o paradigma de como é que o sistema garante os direitos das pessoas sobre a informação”.

Será “fantástico”, defende, se as organizações virem o regulamento como uma oportunidade de explorar o mercado único digital, uma maneira de entenderem a informação como uma forma de ganharem escala em novos mercados

Há países “um bocadinho mais atrasados” nos seus modelos, “nomeadamente Portugal que tinha um modelo muito mais preventivo, em vez de detecção sobre estes temas”. “A alteração é sobretudo de maior responsabilização e de tentar dar outras ferramentas que protejam o utilizador naquilo que é o tratamento que está a ser feito dos seus dados”, insiste.

Será “fantástico”, defende, se as organizações virem o regulamento como uma oportunidade de explorar o mercado único digital, uma maneira de entenderem a informação como uma forma de ganharem escala em novos mercados.

A CNPD vai também transformar-se, porque este tipo de modelo que é muito mais de supervisão, requer que estas organizações ganhem muito mais dinamismo, consigam estabelecer parcerias, inclusivamente com entidades que as ajudem a cumprir as suas missões, antevê Horta Soares.

“Até ao momento, ainda não houve nenhum sinal das entidades públicas de quais seriam as novas capacitações da CNPD”, considera.

Para o consultor “isso vai ser um sinal muito importante, porque se depois não há mecanismo de supervisão e de cumprimento judiciários, pode haver uma descredibilização da oportunidade.




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