Samsung culpa dois fabricantes por explosões do Note7

Defeitos de fabrico e desenho, da parte interna das baterias do dispositivos, obrigaram à recolha de três milhões smartphones da empresa, no ano passado.

 

samsung_bateria-note7_12_8-point-battery-safety-check_durability-test_compression-test-100705173-largeA Samsung apontou defeitos em baterias fornecidas por dois fabricantes como causa para o sobre-aquecimento das mesmas e até mesmo as explosões de alguns smartphones Galaxy Note7. O anúncio da empresa, um dia antes da divulgação de seus resultados do quarto trimestre, contou com especialistas da TUV Rheinland, Exponent e UL.

Estes intervenientes afirmaram que o fabrico e defeitos de projecto da parte interna das baterias, incluindo falta de fita isoladora em alguns casos, eram responsáveis pelos problemas. Não o desenho dos dispositivos móveis .

Os enrolamentos de eléctrodos negativos na bateria de um denominado “fabricante A”, primeiro fornecedor das baterias estavam em alguns casos danificados e dobrados. A bolsa de células não oferecia espaço suficiente para acomodar o conjunto da bateria, pormenorizou Kevin White, cientista principal da Exponent.

Havia sinais de curto-circuito interno em partes diferentes das células de cinco dos dispositivos danificados, disse Sajeev Jesudas, presidente da unidade de negócios de consumo da UL. O mesmo apontou para deformações dos cantos superiores das baterias, a falta fitas de isolamento nas abas, e o uso de separadores finos como alguns dos factores capazes de contribuir para um curto-circuito.

Depois dos primeiros incidentes, a Samsung optou por outro fornecedor, denominado “fabricante B.” Mas a soldadura em “algumas baterias acidentadas [desse fornecedor] estava suficientemente espessa para fazer contacto com o eléctrodo negativo,” aumentando a possibilidade de curto-circuitos e auto-aquecimento, assinalou White.

O futuro traz ainda mais desafios nesta área, já que os consumidores estão a exigir dispositivos mais finos, mas com vida útil mais longa, acrescentou Patrick Moorhead, presidente e analista da Moor Insights & Strategy.

A Samsung ainda recorreu à Amperex Technology, em Hong Kong, para fornecer baterias destinadas ao Note7 de substituição, depois de problemas com aquelas fornecidas pela afiliada Samsung SDI, informou o Wall Street Journal, citando pessoas familiarizadas com o assunto.

Mas acabou por recolher 96% dos cerca de três milhões de dispositivos “vendidos e activados”. Como alguns clientes não tinham devolvido os telefones à empresa, pediu ao operadores em alguns mercados como os EUA e Austrália, para desconectar os smartphones das redes.
Mais de 700 investigadores e engenheiros da Samsung testaram ao longo de vários meses, mais de 200 000 dispositivos Note7 e 30 mil baterias antes de chegarem às suas conclusões, diz a Samsung.

A recolha do smartphone Note7, foi um desastre financeiro e de relações públicas para a Samsung, que informou que a receita do terceiro trimestre da divisão de TI e comunicações móveis caiu 15% em relação ao mesmo período do ano passado, para 19,8 mil milhões de dólares. O lucro caiu 95%, como resultado da descontinuação da Note7.

A empresa está a introduzir algoritmos melhorados para gerir a temperatura de carregamento da bateria, a corrente de carga e a duração desta.

O futuro traz ainda mais desafios nesta área, já que os consumidores estão a exigir dispositivos mais finos, mas com vida útil mais longa, acrescentou Patrick Moorhead, presidente e analista da Moor Insights & Strategy. No curto prazo, podem surgir receios dos consumidores sobre baterias de iões de lítio depois de a Samsung fazer as últimas revelações.




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