TIC valem mais de 20% do negócio da Schneider Electric

João Rodrigues assume optimismo moderado para 2017 e não quer “chegar e mudar” a operação portuguesa, quando começou a dirigi-la.

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João Rodrigues, director-geral da Schneider Electric Portugal

Face à evolução dos projectos Indústria 4.0 no tecido empresarial português, o novo director-geral da Schneider Electric Portugal, João Rodrigues, quer maior comunicação entre as equipas focadas nas TI e na da indústria transformadora. Mas considera ter uma organização bem oleada.

A aposta nas infra-estruturas de datacenters tem correspondido às expectativas segundo o responsável, que aponta os sectores das telecomunicações e financeiro como aqueles onde nota maiores necessidades de investimento.

CW ‒ Quais são as vossas previsões de contratação para 2017?

João Rodrigues ‒ Nós contratamos conforme o desenvolvimento do negócio. Estamos moderamente optimistas e haverá necessidade de reforçar a equipa. Mas não sei dizer com quantas pessoas.

CW ‒ Quer dizer que a Schneider pode impulsionar mais o seu negócios de TI?

JR ‒ É-nos fundamental importante perceber o cliente final com um discurso adequado. Serão muito importantes para nós as telcos, os fornecedores de serviços de Internet, e o sector financeiro, que nos parece vão ter necessidade de investir.

É obrigatório ter uma mensagem de valor acrescentado e suporte ao nosso cliente.

CW ‒ Como está a correr a vossa aposta nos equipamentos para micro-datacenters?

JR ‒ Percebemos a necessidade de apostar nessa área. Muitas vezes esquecemos enquanto utilizadores que as infra-estruturas estão sob pressão com o crescimento da utilização de TIC.

E a computação de proximidade (“edge computing”) vai ser uma óptima ferramenta de complementaridade dos grandes centros de dados para garantir uma experiência adequada ao utilizador. As expectativas que criamos estão a cumprir-se e aparecem-nos oportunidades muito interessantes.

Seguimos a ideia de perceber qual é a melhor solução para cada cliente.

CW ‒ Quantos clientes já têm?

JR ‒ Temos várias oportunidades em estudo e manifestações de interesse por clientes de relevo.

CW ‒ PME ou grandes empresas?

JR ‒ De umas e de outras. Um micro-datacenter para uma startup é uma óptima solução, envolvendo investimento reduzido e expansível.

Para PME é também por isso muito adequada. Nas grandes empresas serve a necessidade de ter computação rápida e localizada, complementando a estratégia de virtualização e concentração.

joao-rodrigues_director-geral-da-schneider-electric-portugaliiCW ‒ Quais são as vossas prioridades na área de IoT?

JR ‒ Para nós é uma área duplamente interessante. Há muito tempo que os nossos equipamentos, de todas as nossas unidades de negócio, desde as UPS, têm a capacidade de diálogo com sistemas centralizados. Portanto alimentam esta vaga da IoT.

Além disso, as soluções de TI que desenhamos para os nossos clientes estão a ser pressionadas pelas previsões de produção descomunal de dados, por dispositivos e sensores de IoT.

Obviamente que a IoT está no centro das atenções. Os fornecedores de Internet são uma área de enfoque, com a transformação dos centros de dados.

O desenvolvimento de parceiros certificados é muito importante para nós, nesta linha. O suporte à base instalada é fundamental. Mas também queremos estar na área da industrial, com soluções de energia socorrida.

CW ‒ No âmbito da Indústria 4.0 quais vão ser as vossas principais linhas de acção?

JR ‒ Será fundamental para nós ouvir o cliente e compreender o seu processo industrial. Trata-se de ajudar a monitorizar e perceber o que funciona, mas também transformar os negócios.

As vagas da Industria 4.0 e IoT vão em muitos casos transformar as entidades. Já desenvolvemos conhecimento interno e empresas para servir os clientes, como a Invensys [ desenvolveu software de automação e controlo de processos industriais] no domínio do processo industrial.

CW ‒ Vai haver maior comunicação entre as vossas unidades de negócio de TI e indústria fabril?

JR ‒ Vamos implantá-la, claramente. Há uma convergência das tecnologias de informação (TI) com as de operação (TO), por todo o mundo.

CW ‒ O que pretende mudar além disso, agora que lidera a operação portuguesa?

JR ‒ Eu conheço a Schneider há 17 anos e não quero chegar [à liderança] e mudar [a operação]. Confio nos meus colaboradores e sei que temos uma organização muito bem oleada. Naturalmente que podem surgir mudanças.

CW ‒ Qual é o peso do negócio da Schneider em torno das TI?

JR ‒ Em Portugal é mais do que 20%, registo melhor do que nos outros países, e tem ganho importância.




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