5 tendências do retalho digital no próximo ano

As compras através do telemóvel vão aumentar, a roupa poderá ser experimentada através da realidade virtual e a socialização do comércio electrónico vai aumentar. Tudo indica que 2017 é um admirável mundo novo para o comércio na Internet.

cartao_ecommerce_Se as recentes Black Friday e a Cyber Monday podem servir de indicadores, então 2017 deverá ser um grande ano para o comércio electrónico. Apenas nos EUA, estima-se que os consumidores tenham feito compras na ordem dos 6,73 mil milhões de dólares (cerca de 6,48 mil milhões de euros) naqueles dois dias, superando recordes anteriores.

Os comerciantes tiraram partido quer das oportunidades irresistíveis quer de uma grande variedade de tecnologias e aplicações que ajudaram a alavancar as vendas na época.

Os analistas e observadores do comércio online antecipam cinco grandes tendências que se vão reforçar durante o próximo ano.

Comércio móvel

As vendas através de dispositivos móveis têm vindo a aumentar a um ritmo constante e 2017 promete. Os consumidores norte-americanos fizeram compras no valor de 2,4 mil milhões de dólares (perto de 2,31 mil milhões de euros) através de smartphones ou tablets nas últimas “Black Friday” e “Cyber Monday”.

Aplicações como a Apple Pay e a Android Pay facilitaram o processo de pagamento e recorde-se que, apenas a Paypal é responsável pela movimentação de mais de 14 mil milhões de dólares (13,47 mil milhões de euros) através de dispositivos móveis, assinala Matt Smith, fundador da Later. O responsável explica que os “consumidores estão mais tempo nos dispositivos móveis e que o tráfego de Internet móvel já ultrapassou o efectuado a partir de dispositivos fixos”. Além disso, as “redes sociais móveis (como o Instagram) e as pesquisas mais frequentes a partir desses dispositivos, vão obrigar as empresas de comércio electrónico a prestar mais atenção à mobilidade, caso pretendam estar entre os líderes”.

As mobile wallets simplificam os programas de fidelização e dão oportunidade de interagir com os consumidores onde quer que estejam.

Também a utilização de carteiras móveis, as mobile wallets, deverá crescer em 2017. São exemplo deste novo método de pagamento a CVS Pay e a Samsung Pay. De acordo com Don Hughes, CIO, da Kobie Marketing, “as mobile wallets simplificam os programas de fidelização e dão oportunidade de interagir com os consumidores onde quer que eles estejam. Os retalhistas podem inclusivamente utilizar essas aplicações para, em tempo real, disponibilizar cupões criados com base na localização dos consumidores, o que é uma excelente forma de surpreender e agradar os consumidores incentivando-os à compra”, afirma Hughes.

ecommerceComércio conversacional

Os chatbots tornaram-se conhecidos em 2016. Daniel Brzezinski, CMO e vice-presidente de Marketing e Desenvolvimento de Produto na GetResponse, recorda que “desde empresas tecnológicas como o Facebook ou a Microsoft a retalhistas como a Staples ou a J. Crew investiram nesta área. E é óbvio o porquê. Os chatbots são uma abordagem em tempo real e personalizada, com o cliente”, explica. “É o comércio conversacional” que, apesar de ser uma simulação, aparenta ser mais humano e autêntico do que a maioria das técnicas de marketing. O impacto dos “chats” em tempo real e dos “chatbots” será ainda maior em 2017, com a possibilidade de se efectuar transacções através destes canais.

Entretanto, o número de utilizadores activos mensais das aplicações de “messaging” ultrapassou o das redes sociais e, em 2017, espera-se que mais retalhistas online tirem partido da plataforma Messenger do Facebook para melhorar as experiências de compras online, antecipa Matt Smith. “Os “bots” vão mudar a forma como se fazem de comprar online, porque em vez de estarem limitados a procurar, os consumidores irão receber recomendações personalizadas baseadas no seu tamanho, histórico de encomendas ou preferências. Alguns sites já estão a enviar as confirmações de encomendas e outras informações através do Messenger em vez de utilizar o correio electrónico”, exemplifica Smith.

Compras sociais

“As redes sociais já influenciam o comportamento do consumidor, mas em 2017 vão evoluir para transacções directas”, prevê Bart Mroz, co-fundador e CEO da SUMO Heavy. Recentemente o “Instagram disponibilizou uma nova funcionalidade que permite às empresas “identificar” os produtos que apresentam nas fotografias que publicam (à semelhança do que os utilizadores já fazem com os seus amigos). Ao tocar nas descrições dos produtos, os utilizadores poderão ser encaminhados para o site da marca, ver mais informações e efectuar a compra”. Bart Mroz antecipa que, em 2017, mais plataformas sociais e marcas vão encontrar formas de levar as compras até aos utilizadores através das redes sociais.

e-commerceRepescagem personalizada

Actualmente a taxa de abandono do carrinho de compras online ronda os 75%, diz Brzezinski. Em ambiente móvel, a taxa é ainda maior, uma vez que a atenção dos utilizadores tende a ser inferior em ecrãs pequenos. No entanto, o tráfego relacionado com comércio electrónico é superior nos dispositivos móveis do que nos “desktops”. Tendo em conta o incremento do problema do abandono de carrinhos, os retalhistas estão a adoptar novas ferramentas para procurar contrariar essa perda de transacções. As técnicas de “retargeting” já não são novas. Em 2016, “os ‘marketeers’ enviaram mais mensagens de correio electrónico para tentar reunir os consumidores com os seus “carrinhos abandonados” do que anteriormente, utilizando mensagens mais personalizadas, as quais tiveram elevadas taxas de sucesso. Esta é outra tendência que deverá manter-se em 2017.

A Bellabox, distribuidora de produtos de beleza, utiliza a realidade virtual para proporcionar uma conversa virtual com as fundadoras da empresa

Retalho virtual

A realidade virtual (VR) está a mudar o panorama do retalho ao fazer a fusão entre os ambientes off-line e online, explica Paul Miller, CMO para as Americas da Xero. E exemplifica, através da realidade virtual, os compradores de roupa desportiva podem testar os equipamentos em ambientes nos quais poderiam ser utilizados ou experimentar as roupas num provador virtual. E vão surgir formas inovadoras de comunicação. Por exemplo, a Bellabox, distribuidora de produtos de beleza, utiliza a realidade virtual para proporcionar uma conversa virtual com as fundadoras da empresa. Apesar de ainda estar numa fase embrionária, o retalho poderá beneficiar, em 2017, desta tecnologia cada vez mais popular.




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