Políticas de confidencialidade levam Google a tribunal

Um ex-funcionário acusa a empresa de limitar a liberdade dos trabalhadores e de ocultar situações ilegais.

tribunal_id-2958335-courthammer-100601736-largeUm gestor de produto da Google está a processar a empresa. Em causa estão práticas, políticas e acordos de confidencialidade alegadamente ilegais que, entre outras coisas, proíbem os empregados de falar, mesmo internamente, sobre condutas ilegais ou defeitos perigosos nos produtos.

A organização teme o risco de que tais declarações poderem ser utilizadas em caso de litígio ou investigações governamentais. As alegadas políticas violam as leis da Califórnia, limitam a liberdade de expressão e incluem restrições ao contacto com entidades governamentais, advogados ou imprensa sobre o que está errado na Google.

Limitam inclusivamente “conversar com o cônjuge ou amigos sobre se o seu chefe poderia fazer um melhor trabalho”, diz a queixa apresentada na última terça-feira no Tribunal Superior da Califórnia. “As políticas proíbem também os “Googlers” de usar ou revelar todas as suas competências, conhecimento e experiência em geral adquirida na empresa quando trabalham para um novo empregador”, assinala a queixa.

A mesma alega que as políticas de confidencialidade da Google infringem o Código de Trabalho da Califórnia, e o interesse público do estado. Aponta ainda para a existência de uma “Equipa de Investigação Global”, na Google que recorre a “voluntários para denunciar outros colegas que possam ter divulgado qualquer informação” sobre a empresa.

No geral,  a queixa apresenta um quadro totalmente oposto à imagem glamorosa que se tem sobre as regalias e cultura empresarial da organização. Sob o programa “Stopleaks”, a Google também pede aos empregados para relatarem “coisas estranhas” como quando alguém coloca questões detalhadas sobre o projecto ou trabalho de um colaborador, acrescenta a queixa.

Os empregados também estão proibidos de escrever obras de ficção, como “a história de alguém que trabalha numa empresa tecnológica em Silicon Valley”, sem que a ideia ou o manuscrito final sejam aprovados pela Google, diz o queixoso.

As políticas aplicam-se tanto aos empregados actuais como aos antigos funcionários, limitando a concorrência, infringindo direitos constitucionais e bloqueando a denúncia de má conduta. Os empregados também estão proibidos de escrever obras de ficção, como “a história de alguém que trabalha numa empresa tecnológica em Silicon Valley”, sem que a ideia ou o manuscrito final sejam aprovados pela empresa.

A queixa refere que este caso não está relacionado com segredos de negócio, privacidade dos utilizadores ou informação que não possa ser legalmente divulgada. Diz sim respeito à utilização da confidencialidade e outras políticas com fins ilegais ou impróprios.

A IDG NS procurou contactar a Google, mas esta ainda não comentou o caso.


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