“70% do open source que partilhamos não é bom“

Durante a Web Summit 2016, o director da Google para open source, Chris Di Bona, quis colocar todos os programadores à vontade para partilharem código com a comunidade do código aberto.

chris-di-bona_google_1

Chris Di Bona, director da Google para open source

Todos os elementos de um painel sobre open source, na Web Summit 2016, concordaram com a importância de os programadores partilharem o software open source que desenvolvem, para ser escrutinado. Nenhum receio faz sentido disse Danese Cooper, responsável técnica da PayPal.

O director da Google para open source, Chris Di Bona, procurou colocar todos os programadores à vontade: “perto de 70% do software que partilhamos não é bom“. Não obstante, se os engenheiros lhe perguntam se devem partilhar qualquer software que produziram, ele aprova.

O próprio reconheceu que quando olha para software que desenvolveu há cerca de cinco anos, nota erros importantes. Para o executivo, o interesse da sua política é procurar manter o processo de produção e partilha em curso.

Um dia acaba por surgir software bom ou um projecto em que o software defeituoso é corrigido e aproveitado, acredita. Numa brincadeira, o director executivo da Linux Foundation, Jim Zemlin, agradeceu a produção de software defeituoso.

Mas de acordo com ele, já não é preciso convencer as organizações a usar open source. Apesar de algumas se preocuparem com o suporte jurídico para a utilização de código aberto, Zemlin avisa que não é preciso “um mandato”, mas apenas um manual.

Através da partilha, sugeriu, deve criar um ciclo de sustentabilidade no qual parte do valor reverta em prol da comunidade que o suporta, para esta poder produzir mais código e inovação.

E ainda lançou um alerta: dentro de cinco anos, 99% dos software nas empresas virá de fora de organizações e tornar-se-á importante saber como “colher” esse código produzido. “Na Google, o software open source oferece um terreno intermédio para começar a trabalhar num projecto”, revelou Di Bona recentemente na Web Summit.

jim-zemlin_-linux-foundation

Jim Zemlin, director-executivo da Linux Foundation

É uma forma de acelerar processos que demorariam demasiado, se a empresa optasse por pedir autorização para usar determinadas tecnologias protegidas por propriedade intelectual. O código aberto dá agilidade e esse é o seu verdadeiro poder dele aponta Zemlin.

Mas através da partilha, sugeriu, deve criar um ciclo de sustentabilidade no qual parte do valor reverta em prol da comunidade que o suporta, para esta poder produzir mais código e inovação. A apesar de tudo, uma dificuldade no open source tem sido manter o entusiasmo e empenho de programadores que mantêm o desenvolvimento de tecnologia de código aberto e dão suporte.

Danese Cooper considera que a solução tem de nascer nas comunidades: “é preciso que seja fixe ser um ‘maintainer’”. E Jim Zemlin, considera que a comunidade, incluindo agentes exteriores, tem conseguido já montar iniciativas especiais para manter alguns projectos actualizados.

Apesar disso, reforçou que os ciclos de sustentabilidade são a outra solução, por ventura melhor.

danese-cooper_-paypal

Danese Cooper, responsável técnica da Paypal

Quando lançar o código aberto para a comunidade?
“Desde que se possa desenvolver sobre o software lançado, este pode ser partilhado com a comunidade”, respondeu Danese Cooper a uma portuguesa da audiência (interessada em saber quando se deve disponibilizar o código aberto para os meios open source). Mas interessa explicar claramente o que se pretende desenvolver e estar receptivo a críticas.

A maior parte das pessoas que programam em modelo open source, fazem-no pelo “prazer da co-criação”, que tem sido essencial na inovação, diz Zemlin, para fundamentar o potencial de partilhar. “Antes que se torne uma coisa importante é bom que seja divertido”, sublinhou Chris Di Bona.




Deixe um comentário

O seu email não será publicado