Aposta em startups “não pode ser tecnocrata”

Na abertura do Pixels Camp, Cláudia Azevedo, presidente da Sonae IM, levantou várias hipóteses para não haver mais empresas portuguesas a exportarem tecnologia nacional.

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Cláudia Azevedo, presidente da Sonae IM

A presidente da Sonae IM, Cláudia Azevedo começou por arrefecer os ânimos de quem tem ilusões sobre a capacidade de exportação de TIC do país, no arranque do Pixels Camp. Depois procurou estimular a actividade dos jovens programadores e empreendedores presentes no evento.

No fim da sua intervenção, admitiu que muitos sua geração de gestores evidenciaram “aversão ao risco”, mas que isso reduziu-se “incrivelmente” na nova geração hoje a emergir. A atitude dos primeiros será umas das razões para o país não exportar mais TIC, que representam 1% das exportações(segundo dados da Pordata), em comparação com 8% na Finlândia e 25% em Israel.

Mas a executiva equacionou outras, como a falta de investimento. Em Portugal o investimento de capital de risco em fases iniciais de startups representa apenas 2,6% do PIB (dados da OCDE) recordou. E aquele referente a etapas posteriores ainda é menor: 0,2%. Este será um factor com influência particular e forte, apontou.

Também por isso defendeu que o estímulo ao investimento privado em startups “não pode ser tecnocrata”. O financiamento não tem de ser exclusivamente português, como condição de avançar. Basta que o valor acrescentado pela startup seja.

E não há problema em que o investimento, mesmo público, suporte a presença de uma empresa em Silicon Valley, exemplificou. É recomendável insistiu.

“Para as startups é muito difícil focar”, reconheceu Cláudia Azevedo (Sonae IM), “mas é única coisa que bate a escala”, de concorrentes maiores.

Cláudia Azevedo não acredita muito que falte escala a Portugal para ser exportador consistente de software. Mas partilhou uma recomendação de um investidor de capital de risco: um software deve estar focado em desenvolver um problema e não uma panóplia deles.

“Para as startups é muito difícil focar”, reconheceu, “mas é única coisa que bate a escala”, de concorrentes maiores. De outra perspectiva, considerou má prática que empreendedores exijam somas avultadas de investimento a potenciais parceiros, por haver o risco de o projecto atrasar-se nas dificuldades de um cenário já desfavorável.

Assim, desafiou os empreendedores a serem mais receptivos a experimentar a viabilidade de ideias e projectos, em parceria, com menos financiamento. “Há uma fase de calibração” sobre o potencial da oferta e por exemplo, a existência de um cliente ajuda a credibiliza-la, explicou.

Entre as carências da comunidade de startups e empreendedorismo nacional vincou falta de competências comerciais, de desenvolvimento de negócio e marketing. Mas reconheceu a existência de talento em engenharia e tecnologia.

A concluir afirmou que o empreendedorismo no país nunca esteve melhor, fundando-se na existência de 40 scaleups e de 24 prontas para o serem.

A Pixels Camps decorreu até ao Sábado passado, com 1020 programadores aprovados entre “1500 candidaturas”, revelou Celso Martinho, CEO da Bright Pixel, empresa da Sonae IMS. O evento teve 20 parceiros, a presença de 131 oradores, e 86 sessões de trabalho.




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