Comissão quer dar acesso à transformação digital com plataforma para Industria 4.0

Governo português prepara plano de medidas mais específicas que deverá estar pronto dentro de três a quatro semanas.

Uniao Europeia (DR)Uma plataforma agregadora de iniciativas nacionais para o desenvolvimento da chamada Industria 4.0 deverá ser lançada à escala da União europeia durante o primeiro semestre de 2017, anunciou esta semana, o comissário europeu para o mercado único digital, Günther Oettinger. No mesmo dia, o secretário de Estado da indústria João Vasconcelos confirmou que a definição das medidas mais específicas do Governo português está atrasada.

O conjunto deverá estar pronto dentro de “três a quatro semanas”, adiantou durante uma conferência para a promoção do mercado único digital. “Está a demorar mais porque estamos a desenvolver discussões dentro de cada sector para ajudar a decidir, justificou.

De acordo com o governante, o executivo deu prioridade aos sectores mais importantes para o PIB Nacional, mas alargou o seu trabalho ao sector financeiro com atenção à emergência das fintech, e também ao universo dos media e conteúdos. Perante responsáveis da Comissão Europeia, Vasconcelos baseou-se em visitas a núcleos de Industria 4.0 no Brasil e China para alertar que a União Europeia tem de avançar muito mais depressa neste âmbito.

“Demoramos muito tempo a tomar decisões”, criticou. Rematando a observação, declarou (apesar do reconhecido atraso): “queremos estar à vossa frente!”.

Portugal é um dos países da União que apresenta uma estrutura nacional vocacionada para a promoção e desenvolvimento da indústria portuguesas segundo os requisitos da Industria 4.0. Segundo Max Max Lemke, chefe de unidade de digitalização da Indústria, DG Connect (Comissão Europeia) programa português parece estar em linha com as iniciativas europeias.

Uma ideia adicional que servirá de inspiração pelos menos para a Comissão, é a de que o enquadramento regulatório não deverá constituir um entrave à evolução

E um dos propósitos principais da plataforma é ser mais do que uma soma dessas estruturas e de outras que serão constituídas e acrescentar valor. Antes, Günther Oettinger reconheceu a necessidade de direccionar mais investimento para os pólos portugueses existentes e focados no desenvolvimento das áreas da Industria 4.0.

Como Lemke sugeriu, o esforço da Comissão Europeia deverá promover a transposição de competências de engenharia para as áreas de desenvolvimento de tecnologias digitais, carentes daquele conhecimento segundo o responsável. E outra área em que a União Europeia precisa de dar maior atenção é a da plataformas de dados e analítica, na qual notou também insuficiências.

Uma ideia adicional que servirá de inspiração pelos menos para a Comissão, é a de que o enquadramento regulatório não deverá constituir um entrave à evolução. Assim, uma das componentes chave da missão da plataforma será canalizar inovação digital.

Isto é, garantir às indústrias dos países o acesso a tecnologia de transformação digital. No âmbito do programa Horizonte 2020, haverá 500 milhões de euros em financiamento para redes de hubs focados na Industria 4.0 lembrou Lemke.

Esse investimento insere-se num total de 50 mil milhões que a comissão quer canalizar, tanto em fundos privados como públicos. Mas estratégia da Comissão Europeia engloba o reforço da liderança que diz existir na Europa em tecnologias digitais através de parcerias publico-privadas, de plataformas digitais e projectos piloto em grande escala e ambientes de experimentação.

E a apesar da posição assumida sobre regulação, com a circulação gratuita de dados, não deixa de prever a necessidade de um enquadramento sobre a segurança de sistemas autónomos e para redes de IoT.

Vai ser necessário clarificar o enquadramento sobre o uso dos dados por robôs, dar previsibilidade e definir processos de responsabilização, sobretudo quanto aos sistemas com inteligência artificial, admite Günther Oettinger.

Oettinger estabeleceu que a cibersegurança será um factor-chave e referiu a importância de definir as bases legais sobre a propriedade dos dados, apesar do espírito sobre regulação assumido na estratégia. Trata-se de clarificar o enquadramento sobre o uso dos dados por robôs, dar previsibilidade e definir processos de responsabilização, sobretudo quanto aos sistemas com inteligência artificial.

Como é transversal às iniciativas inseridas no desenvolvimento do mercado único digital, mas na perspectiva da Indústria 4.0, a comissão considera prioritária a definição de normas tecnológicas em cinco áreas principais: 5G, cloud computing, IoT, analítica e cibersegurança. Mas Lemke ressalva que a Comissão pretende que o processo seja invertido, partindo antes das bases de utilização no terreno, para o topo.

O recurso a cloud computing tanto, com capacidades de computação de alto desempenho (HPC), como beneficiando também de tecnologia quântica é reconhecido como fundamental.  No quadro de áreas de coordenação definido, aparece também a da “preparação das pessoas”, envolvendo a formação e criação de competências.

Mas sendo uma daquelas onde se prevê maior impacto, decorrente do previsto incremento na automação de processos de produção, foi pouco aprofundada tanto por Lemke como por Oettinger.




Deixe um comentário

O seu email não será publicado