O papel das infra-estruturas físicas de suporte na evolução das TI

Será de extrema importância que as respostas sobre o funcionamento da TIC sejam obtidas atempadamente, sob risco de as intervenções acontecerem tarde demais, avisa
Nuno Morais Felício, engenheiro de projectos de infra-estrutura, na Cilnet.

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Nuno Morais Felício, engenheiro de projectos de infra-estrutura, na Cilnet

As tecnologias de comunicações e sistemas de informação (TIC) assumem atualmente um papel bastante importante no funcionamento das organizações. Com a tendência para a total digitalização dos processos internos e de  relacionamento externo das organizações, quase toda a atividade é suportada por estes dois sistemas.

Sabemos que existe uma grande preocupação por parte dos gestores de sistemas informáticos no que toca à disponibilidade do sistema, havendo a necessidade de implementação em muitas das vezes de sistemas redundantes ou de backup para prevenir eventuais falhas que possam surgir
em parte do sistema.

Neste contexto existe uma área de extrema importância: a das infraestruturas físicas de suporte a estes sistemas. Estamos a falar de cablagem de comunicações (vulgarmente constituída por cablagens de pares de cobre e fibras ópticas), alimentação elétrica (quadros elétricos, UPS, grupos geradores), arrefecimento de ar envolvente AVAC (“close-control”, “in-row”).

Outra componente mais passiva, mas com relevante importância para a integridade dos sistemas, são os locais físicos (vulgo salas técnicas e centros de dados – “datacenter”) e sistemas auxiliares de segurança física (controle de acessos, deteção e extinção de incêndio, videovigilância).

Conjugando todos estes sistemas, podemos considerar que teremos as condições ideais para ter um sistema TIC a funcionar. Mas para se ter a certeza que está a funcionar nas melhores condições, para que transmita confiança e segurança, teremos que ter presente a recolha de informação
sobre o seu estado de funcionamento.

Existem perguntas para as quais a resposta é importante, a saber:

‒ Qual o consumo de energia global dos sistemas e a reserva que temos
disponível?

‒ Qual a carga das UPS?

‒ As UPS têm algum alarme?

‒ Há energia na rede normal?

‒ Falhou o fornecimento da energia da rede normal. Qual a autonomia que temos nas UPS? Caso tenhamos grupo gerador, ele arrancou normalmente?

‒ Qual a temperatura dentro da sala?

‒ Existe um aumento anormal de temperatura. Está tudo bem com os sistemas de AVAC?

‒ Existe um alarme de incêndio na sala. É real ou falso alarme?

‒ Houve um acesso não autorizado na sala. Conseguimos identificar o indivíduo?

Será de extrema importância que as respostas sejam obtidas atempadamente. Caso contrário, corremos o risco de a nossa intervenção acontecer tarde demais para precaver interrupções e/ou mesmo incidentes sobre os sistemas.

Quando isso acontece, grande parte da redundância dos nossos sistemas de TIC são ineficazes por falta deste suporte básico da infraestrutura física. Um sistema de monitorização de TIC precisa de ser auxiliado e complementado por sistemas de monitorização de infraestruturas, por forma a se poder fazer uma monitorização global do sistema e olhar para todos com a mesma importância.

A falha de uma parte pode colocar em questão o funcionamento de todo o sistema. No estudo e concepção de um sistema TIC, quando chegamos à parte da gestão e monitorização dos sistemas, precisamos de considerar ferramentas capazes de olhar pela nossa infraestrutura e de poder antecipar problemas.

Existem bons exemplos de ferramentas para conseguirmos centralizar e correlacionar a informação sobre o estado e alarmes da infraestrutura física de um datacenter, ou mesmo de uma pequena sala técnica remota, tendo a capacidade de ação sobre os equipamentos (caso eles permitam) através da nossa infraestrutura de comunicações. À semelhança do típico exemplo da estrada e do carro, muito pouco nos vale ter um bom “carro” se a “estrada” tem perigos não sinalizados e/ou de difícil deteção.

A tecnologia está disponível sendo expectável o aparecimento de novas soluções baseados em IoT. Cabe-nos, portanto, aproveitar e aplicar esta tecnologia que está disponível para nos ajudar a garantir a fiabilidade e a disponibilidade dos sistemas TIC.


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