Infraestruturas, pessoas e custos marcam a competitividade de Portugal no outsourcing

Mas continua a faltar uma estratégia concertada para posicionar o país como destino preferencial para operações de nearshoring, considera Carlos Coutinho Silva, CEO da Cleverti.

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Carlos Coutinho Silva, CEO da Cleverti

O estudo “Portugal como destino de outsourcing nearshore”, realizado em conjunto pela Secção Portugal Outsourcing, da APDC, e pela NOVA School of Business & Economics, com base em indicadores de vários organismos internacionais independentes, conclui que Portugal é extremamente competitivo em três pólos fundamentais: infraestruturas, competências dos recursos humanos e custos operacionais.

Nas infraestruturas, comparativamente com outros seis países – Espanha, Hungria, Irlanda, República Checa, Roménia e Polónia -, o nosso país lidera em quatro dos sete itens analisados, designadamente na qualidade das infraestruturas em geral e, nas comunicações, da banda larga em particular.

No que se refere às competências dos RH nacionais, a performance é assinalável: Portugal lidera na qualidade dos seus cientistas e engenheiros, nas competências em línguas estrangeiras, nos centros de pesquisa e no investimento público em educação. O nosso país surge também muito bem posicionado nos rankings de trabalhos científicos com milhares de publicações.

No pólo dos “Custos”, Portugal é o segundo melhor em termos de custo do trabalho/ hora, logo a seguir à Hungria, e o primeiro no custo/benefício. Em telecomunicações é o terceiro e quarto no custo de vida.

Mesmo para além deste estudo, Portugal tem vindo a ser reconhecido por ter infraestruturas avançadas, talento, flexibilidade laboral, condições económicas, incentivos ao investimento e baixos custos. Para os mercados do centro e norte da Europa, Portugal apresenta também outras vantagens, quando comparado com alguns destinos mais tradicionais de operações em nearshoring, que passam pela ética de negócio comum e pela atratividade do país em termos de qualidade de vida, estabilidade política e social e segurança.

Um aspeto não menos importante, prende-se com o acesso privilegiado aos mercados de África e da América Latina a partir de Portugal.

A aposta no nearshoring

O outsourcing, de uma forma geral, permite delegar funções a fornecedores que, à partida têm níveis de capacidade que muitas vezes pode nem fazer sentido ter internamente. As organizações que recorrem a este modelo têm acesso a especialistas, ferramentas, metodologias e processos que internamente não existirão na mesma quantidade e/ou com o mesmo grau de maturidade.

O outsourcing também permite aumentar a cobertura de algumas áreas (por exemplo dos testes) e focar as equipas internas no seu próprio negócio. O nearshoring – ou outsourcing para países adjacentes ou próximos – combina o melhor de dois mundos: acesso a recursos especializados com um custo inferior aos praticados no país de origem com baixo impacto em termos de fuso horário e comunicação devido à proximidade física e cultural.

Embora com desafios relevantes pela frente, Portugal é cada vez mais uma opção de primeira linha para a instalação de centros de competência neste modelo, onde nós já atuamos há alguns anos com sucesso, disponibilizando uma oferta de serviços tecnológicos que acompanha todo o ciclo de vida do software. Os nossos centros de competência operam a partir das nossas instalações em Lisboa e prestam serviços ao nível do desenvolvimento de software, QA e testing e suporte aplicacional a clientes de diversos mercados, incluindo Alemanha, Bélgica, Noruega, Suécia e Suíça.

Não obstante, o sentimento é que as empresas a operar em nearshoring têm de lutar muito isoladas para se conseguirem afirmar. Continua a faltar uma estratégia concertada para posicionar Portugal como destino preferencial para estas operações.

A conversão dos negócios tradicionais em negócios digitais, com as ferramentas digitais a invadir o ambiente de negócios, está a provocar mudanças significativas na forma como trabalhamos e comunicamos, dando origem a novas oportunidades e desafios também nesta área. Por outro lado, o maior foco no cliente e na qualidade dos produtos, a necessidade de disponibilizar aplicações de forma mais rápida e num número crescente de plataformas em simultâneo, são desafios para as organizações em geral e oportunidades para os fornecedores nesta área, que podem ajudar os seus clientes a agilizar os processos de TI, aumentar a produtividade, acelerar o delivery de aplicações e garantir a sua elevada qualidade, mantendo os custos controlados.

O caminho para um maior sucesso nacional passa por um investimento no desenvolvimento deste tipo de serviços, criando organizações robustas e bem estruturadas, e apostando fortemente na formação de recursos técnicos, para que Portugal e os players Portugueses se possam afirmar globalmente como “potências” do nearshore.




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