WeDo prepara aquisição para breve

Além de estar em processo de negociações, a empresa deverá abrir uma operação directa na Ásia durante o segundo semestre de 2016, revela Rui Paiva, CEO da organização.

Rui Paiva, CEO da WeDo

Rui Paiva, CEO da WeDo

A lidar com o desinvestimento no sector da telecomunicações, a WeDo procura aplicar várias receitas para crescer. Uma delas é a aquisição de concorrentes e poderá anunciar dentro de semanas a compra de uma empresa no seu segmento, revela Rui Paiva.

Isso servirá também para dar credibilidade à saúde da empresa, que apesar de ter facturado em 2015 praticamente o mesmo do que em 2014, manteve margens de rentabilidade, garante o CEO. O evento World Wide User group & Summit a decorrer até sexta-feira em Lisboa, tem como objectivo passar essa mensagem e mostrar como a empresa está a apostar na analítica.

Mas a evolução para vários objectivos estão mais “lentos” do que o previsto. A expansão para além do sector da telecomunicações, por exemplo.

Computerworld ‒ Qual é a mensagem mais importante que a WeDo pretende passar aos seus clientes, neste evento?

Rui Paiva ‒ A principal é de credibilidade. A nossa rentabilidade demonstra que estaremos cá nos próximos anos. Há muitas empresas deste segmento a nascerem e a desaparecerem muito rapidamente.

Somos uma empresa que investe em desenvolvimento, mas nunca tivemos um ano negativo. Adjacente a isso, o objectivo é mostrar como pretendemos evoluir e onde vamos investir.

CW ‒ E isso é o quê?

RP ‒ Continuar a investir no desenvolvimento do produto, nas telecomunicações mas também nas outras áreas de negócio. Queremos avançar no espaço analítico, porque não tínhamos muito [para oferecer aí] e como trabalhamos os dados, pretendemos ter uma oferta de analítica.
E queremos revelar também que vamos continuar o processo de aquisições.

CW ‒ Ainda este ano?

RP ‒ Se tudo correr bem, nos próximos dias ou semanas devemos anunciar uma compra internacional. É um processo difícil. Por exemplo, duas, com as quais chegámos a acordo quanto ao preço, não puderam ser compradas, por dificuldades envolvendo fundos investidos por países e a saída de bolsa.

CW ‒ Mas este está bem encaminhado?

RP ‒ Acho que sim. É com uma empresa presente em três países nos quais os processos são mais fáceis: EUA, Inglaterra e Suécia.

CW ‒ Como é que aquisição prevista serve a vossa estratégia?

RP ‒ Pertencem a uma empresa muito maior, constituindo uma área de negócio da mesma.

CW ‒ Mas o que acrescenta à WeDo, por exemplo em termos de tecnologia?

RP ‒ Acrescenta sobretudo clientes. Eles são nossos concorrentes e têm uma coisa ou outra melhor do que nós.

Mas a compra faz parte da estratégia da Sonae IM, que tem uma área de aquisições, focada em comprar empresas para o grupo ou para fundir com as existentes. Organizações de áreas em que queremos estar, mas sempre com base no retalho ou nas telco. Um exemplo foi a compra da Sysvalue.

CW ‒ Tinha previsto que a próxima compra seria na Ásia (onde a empresa tem escritórios em Singapura e Malásia).

RP ‒ Ainda não conseguimos, mas vamos abrir mais escritórios na região.

CW ‒ É um modelo diferente daquele que tinham pensado, não é?

RP ‒ Sim, falhámos a aquisição e agora vamos estar directamente.

CW ‒ Com maior risco…

RP ‒ Sim, sempre que fizemos isso falhámos.

CW ‒ A Ásia é diferente?

RP ‒ Se tivermos aprendido com os erros, vamos fazer melhor. Nunca tivemos problemas em vender na Ásia. Para os clientes asiáticos nós somos vistos mais como europeus e eles valorizam o produto vindo da Europa.

Rui Paiva, CEO da WeDo 3CW ‒ Devem abrir a operação directa na Ásia quando?

RP ‒ De certeza, no segundo semestre e com responsável local (estrangeiro) em processo de contratação.

CW ‒ Há cerca de um ano a WeDo referiu a possibilidade de utilizar a plataforma Watson, numa eventual parceria com a IBM? Qual é ponto de situação desse projecto?

RP ‒ Ainda não fizemos nada. Não temos dinheiro para tudo e investimos no que é prioritário, no que nos pedem mais: sermos agnósticos face às bases de dados.

Estamos a preparar tudo para disponibilizar suporte para SQL, ainda este ano. E se possível, até final do ano para open source.

CW ‒ Um maior suporte a open source não seria mais urgente?

RP ‒ Na comunidade [de parceiros], mas depois os clientes corporativos querem ter contratos de manutenção e suporte. E no open source isso é difícil.

Além disso, estas empresas já têm contratos com a Microsoft e a Oracle, com licenciamentos globais sem custos adicionais se activarem alguma funcionalidades. Estamos a migrar a nossa tecnologia para corresponder ao que os operadores já usam.

Embora muitas empresas das outras áreas tenham começado com open source, estamos a avançar de acordo com aquilo que o mercado pede. Também estamos a testar a integração com as plataformas de Big Data. Já com pilotos em clientes.

Contudo, o Big Data tende a ser um pouco uma “buzzword”, bastante vasta. Estamos a verificar que os clientes estão mais interessados em aplicações exclusivas para serem executadas em cima de tecnologia que acelera a obtenção de informação.

E para isso lançámos a oferta modular Shape, com cinco “problemas” resolvidos, usando tecnologia agnóstica ao “data lake” subjacente. O primeiro conjunto foi vendido nos EUA e o primeiro módulo de previsão de “churn” já está a ser implantado

CW ‒ Como está a correr o negócio nesse mercado?

RP ‒ Bem. Estamos a fazer a transição [de conhecimento] dos responsáveis portugueses para os locais, porque estes farão crescer o negócio mais rapidamente, aproveitando os seus contactos.

O negócio no estrangeiro continua a representar 80% da facturação.

CW ‒ A empresa atingiu em 2015 a facturação pretendida (65 milhões de euros)?

RP ‒ Não. Facturámos praticamente o mesmo [59,3 milhões foi a facturação de 2015].

CW ‒ Quais foram os factores que levaram a isso?

RP ‒ O sector das telco, o mais importante para nós, arrefeceu, com a consequente retracção de investimento. Além disso, começaram a perder as margens e entrou-se em processo consolidação, já há três anos. “Desapareceram” muitos clientes assim, embora estejamos nos resultantes das fusões, mas menos vezes.

CW ‒ E qual é a vossa receita para fazer face a isso?

Rui Paiva, CEO da WeDo 4RP ‒ Nós proporcionávamos apenas o controlo de dois processos, de garantia de receitas e de controlo de fraude. E entretanto lançámos mais cinco que nos permitem crescer dentro de base instalada.

Para fazer mais em menos clientes. Fechamos com a Vodafone UK um negócio desses, recentemente, para o controlo de pagamento de comissões no canal indirecto.

Ainda temos o controlo de comissões, custo de contratos com terceiros, cobranças e margens de cliente.

CW ‒ Que balanço faz do processo de expansão da vossa actividade, para além do sector das telecomunicações?

RP ‒ Está muito lento. Chegámos à conclusão de que para fazer isso bem é  preciso ter um conjunto de pessoas que tenham a experiência nesses sectores. Temos poucas.

Estamos a estudar a melhor forma e estratégia. Pode ser a aquisição de uma empresa numa área destas e região específica.

Parece-nos, por exemplo, que haverá uma oportunidade enorme no sector da Saúde dos EUA. E já estamos a fazer provas de conceito em clientes. Se correr bem, vamos procurar comprar uma empresa para incorporar 30 ou 40 pessoas com competências de uma só vez.

Outra hipótese é criar uma empresa com os recursos que temos e contratar mais pessoas. Assim teríamos uma WeDo “mãe” com varias empresas focadas, nas utilities, saúde, entre outros.

CW ‒ O crescimento do negócio indirecto está mais lento do que o previsto também, não está?

RP ‒ Vale perto de 10% da facturação e a sua evolução está de facto lenta.  No indirecto para dar tracção ao negócio é preciso angariar primeiro os clientes, para depois convencer mais facilmente os parceiros a aderirem.

Para aumentar esta actividade, devíamos ter realizado mais negócio fora do sector das telcos e não o fizemos. Falhámos nisso. Precisamos de mais clientes.

 

*Actualizado com mais informação sobre a actividade actual e prevista da empresa na Ásia.




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