UE investe mil milhões de euros na computação quântica

O propósito é encontrar aplicações para as possibilidades “espectaculares” da tecnologia destacadas pelos investigadores.

computação quântica_wikipediaA Comissão Europeia tem previsto investir mil milhões de euros em computação quântica como parte  de uma estratégia abrangente para reforçar a competitividade da Europa na economia digital. O investimento será feito através do projecto Quantum Flagship, um programa similar a outros já existentes na UE dedicados ao grafeno e ao cérebro humano.

Espera-se que Quantum Flagship seja co-financiado por programas europeus de investigação e inovação. O objectivo é “colocar a Europa na vanguarda da segunda revolução quântica, ao ser capaz de fornecer os avanços transformadores em ciência, indústria e sociedade”, disse Nathalie Vandystadt, porta-voz da Comissão Europeia.

Com lançamento previsto para 2018, o projecto de computação quântica será objecto de análise na Conferência Europa Quantum a ser realizada em Amesterdão, no próximo mês.

Aquele tipo de processamento gera elevadas expectativas devido ao seu potencial para gerar benefícios de desempenho consideráveis. Os computadores de hoje têm como base transístores para processar bits de informação, como 0 ou 1 binário, a computação quântica utiliza qubits numa escala atómica que podem ter valor 0 e 1 em simultâneo.

É um estado conhecido conhecido como sobreposição, considerado muito mais eficiente. Mas aplicar a sobreposição a um sistema empresarial ou  de trabalho é ainda um desafio.

A caminho da segunda revolução

Publicado no início deste ano por uma equipa de investigadores da UE, o “Manifesto Quantum” identifica a necessidade de uma iniciativa em grande escala para fazer avançar a segunda revolução da computação quântica. Harry Buhrman, director executivo do centro holandês de investigação quântica QuSoft, participou na proposta de investimento.

“É essencial investir no desenvolvimento do computador quântico, mas também em algoritmos quânticos e software”, disse Buhrman. “Neste momento, ninguém percebe ainda como podem ser aplicadas as possibilidades espectaculares do hardware quântico. É necessário realizar uma investigação abrangente. E o Quantum Flagship permite isso.”

O programa foi anunciado como elemento da iniciativa europeia para cloud computing, dedicada ao desenvolvimento científico e tecnológico de um ambiente virtual para armazenar, gerir, analisar e reutilizar uma quantidade de dados de pesquisa. A UE declara que já apoiou tecnologias quânticas, há quase 20 anos, com o financiamento de investimentos nessa área no valor total de 550 milhões de euros.

A primeira revolução quântica implicava “a compreensão e aplicação das leis físicas da esfera microscópica”, algo que fez surgir tecnologias inovadoras, como o transístor e o laser, explica um documento de trabalho da CE sobre tecnologias quânticas. Agora, “a crescente capacidade de controlar os efeitos quânticos em sistemas e materiais personalizados está a preparar o caminho para uma segunda revolução quântica” esclarece o documento.




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