Fornecedores de TI têm de acelerar transformação

Grande parte das 100 maiores empresas em Portugal não tem oferta adequada ao surgimento da “terceira plataforma de TI”, diz Timóteo Figueiró, director de pesquisa na IDC.

Timóteo Figueiró_IDC

Timóteo Figueiró, director de pesquisa da IDC Portugal

As vendas de soluções baseadas na “segunda plataforma de TI”, tal como definida pela IDC, estão em queda face à emergência e crescimento da “terceira plataforma”. “E a grande parte dos cem maiores fornecedores tem a oferta baseada em tecnologias da “segunda plataforma“, nota Timóteo Figueiró, director de pesquisa da IDC Portugal. Por isso, sugere-lhes que acelerem o processo de transição da sua oferta.

(A IDC inclui na Terceira Plataforma TI aquelas tecnologias e soluções de cloud computing, Big Data, redes sociais, e mobilidade, enquanto a segunda é representada pelo modelo de uso de computação cliente-servidor e pelo PC)

O problema será factor para que as vendas dos 100 maiores fornecedores tenham crescido só 2,2% em 2014 e a tenha caído 0,6%. Cerca de um terço registou quebras nas vendas e mais de metade teve quebras de rentabilidade e reduziu  número de colaboradores, segundo a  IDC.

Segundo o analista está ser “muito difícil”, aos fornecedores “acompanhar as taxas de crescimento registadas”, se não adequarem melhor a oferta. Cerca de 35% da despesa com TI já está na “terceira plataforma”, mas será “bastante difícil que os fornecedores consigam fazer essa mudança já este ano (2016)”.

As necessidades das organizações nacionais começam a fundar-se em iniciativas digitais de mobilidade, cloud entre outras, insiste. Os fornecedores “têm de acelerar o ritmo com que estão a mudar”.

Cerca de 30% não vão ser aquilo que são hoje, vaticina. É possível que os clientes acabem por ir à procura de serviços de cloud computing adequados.

Mas é“preferível que os nossos fornecedores tenham alianças” com os maiores, como a Amazon, para poder acelera a disponibilização da oferta. Embora a propensão para  as empresas portuguesas estabelecerem alianças tenha melhorado, tem ainda de ser aprofundada.

Parcerias na economia das API são questão de sobrevivência

“A partir do momento em que é tudo digital, não é possível ganhar capacidade de inovação sem parcerias”, avisa Timóteo Figueiró.  A aceleração da transformação digital, “não permite que se ganhem as competências internas suficientes”, e algumas grandes empresas já perceberam isso.

Um dos maiores exemplos é a GE, que montou uma plataforma de cloud computing, para garantir capacidade de inovação e na qual participam até concorrentes.

Sendo isso especificamente difícil em Portugal, Timóteo Figueiró alerta que a questão “passou a ser de sobrevivência e competitividade”, e já nem tem a ver com modelos de negócio. “Não é possível ter escala, sem parcerias, sobretudo no caso das PME”, sustenta.

Por exemplo, como o universo total de clientes são os do  mundo inteiro e “não haverá capacidade de satisfazê-los”. Incorporar na cadeia de valor, pessoas que não fazem, nem farão, parte da empresa, deverá passar a ser prática frequente.

Cloud “interbancária”

Tal como na Administração Pública deverá surgir nos próximos anos em Portugal, uma plataforma de cloud computing monada para servir todos ou um grupos de bancos. A lógica de suporte é a de partilha de riscos e custos num investimento avultado para ser financiado apenas por uma entidade.

Além de evitarem isso, obtêm uma maior capacidade de suportar aumentos de escala de carteira de clientes, mais  funcionalidades e capacidade.

A plataforma poderá servir para disponibilizar diversos “serviços de TI para o que os bancos acharem necessário, cada um em específico”, com partilha de recursos diz Timóteo Figueiró.




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