Dez linhas de evolução digital nas organizações

A IDC Portugal apresentou um conjunto de elementos mais salientes na evolução do tecido empresarial face a “dez imperativos de decisão” que escolheu.

Imperativos de decisão

Apesar de muitos projectos de TI a decorrer nas maiores organizações nacionais a IDC diz que elas ainda não identificam a experiência do cliente como fonte de receitas. Embora a dinâmica em Portugal relacionada com as tecnologias de IoT tenha surpreendido os analistas da consultora em Portugal, a maioria das empresas ainda não tem planos de implantação de projectos.

São duas constatações possíveis num panorama traçado pela IDC sobre o tecido empresarial português e as principais tendências na sua utilização de TIC, considerando também uma perspectiva mundial.

Da análise resultam “Dez imperativos de decisão”, propostos pela consultora e que constituem também dez linhas de evolução digital:

1 – Transformação Digital: em finais de 2017, a maioria dos CEO vai ter a transformação digital da sua organização no centro da sua estratégia.

As organizações nacionais acreditam ter competências digitais segundo a IDC.
Os gestores de negócio têm uma visão mais optimista do que os de TI, a qual também é mais frequente nas PME face às grandes organizações. No todo, estes dois grupos estão nas primeiras fases da maturidade da referida transformação.

2- Terceira plataforma de TI: em 2018, mais de 50% da despesa TI das organizações vai estar relacionada com tecnologias, soluções e serviços deste conjunto, que inclui cloud computing e redes sociais.

Actualmente a despesa com tecnologias da referida plataforma de TI já representa mais de 35% da despesa total com TI, o equivalente a 1,5 mil milhões de euros, estima a IDC. Em 2020 a despesa com serviços de cloud computing vai representar mais de 40% do orçamento de TI. Hoje mais de um terço das organizações nacionais já consagra entre 10% a 20% do orçamento a iniciativas de mobilidade.

3 – Cloud computing é central: daqui a três anos metade da despesa de TI será baseada em serviços de cloud computing.

Em Portugal a maioria das organizações nacionais já utiliza os diferentes modelos de serviços cloud computing. Mas apenas 9% tem uma estratégia “cloud first” ou seja dando primazia à adopção do modelo.

Mesmo assim mais de 70% avalia em circunstâncias idênticas serviços cloud e “on-premise”. Entretanto mais de 80% das organizações já colocaram acima de 10% das cargas em cloud computing e a despesa com serviços de cloud computing já representa 22% do orçamento de TI.

4 ‒ Capacidade de inovação: em 2018, as organizações com estratégias digitais vão aumentar as capacidades de desenvolvimento de software.

Nas organizações nacionais, o número de aplicações em produção aumentou consideravelmente nos últimos anos. E hoje em, média, as organizações nacionais possuem cerca de 100 aplicações em produção: eram 70 há alguns anos.

A IDC prevê o crescimento da procura de aplicações móveis e de serviços de cloud computing e consequente aumento de necessidades de desenvolvimento de software

5 ‒ “Pipelines” de dados – em 2018, maioria das organizações vai iniciar projectos com recurso a dados externos

A maturidade das organizações nacionais relativamente à informação é ainda. Cerca de 70% das organizações nacionais estão nas primeiras fases de maturidade e indicador disso é a governação dos dados estar dispersa por múltiplos cargos funções.

Apenas um quinto das organizações nacionais tem uma estratégia de gestão de dados e mais de 40% recolhem grandes quantidades mas não maximizam o seu valor.

6 ‒ Periferia inteligente: em 2018, vão existir mais de 30 milhões de equipamentos de IoT no território nacional.

Cerca de um terço das organizações nacionais acredita que IoT vai introduzir alterações significativas no negócio. Apesar disso apenas 11% das empresas acredita que tem potencial para transformar o negócio, segundo a IDC.

E mais de 55% das organizações nacionais ainda não tem planos de implantação de soluções. A comunidade de empresas no segmento nacional ascende a 80 entidades.

7‒ Sistemas cognitivos: durante o corrente ano, 20% das organizações nacionais devem iniciar pilotos com sistemas cognitivos

As potencialidades de utilização dos sistemas cognitivos ainda é diminuto no território nacional, diz a IDC. Entre outros, baseia-se no facto de apenas 3% das organizações acreditarem que os sistemas podem contribuir para a transformação do negócio.

No entanto, admitem-se alterações significativas: cerca de 14% das organizações acredita nisso. O uso pessoal de  sistemas cognitivos, como o Siri, Cortana, Google Now, poderá obrigar a uma maior adopção nas empresas por pressão dos trabalhadores.

8 ‒ Plataformas e comunidades sectoriais de cloud computing: em 2018, administração pública e banca vão liderar a criação de plataformas sectoriais.

Para a IDC faz sentido que surjam plataformas de cloud computing sectoriais além daquela prevista para a Administração Pública. Os sectores da banca e da saúde, pela sua especificidade, são candidatos, com o segmento financeiro a liderar a par do público.

9 ‒ Envolvimento com clientes em grande escala: no presente ano, a maioria das organizações B2C deverá iniciar projectos de integração de canais num só (omnicanal).

Muitos projectos de TI em curso nas organizações nacionais privilegiam programas de fidelização ou de angariação de clientes, imperando actualização de soluções de CRM, segundo a IDC. Perto de 60% das entidades tem projectos de inovação dirigidos à satisfação dos clientes.

Mas dois terços das empresas denota uma maturidade incipiente quanto à criação de experiências multi-dimensionais.

10 ‒ Realinhamento de parceiros e fornecedores: em 2020, mais de 30% dos fornecedores TI não deverá existir.

Os processos de transformação digital prometem impactos muito relevantes também para o sector da TIC e a IDC insistiu num aviso às empresas da área sobre a necessidade de mudar o seu negócio. As relações de parceria serão cruciais. O alerta está fundado em vários dados:
‒ as vendas dos 100 maiores fornecedores cresceram somente 2,2% em 2014 e a usa rentabilidade caiu 0,6%:
‒ cerca de um terço registou quebras das vendas;
‒ mais de metade teve quebras de rentabilidade e reduziu número de colaboradores, indicador que caiu no todo do sector.




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