Vodafone pode vir a vender dados a municípios

O negócio fará parte da estratégia de Big Data do operador, que se liga à exploração de redes de IoT e serviços para smart cities.

edp_bigA Vodafone tem desenvolvido um projecto-piloto de Big Data e equaciona, em fase posterior, vender dados a municípios interessados no desenvolvimento de projectos de “smart cities”, revelou António Reis Silva, director de marketing do operador. Mas, antes disso, conta desenvolver serviços, numa segunda fase, partindo da extracção de dados recolhidos, revelou numa recente conferência sobre Big Data promovida pela EDP.

O operador considera o negócio baseado em IoT como sendo de “grande potencial”. Mas, de acordo com o responsável, o fornecedor de telecomunicações iniciou recentemente a recolha de dados para as primeiras etapas do seu projecto, incluindo a compra de elementos à Google e ao Facebook.

A Vodafone tem a expectativa de poder segmentar a oferta de forma mais granular e agilizar esse processo para acelerar a geração de acções de negócio. António Pires, da IBM, destacou que o objectivo que se pretende atingir é, com efeito, o de poupar tempo na gestão de dados e extracção de informação.

O responsável revela que, num inquérito realizado pela IBM a 50 gestores de topo de empresas portuguesas, nota-se uma preocupação principal: a convergência tecnológica que permite a empresas sem infra-estrutura possuírem dados, capazes de gerar negócio.

Isso confirma-se de alguma forma pela intervenções de responsáveis da Sonae e da EDP. Luís Monteiro, do primeiro grupo, revela que há já três anos que a empresa desenvolve iniciativas em torno de Big Data que envolvem a reformulação da abordagem à BI.

Anonimização é muito difícil: para a Vodafone, os processos e políticas de segurança e privacidade são muito importantes, garante António Reis Silva, director de marketing da Vodafone. Mas a “anonimização é muito difícil, porque normalmente basta cruzar quatro bases de dados para se descobrirem” muitos elementos pessoais.

Os primeiros objectivos foram os “de experimentar para perceber como podia tirar valor” do investimento e dos dados. “Falhámos em muitos testes” mas as experiências foram elemento-chave para baixar as expectativas da administração.

A de topo “tem muitas, mas também há riscos, a mudança pode ser acentuada e envolve uma maneira diferente de fazer negócio”, avisa.

Com uma “reinvenção” da estratégia de BI, a empresa procura optimização e está a recorrer a “novos conjuntos de dados para descobrir formas de envolvimento e oportunidades de negócio”.

Big Data - Vodafone

Um dos principais desafios para a empresa é conseguir “produtizar a abordagem para o longo prazo”, diz Monteiro. Outra das preocupações dos gestores, assinalada por António Pires (IBM) é saber “como gerir a empresa como se fosse uma startup, como fazer negócios com dados e não apenas com os produtos” que têm.

“A EDP vende uma ‘commodity’, precisa de se diferenciar sem ser pelo preço e ter a oferta mais adequada aos clientes”, lembra José Careto, do marketing da EDP. Acresce a pressão para a empresa ser muito eficiente, porque as suas margens são muito pequenas e os custos de aquisição de clientes é muito alto, reforçou.

A EDP monitoriza as redes sociais para perceber o que se passa nelas e desencadear respostas rápidas. “Estamos muito focados no marketing”, resume José Careto.

Como empresa do sector das utilities, tem muitos dados e ainda nem recebe elementos de “smart metering”. Mas precisa de extrair deles informação.

“Não temos ainda uma aprendizagem aprofundada, nem aprendizagem automática, mas estamos a desenvolver modelos para prever a perda de clientes e a ocorrência de situações de dívida numa fase muito inicial”, ressalva.

Importa “criar filtros de veracidade”, avisa António Pires (IBM) o qual aproveita para avançar com a visão do fabricante, assente no que denomina como “computação cognitiva”.

EDP ainda sem problemas para contratar RH

Num futuro muito próximo “não deve ser motivo de preocupação, porque somos bons a atrair talento”, diz Careto (EDP) quanto à escassez de profissionais preparados para a analítica de dados.

“Mas daqui a três ou quatro quatro anos, quando outras empresas avançarem com as suas iniciativas”, já não deverá acontecer assim. E Careto tem dúvidas de que as universidades consigam adaptar a sua oferta de formação.

A partir das experiências na Sonae, Luís Monteiro considera importante reter “não apenas os técnicos, mas também os matemáticos capazes de se envolverem com os objectivos de negócio”.

A disponibilidade financeira é estratégica para os desafios, mas também importa “conjugar o melhor [recomendado] com aquilo que se pode consegue obter na organização”.




Deixe um comentário

O seu email não será publicado