Uma lição dos Anonymous para os departamentos de TI

Recrute um grupo de anarquistas e – surpresa – começa a anarquia, explica Evan Schuman, editor da Computerworld.

Anonymous - Vincent Diamante via Flickr, CC BY-SA 2_0 - IDGNS

A ciberguerra mundial dos Anonymous contra o Daesh atingiu alguns problemas estruturais. Na maior parte, envolve voluntários indo em direcções diferentes e diluindo assim a missão global.

Mas os problemas com que os Anonymous têm tido nesta sua guerra oferece algumas boas lições à TI corporativa. O equivalente da ilegalidade das TI envolve grupos de trabalho independentes, a cloud, o open source e p crowdsourcing. As excelentes ligações e o poder público que a Internet permitiu facilita grandes coisas, mas os próprios elementos que criam esse poder tornam difícil de controlá-lo.

A força dos Anonymous tem sido o seu sucesso no recrutamento de um grande número de programadores em todo o mundo. Um atributo que muitos desses programadores partilham – e que provavelmente fez do Anonymous um interesse para eles inicialmente – é a natureza rebelde, uma visão anti-autoridade. Surpresa, mas um grupo de milhares dessas pessoas não remuneradas tende a resistir a regras e a instruções.

Tal exército de programadores pode ser uma força enorme, quando organizados e coordenados para concentrarem numa única direcção os seus esforços. Sem isso, pouco há além da anarquia. O pequeno bem feito por aqueles seguindo as regras é desfeito, ou pelo menos diminuído, por um número muito maior dos que estão a fazer as suas próprias coisas.

Em qualquer empresa, grupos indo na mesma direcção consistente, mesmo que numa direcção errada, é quase sempre preferível a diferentes grupos seguindo as suas próprias agendas. Essa é a premissa por detrás de uma cadeia de comando.

Há alguns anos, um executivo de TI num grande retalhista falou sobre a atracção dos primeiros esforços da cloud, apelidando-a de Oeste Selvagem. O executivo viu esta como um lugar em que a experimentação poderia acontecer, experiências para lá das regras e dos regulamentos de governança das TI.

Embora pareça atraente, os esforços de TI desonestos ainda têm de viver dentro das regras. O tamanho da equipe desonesta deve ter um limite máximo restrito, e a duração dos seus esforços desonestos devem igualmente serem controlados. Como Truman Capote disse uma vez: “o problema de viver fora da lei é que já não se tem a sua protecção”.

Para alargar a analogia da empresa um pouco mais, a luta que o Anonymous está a ter não é sobre o recrutamento. Parece que muitos dos programadores recrutados têm as capacidades e atitude certa (em que parecem odiar o Daesh). Em teoria, isso deve ser um grande ponto de partida para um grupo organizado.

Mas mesmo as multidões zangadas precisam de líderes. A questão é que os sites do Daesh não são rotulados de uma forma consistente. Poderia pensar-se que um esforço terrorista mundial teria pelo menos uma convenção de nomenclatura consistente. Isto tem provocado que alguns membros encerrem sites que não têm nada a ver com o Daesh ou afiliados. Isto não é meramente diluir os seus esforços e distrair a equipa, mas está a retirar apoio público quando sites inocentes são afectados.

Do ponto de vista da governança de TI, quanto mais liberdade e flexibilidade se oferece pelos esforços de grupos capacitados para a Internet, menos se tem a capacidade de controlar a execução. E se há algo que uma empresa precisa das TIs é estar no controlo dos projectos. Enquanto você for responsabilizado por resultados – e está a sê-lo – precisa desse controlo.




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