Portugal deve proteger propriedade intelectual

É necessária uma estrutura para fazer face à ciberespionagem, tanto industrial, como económica.

Fernando Freire_investigador

Fernando Freire, investigador de segurança da informação

“Basta de sensibilização, é preciso ir para o terreno”, considerou o coronel Fernando Freire sobre a acção do Estado português na protecção face à ciberespionagem externa.

O investigador ligado ao Instituto de Defesa Nacional defendeu a criação de uma estrutura institucional para essa actividade durante a 18º edição do Security Meeting, organizado pela ShadowSEC esta quinta-feira em Lisboa.

A prioridade é a defesa da propriedade intelectual produzida por entidades portuguesas, diz, sendo o objectivo o combate à ciberespionagem industrial e económica.

Freire considera que o Estado não dá a devida a importância ao roubo de documentos, num contexto de propriedade intelectual, que são o “ADN das empresas”. O mesmo se passa nas universidades portuguesas.

Na origem disso estará a falta de noção sobre o valor do conhecimento subtraído. Para contextualizar a gravidade do problema, o investigador aludiu à estratégia da Rússia e da China, para reduzir o hiato em termos de conhecimento face aos EUA, sobretudo com o roubo de informação.

Como medida mais evidente propõe que o país assuma a propriedade intelectual criada pelas suas entidades como “parte do Estado”, para efeitos de combate ao roubo da mesma. E assim cumprir esta última função.

Isso implica ter uma resposta concreta e clara na política de segurança, capaz de permitir por exemplo que o Estado perceba de onde surgem as ofensivas de roubo (muitas por via electrónica, actualmente).

 

Uma “maior cooperação entre quem sofre os mesmos problemas” de ciberespionagem seria útil.

No fundo, trata-se de obter “consciência situacional”, fundada no registo e análise do tráfego de informação nas redes. O acompanhamento, não só do fluxo de entrada de dados mas também de saída nas firewalls das organizações, seria particularmente útil.

Para uma maior visibilidade sobre a situação vigente concorrerá uma maior comunicação de ocorrências de “anormalidades” no fluxo das redes, considerou. Referiu também a necessidade de haver “maior cooperação entre quem sofre os mesmos problemas” de ciberespionagem.

Polícia Judiciária pode fazer mais

O investigador defendeu ainda que a Polícia Judiciária pode fazer mais no quadro da ciberespionagem. Não explicitou o quê mas ficou claro que a força tem de ir mais além da sensibilização para os riscos.

Não obstante, segundo Fernando Freire, as empresas precisam de estar mais conscientes sobre o potencial das ofensivas com recurso à engenharia social.

Isto, além dos riscos associados ao roubo de informação realizada pelos próprios recursos humanos nas organização, é um dos principais vectores da ciberespionagem, como referiu.




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