Anonymous podem fazer a diferença no ataque ao Daesh

As actividades do grupo de hackers sempre pareceu duvidosa mas, neste caso, o sucesso será muito bem-vindo, diz Evan Schuman, editor da Computerworld.

Evan Schuman - DRNa sequência dos horríveis ataques em Paris, as operações militares contra os redutos terroristas do Daesh (ou EI, de estado islâmico) têm aumentado. Quando alguém lhe bate, é natural que riposte. Mas pode-se ganhar ao matar um inimigo que procura a morte – e quando aqueles que são mortos inspiram outras pessoas desesperadas a substituí-los?

Junto com a notícia de que os franceses lançaram ataques aéreos contra posições do Daesh, soube-se que o grupo de ciber-vingança autodenominado Anonymous declarou guerra ao Daesh. Nunca pensei dizer isto mas o Anonymous pode ser o nosso salvador. Atacar o Daesh é militarmente necessário, mas o grupo sempre exerceu a sua influência através dos media sociais, usando-as para a angariação de fundos e o recrutamento. Ambas as actividades são essenciais para a existência e eficácia do Daesh. O armamento que usa na sua campanha de terror é caro, e quando cada operação bem sucedida termina em morte ou na prisão de todos os participantes, o recrutamento é crítico.

O que torna o envolvimento do Anonymous intrigante. O Daesh devia estar muito assustado. A área do Twitter oficial dos Anonymous para a Operação Paris já informou que “mais de 3.824 contas de Twitter pró-Daesh estão agora em baixo”, um número que tem vindo a aumentar. Isto em cima de dezenas de milhares de contas de Twitter pró-Daesh que o Anonymous fechou antes dos ataques de Paris, junto com um grande número de páginas de doações ao grupo – alojadas na Dark Web – que o Anonymous encerrou, de acordo com a The Atlantic.

A mensagem-chave dos Anonymous no Twitter é: “Não se enganem: #Anonymous está em guerra com #Daesh. Não vamos parar de nos opor ao #IslamicState. Somos também melhores hackers”. Esta última frase é fundamental. Os Anonymous estão a falar de uma ciberguerra contra o Daesh, algo que não é restringido por uma das leis que podem dificultar um ciberataque realizado pelos governos norte-americano, francês ou russo. E, para crédito dos Anonymous, eles são de facto melhores hackers.

Isto pode ser muito eficaz. Enquanto os governos bombardeiam e soldados atacam no terreno, é essencial que o recrutamento e o financiamento do Daesh seja terminado. Se ataques DDoS e outras tácticas para desligar os media social os tornam inúteis para o grupo terrorista, este vai achar que é muito mais difícil financiar o terror e recrutar substitutos.

Como podem os Anonymous enfraquecer o Daesh nestas áreas?

Financiamento
O Daesh consegue algum financiamento de governos mas isso geralmente é feito em silêncio. Os governos são submetidos a pressão internacional para fazer do Daesh um pária, pelo que a maioria do financiamento de Estados-nação é mantida em segredo. Mas o Anonymous é impressionantemente bom a revelar segredos, pelo que as suas actividades podem tornar muito mais difícil aos governos orientados para o mal suportarem o Daesh sem pagarem um preço.

O Daesh também ganha dinheiro com a venda de bens que rouba, mas esse financiamento é limitado. [E pela venda de petróleo a países vizinhos, muito abaixo do preço de mercado, segundo alguns analistas.]

O Daesh depende de pequenas doações de apoiantes, depois de terem sido doutrinados. A campanha dos Anonymous pode ser eficaz nesta área de duas maneiras. Em primeiro lugar, fechando repetidamente um grande número de sites de doações, os Anonymous dificultam muito mais fazer essas doações. Em segundo, ao fechar sites de propaganda, pode reduzir o número de pessoas que sentem o desejo de doar.

Já agora, isso tem de ser feito em conjunto com os ataques militares. À medida que esses ataques acontecem, a escumalha da Daesh (desculpem mas é a linguagem mais dura que o Computerworld me deixa usar) irá utilizá-los para recrutar pessoas e pedinchar dinheiro. Os encerramentos pelo Anonymous vão tornar muito mais difícil publicitar essas mensagens e para qualquer um que veja essas mensagens de responder.

Recrutamento
Nesta área, a ciberguerra dos Anonymous pode ser muito mais eficaz do que bombas e balas. O recrutamento exige três elementos: ter mensagens para potenciais apoiantes e simpatizantes; convencê-los a apoiar e dar-lhes os meios para responderem. (Nota: As tentativas de se infiltrar nessas operações são outra óptima táctica porque, se nada mais, forçam o Daesh a ser ultra-desconfiado de qualquer um muito ansioso para entrar.)

Os media sociais e a Dark Web são as únicas maneiras práticas – para além do boca-a-boca, que é demasiado lento e ineficiente para uma operação global – do Daesh poder fazer isso. Os seus líderes têm aprendido bem sobre os media sociais. Se o Anonymous conseguir manter-se à frente do Daesh para acabar com a propaganda, recrutamento e sites de angariação de fundos e de ajuda de todos os tipos, a sua ciberguerra, em conjunto com ataques militares convencionais, pode funcionar.

Assim, embora nunca tenha tido palavras amáveis para os Anonymous no passado, estou realmente esperançado de que neste esforço eles sejam bem sucedidos. Quando vemos atrocidades como o que aconteceu na semana passada em Paris, é natural que muitos de nós se sintam impotentes. Mas os programadores e outros orientados tecnicamente que uniram forças nos Anonymous têm a possibilidade de marcar a diferença.




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