Poupança energética como um serviço

VPS está no Reino Unido e na Península Ibérica mas quer avançar para o Brasil. Oferta da empresa passa pela IoT, M2M e poupança energética para os mercados doméstico, empresarial e municipal.

Basilio Simoes - VPS Iberia

A Virtual Power Solutions (VPS) foi apresentada em meados de Outubro e resulta da fusão da portuguesa ISA com a inglesa Stor Generation. O objectivo da nova empresa é tornar-se uma entidade relevante na gestão das redes e de recursos energéticos.

No primeiro ano completo de actividade, a empresa espera facturar cerca de 6 milhões de euros, com 70% vindos dos mercados externos. Nos próximos três anos, a empresa espera crescer mais de 100% ao ano, sendo que 90% das receitas serão provenientes de mercados externos, antecipa em entrevista José Basílio Simões, líder da VPS Iberia, que explica ainda os vários projectos em que estão envolvidos em Portugal e o tipo de oferta que pode diferenciar a empresa no mercado energético.

Computerworld – O que levou à fusão da ISA Energy com a Stor Generation, criando a Virtual Power Solutions (VPS)?
José Basílio Simões – O processo de junção das operações nasce da vontade, e determinação, da ISA Capital em criar um “player” relevante num mercado cujo valor ascende a 245 mil milhões de euros. A fusão faz sentido pois a tecnologia da ISA Energy pode ser utilizada no mercado inglês, onde a Stor Generation está implementada e no qual é um dos agregadores de energia acreditados pela UK National Grid.

Com a VPS nasce também um novo conceito de “player” neste mercado que se diferencia não só pela sua oferta inovadora e única mas também devido ao elevado investimento que realiza regularmente em Investigação & Desenvolvimento (I&D) e que representa já um valor superior a 10% do volume de negócios da empresa.

CW – Quem são os financiadores desta nova empresa?
JBS – O financiamento desta operação foi efectuado pela ISA Capital e será complementado por novos investidores que apoiarão a expansão de negócios da VPS.

CW – Quais as condicionantes de ser uma entidade virtual de gestão da rede energética em Portugal?
JBS – A implementação de Virtual Power Plants (VPPs) em Portugal é possível, pois está associada ao Energy Savings as a Service (ESaaS) que prestamos aos nossos clientes, mas ainda não é monitorizada pela REN. Prevê-se que serviços de ADR venham a ser regulamentados em Portugal, tal como já são no Reino Unido e Estados Unidos da América.

CW – Porquê o aparecimento da VPS apenas no Reino Unido e na Península Ibérica, quando anuncia ter como “missão construir e operar VPPs à escala europeia iniciando a sua actividade pelo Reino Unido e Península Ibérica onde já conta com mais de dez mil pontos monitorizados e cerca de 20MW sob gestão”?
JBS – A aposta nestes dois mercados prende-se com dois motivos específicos: o primeiro devido ao facto do mercado do Reino Unido ser um dos mais desenvolvidos a nível mundial e, em segundo lugar, porque são os mercados de origem das duas entidades que formaram a VPS (Portugal e Reino Unido).

O alargamento das operações da VPS a toda Europa é apenas mais um passo com vista ao desenvolvimento da empresa e de todos os seus produtos. A VPS pretende alargar a sua esfera de actuação e a prova é a aposta no primeiro mercado não-europeu, o Brasil. Ainda que este investimento seja realizado com recurso a um parceiro local, a VPS desenvolveu uma aposta nestes mercados já que acredita serem locais propícios ao desenvolvimento das diversas soluções.

Conceitos de planta energética virtual

CW – Em que consiste o sistema de gestão energética da Virtual Power Solutions (VPS) que, diz a empresa, conjuga a gestão da procura com a tecnologia de automação em edifícios?
JBS – O sistema de gestão energético da VPS é o conceito de ESaaS associado ao de Virtual Power Plant. Com o ESaaS, os nossos clientes poupam desde o momento zero, sem necessidade de investimento (oferta para Energy Service Company ou ESCO).

As Virtual Power Plants consistem no fundo na capacidade de reduzir a carga na rede elétrica, controlando em tempo real o consumo de dezenas ou centenas de edifícios que, de uma forma agregada, representam alguns megawatts. Chama-se a este processo Automatic Demand Response e, como é equivalente à injeção na rede de uma central adicional de produção, podemos dizer que desta forma construímos uma Virtual Power Plant.

CW – A tecnologia é proprietária mas está patenteada?
JBS – As soluções desenvolvidas pela VPS, e que resultem dos processos de I&D da empresa, estão protegidas ao abrigo da legislação internacional. Mais de 10% do volume global de negócios da empresa – que este ano deverá rondar os 6 milhões de euros – é dedicado à investigação, o que permitiu o desenvolvimento de produtos e soluções extremamente inovadores como o Cloogy ou o Kisense, destinados ao mercado doméstico e empresarial, respectivamente.

CW – Como podem as empresas e/ou os particulares terem ganhos de eficiência e ambientais com esta solução, perante a concorrência?

JBS – Apesar de ser um “player” que atua no mercado energético, a VPS, pretende posicionar-se num campo mais abrangente e mais exigente, não só no tipo de serviço prestado como na abrangência que se estende às diversas utilities (eletricidade, gás, água e combustíveis).

A VPS tem feito uma aposta muito forte em I&D para criar soluções de acordo com as mais recentes tendências tecnológicas, que inclui temas como a Internet das Coisas (IoT), comunicações M2M ou o ESaaS, que é um conceito revolucionário e combina uma forte capacidade tecnológica com um serviço ao cliente de grande qualidade para lhes fornecer poupanças de energia como um serviço.

Um exemplo do acerto desta estratégia é a parceria com a ANESCO, a maior ESCO do Reino Unido, e uma das 100 empresas com mais rápido crescimento na Europa desde 2013.

CW – O que entendem como IoT e em que sentido se posicionam nesta tendência? Se é apenas no M2M, os operadores tradicionais (de energia ou de telecomunicações) já não o fazem?
JBS – IoT é o nome que atualmente se dá à telemetria, também chamada por vezes M2M.

A VPS tem a sua origem na ISA que é líder em telemetria e, portanto, em IoT desde há 20 aos em Portugal e no mundo. A ISA tem mais de 100 mil dispositivos IoT vendidos por todo o mundo, em mais de 30 países dos cinco continentes.

CW – Quais os resultados práticos da associação em I&D a mais de 40 instituições em Portugal e na Europa?
JBS – O investimento em soluções de I&D permitiram à VPS desenvolver produtos inovadores e únicos no mercado energético. As soluções desenhadas pela empresa são destinadas ao mercado doméstico e empresarial. Esta associação permitiu desenvolver o Cloogy, destinado ao mercado doméstico, e o Kisense, destinado ao mercado empresarial.

O primeiro é uma ferramenta única e revolucionária que permite às famílias terem poupanças reais na despesa ao final do mês. O Cloogy resulta de uma combinação de hardware, fisicamente instalado em casa, que monitoriza os consumos energéticos e envia essa informação para um “dashboard” desenvolvido pela VPS para este efeito e que pode ser acedido a qualquer hora e lugar.

O segundo é um “dashboard” que permite, entre outras coisas, monitorizar os consumos energéticos das empresas, definir limites de consumo, alertas para consumos anormais, entre outros aspectos. Através desta solução, todas as empresas – em especial as unidades hoteleiras – passam a ter disponível uma ferramenta que lhes permite não só terem reduções na sua factura mensal de energia mas também serem mais sustentáveis ambientalmente.

Projectos nacionais

CW – Em que consistiu o projecto com a autarquia de Lisboa e quais os resultados? Foi apenas para o ar condicionado do edifício da Câmara?
JBS – O projecto com a autarquia de Lisboa foi um sucesso pois permitiu obter poupanças de 27% num dos edifícios da câmara. Esperamos agora que, com os programas comunitários de apoio à EE, se possa expandir este projeto.

CW – Sobre o projecto a decorrer em Coimbra, de iluminação pública, pode elaborar sobre o mesmo e revelar detalhes?
JBS – A VPS tem em curso diversos projetos inovadores. Apesar de não podermos falar, para já, de alguns deles podemos desvendar o que estamos a desenvolver em Coimbra. Tratou-se de um concurso público internacional que ganhámos e cuja contratualização está em curso e que irá implementar um sistema de iluminação pública eficiente e inteligente em todo o concelho de Coimbra, utilizando a nossa tecnologia Kisense, que poderá depois ser a base para vários outros serviços característicos de uma cidade inteligente. As poupanças de energia com esta solução ascendem a cerca de 75%.

CW – Em Julho, anunciaram um acordo para reduzir os custos energéticos dos associados da AHRESP. Já há resultados dessa iniciativa?
JBS – O acordo-parceria que a VPS firmou com a AHRESP tem-se vindo a revelar uma boa decisão. Uma das nossas áreas de oferta é o mercado empresarial, com especial destaque para todo o tipo de estabelecimentos comerciais, desde os bares até aos grandes hotéis.

Ainda não estamos em condições de avançar com números mas podemos indicar que a iniciativa tem colhido boa adesão por parte dos empresários que, com os serviços de poupança de energia da VPS, conseguem reduzir não só a sua factura energética como a pegada ambiental.

CW – Que outros projectos/iniciativas têm já em Portugal?
JBS – A VPS está permanentemente à procura de novas oportunidades de negócio quer para o mercado empresarial como doméstico. Temos vários projetos no setor hoteleiro, na banca, na ANA Aeroportos, em universidades, escolas, na indústria e em vários outros setores de atividade.

CW – Como antecipam o crescimento de clientes e facturação nos próximos dois a três anos, tanto a nível nacional como com o Reino Unido?
JBS – Para o primeiro ano completo de atividade, esperamos faturar cerca de 6 milhões de euros, sendo que 70% deste valor provirá dos mercados externos onde estamos atualmente. Nos próximos três anos, os objectivos são ainda mais ambiciosos, esperando crescer mais de 100% ao ano, sendo que 90% destas receitas serão provenientes dos mercados externos.


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