Muito potencial de emprego com poucos números

A criação de postos de trabalho ligada à investigação e inovação em TIC não é irrelevante, mas há mais desafios sociais.

ICT 2015_Debate sobre emprego e inovação

John Higgins, director-geral da DigitalEurope, lançou o repto para os intervenientes de um debate  quantificarem o potencial impacto da investigação e inovação em TIC na União Europeia, durante a ICT 2015. O efeito ficou aquém das expectativas e levou o responsável da entidade a concluir que as organizações representadas estavam mais focadas noutros “desafios societais”.

O participante que correspondeu melhor foi o director da European Connected Health Alliance, Bleddyn Rees, o qual referiu o potencial de um projecto de eHealth na Irlanda. A iniciativa poderá criar cinco mil postos de trabalho na prestação de serviços de cuidados de saúde nos lares dos pacientes.

A inovação envolve uma maior transferência dos doentes para as suas casas e comunidades. Antes, Paolo Dario, professor e director do BioRobotics Institute na Scuola Superiore Sant’Anna (SSSA), dera uma ideia da capacidade de criação de emprego associada a uma potencial indústria da robótica.

Sem números concretos, acredita ser possível criar uma cadeia de emprego semelhante à do sector automóvel. Não envolveria apenas o fabrico, mas também os serviços de manutenção, conforme os robôs fossem cada vez mais integrados na actividade das pessoas e das organizações.

As necessidades no âmbito da interacção homem/máquina também deverão criar uma quantidade relevante de empregos, se não novas profissões, prevê. Apesar disso, não se esqueceu de revalidar a antiga promessa da tecnologia: aumentar a produtividade e ao mesmo tempo incrementar o tempo de descanso e lazer.

Na sua opinião, a União Europeia tem capital de conhecimento e tecnologia para liderar o sector à escala mundial. Mas são necessários projectos longos, com cerca de dez anos, e bem alinhados para criar um ambiente produtivo e capaz de promover a transferência de resultados de investigação e inovação para produtos.

Uma quantidade substancial de inovação nos cuidados de saúde virá de outros sectores como os da aviação, automóvel, energia e marítimo, afirmou Bleddyn Rees (European Connected Health Alliance).

Rees assinalou também que uma quantidade substancial de inovação nos cuidados de saúde virá de outros sectores como os da aviação, automóvel, energia e marítimo. Poderão não ser coisas inteiramente novas, em termos gerais, mas serão radicais para a área da saúde.

Um dos exemplo é a Shell e as suas iniciativas de eHealth, envolvendo a monitorização remota do estado de saúde das pessoas. A empresa beneficia da sua experiência na assistência aos seus trabalhadores em situações de acesso dificultado.

Sabine Herlitschka, da Infineon Technologies, acabou por repetir que os empregos serão como a moeda, sendo crucial fazer a economia do conhecimento funcionar.

No entanto, não deixa de ser pertinente que tenha assinalado esse aspecto, nesta fase de evolução da Sociedade da Informação. Não obstante a preocupação, mencionou a falta de preparação regulamentar da União Europeia, para concorrer à escala mundial.

Conselho consultivo para melhorar eficácia de investimento

Os europeus estão muito centrados na Europa, considerou, apesar de terem todas as ferramentas necessárias para estarem na linha da frente da digitalização.

A constituição de um conselho consultivo europeu é uma medida capaz de impulsionar a inovação e a criação de emprego, sugeriu Candace Jonhson, da EBAN, associação de investidores de capital de risco.

Incluindo empreendedores com inspiração científica, seria encarregado de definir um plano base para extrair resultados práticos do investimento em investigação em TIC. A investidora explicou depois, em declarações ao Computerworld, que a deliberação não seria feita sem antes perceber a vontade de adopção e necessidade explícita pelas pessoas.

Isso para acomodar a tendência de a inovação estar a nascer e evoluir mais a partir das bases da sociedade do que das organizações (por exemplo: fabricantes).

Compras públicas importantes para inovação útil

Um representante da Universidade de Edimburgo, numa intervenção a partir da plateia, sugeriu a implantação de uma cultura universitária mais californiana, aludindo a uma orientação para o empreendedorismo. Na instituição escocesa, esse espírito está a produzir efeitos: perto de 80% dos doutorados manifesta-se interessado em constituir uma empresa, o que não acontecia no passado.

Apesar de ser difícil, ficou a ideia de que as compras públicas são particularmente importantes para o desenvolvimento de soluções inovadoras e úteis. Sobretudo quando o papel do consumidor não funciona. Na lógica de Sabine (Infineon), permite criar um mercado para as inovações muito cedo.

Nesta área, Catherine Mulligan, da Future Cities Catapult (Reino Unido), destacou que mais de 800 cidades europeias ainda não têm uma estratégia digital própria. É preciso sensibilizar a administração pública para a importância da última.

Considerou importante também que as PME sejam mais apoiadas, no sentido de melhorarem os seus serviços.




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