Uma nova era do BYOD em espaços educativos

São os alunos quem cria o seu espaço tecnológico de aprendizagem e exigem às instituições educativas a adaptação das suas plataformas ao modelo “Bring-Your-Own-Behaviour”, nota Gonçalo Tavares, director técnico da Extreme Networks.

GonçaloTavares - Extreme NetworksA irrupção das tecnologias móveis nos espaços educativos está a mudar a forma como o aluno aborda a aprendizagem e, como consequência disso, as instituições educativas vêem-se obrigadas a mudar e a adaptar-se a estas novas formas de aprender.

Os centros educativos, especialmente as universidades, devem perguntar-se se a sua arquitetura tradicional é suficientemente ágil em termos de rendimento e conectividade para suportar a evolução das abordagens educativas e se essa rede consegue ter um papel preponderante como facilitador dos novos métodos de ensino.

O modelo tradicional de educação presencial está a evoluir e estão a aparecer novos formatos de ensino à distância baseados no uso intensivo das novas tecnologias. As instituições educativas estão a potenciar estes novos modelos como uma forma de aumentar as suas receitas por matrícula sem terem que ampliar as suas infra-estruturas físicas.

Ao mesmo tempo, as novas tecnologias também estão a alterar o modelo de ensino presencial nas universidades. O novo modelo educativo imposto por Bolonha, que se baseia numa forma de aprendizagem mais colaborativa, participativa e baseada em projetos, fomenta o uso das novas tecnologias móveis entre os alunos.

De acordo com as previsões da Gartner, o tráfego de dados móveis em espaços educativos vai crescer 59% em 2015, o que é uma prova da crescente importância da mobilidade neste espaço.

BYOB: “Bring Your Own Behaviour”
As novas formas de aprendizagem e ensino apoiadas nas novas tecnologias vieram propiciar uma nova tendência no fenómeno BYOD. Os alunos exigem o acesso ao conhecimento como e quando dele necessitam, em qualquer momento e em qualquer lugar, e utilizando a tecnologia com que já estão familiarizados. Ou seja, é o aluno quem cria o seu espaço tecnológico de aprendizagem e exige à instituição educativa que adapte as suas plataformas a este espaço. É o que se conhece como “Bring Your Own Behaviour”. Não se trata apenas de cada aluno utilizar o seu próprio dispositivo, mas também dos seus hábitos no uso da tecnologia.

Um dos novos modelos de ensino propiciados pelas novas tecnologias é o denominado “flipped learning” ou “ensino invertido”. Ao contrário do modelo tradicional, em que durante a aula presencial se ensinam os conhecimentos teóricos e a parte prática fica como trabalho pessoal, neste novo modelo orienta-se o aluno para que aquira por sua conta os conteúdos teóricos, para depois os colocar em prática na aula, colaborando em equipa com os restantes colegas.

Uma das vantagens dos novos modos de ensino é a sua enorme escalabilidade. Uma vez que os conteúdos educativos são desenvolvidos e postos à disposição dos alunos através da Internet, pode aceder-se a eles de forma massiva, por milhares de estudantes em simultâneo. Assim, foram desenvolvidos os sistemas de ensino em massa, denominados MOOC e SPOC.

Este tipo de cursos está a ser uma importante fonte de receitas para os centros educativos, ao incrementar o número de matrículas sem obrigar à ampliação das infra-estruturas físicas (salas de aula, número de professores, etc.), ao mesmo tempo que podem reinvestir estas receitas adicionais em novas tecnologias.

Outras modalidades como a aprendizagem adaptativa e baseada em competências estão um passo mais à frente, ao oferecerem um conteúdo diferente a cada estudante tendo por base uma avaliação interativa. Também este modelo faz um uso intensivo das novas tecnologias.

Até agora foram sobretudo os smartphones e os tablets os dispositivos móveis mais utilizados pelos estudantes. Mas a universidade não deve perder de vista as novas correntes tecnológicas que estão ainda por vir e que se juntarão a este cenário: “smartwatches”, dispositivos de monitorização da saúde, como o Fitbits, e inclusive auriculares de realidade virtual. Todos estes dispositivos ligam-se à rede e fazem parte da tendência denominada Internet of Things (IoT).

A maioria das instituições educativas tem aproveitado os investimentos tecnológicos realizados há 30 anos e limitam-se a renovar as suas infra-estruturas à medida das necessidades, mas mantendo os mesmos princípios de desenho de arquitetura estabelecidos nessa época. Esta abordagem já não é válida, porque o desenho de arquitetura que as novas tecnologias exigem é totalmente distinto.

Hoje, os princípios que regem a concepção de uma arquitetura são a ubiquidade do acesso e a experiência do utilizador, ou seja, o aluno deseja poder aceder aos recursos de aprendizagem a partir de qualquer lugar e em qualquer momento e o que lhe importa é obter uma experiência de uso satisfatória, independentemente da aplicação se encontrar alojada num servidor da universidade, num centro de dados partilhado ou na nuvem.

Com este panorama, as instituições educativas devem rever a sua infra-estrutura de TI actual para determinar o melhor modo de dar suporte a estas novas tendências tecnológicas como o BYOB, tanto agora como no futuro, assegurando-se de que dispõem de largura de banda e escalabilidade suficientes para crescer à medida que cresce também o número de utilizadores.

Wi-Fi, tecnologia imprescindível nos espaços educativos
A tecnologia Wi-Fi é uma solução ideal para dar conectividade num espaço de campus, pela sua flexibilidade, escalabilidade e baixo custo de implementação (em comparação com uma solução de cabo). Além disso, os estudantes utilizam cada vez mais dispositivos móveis como smartphones ou tablets que não dispõem de porta Ethernet.

Dado que uma universidade ou centro educativo é um espaço muito exigente, não serve qualquer solução Wi-Fi. Pelas suas necessidades de disponibilidade, fiabilidade, cobertura, segurança e de gestão, este espaço requer uma solução de rede de gama empresarial. Só este tipo de soluções pode proporcionar o rendimento e a capacidade para suportar serviços virtualizados e/ou baseados na nuvem, incluindo “video on demand”, aplicações de e-learning e outros recursos académicos muito exigentes em termos de largura de banda.

Por outro lado, tratam-se de espaços com uma elevada densidade de dispositivos, pelo que a solução Wi-Fi deve ser capaz de lidar com centenas de pedidos concorrentes sem que a rede entre em colapso e se degrade a experiência do utilizador. Isto vai além de simplesmente proporcionar acesso à rede, tratando-se de proporcionar a cada utilizador uma experiência de e-learning satisfatória.

A inteligência e as capacidades de gestão também são críticas numa solução de rede Wi-Fi para este tipo de espaços. Conteúdos ou utilizadores diferentes requerem uma configuração de rede diferente. Por exemplo, usando o controlo de acesso baseado em perfis, pode-se atribuir a estudantes de pós-graduação e a professores de investigação uma proporção maior de largura de banda que ao pessoal administrativo ou utilizadores convidados, ou limitar o uso de certas aplicações, dando prioridade ao tráfego de serviços académicos. Ou seja, trata-se de poder gerir e controlar o uso e o acesso à rede, para oferecer a melhor experiência ao utilizador, limitando ao mesmo tempo os custos operativos e os recursos.

Por último, a segurança da rede Wi-Fi: o Wi-Fi é uma tecnologia de acesso partilhado e, portanto, no momento de planear a segurança da rede deve-se controlar tanto a identidade do utilizador como a localização de cada dispositivo. Se, além disso, dispusermos de informação sobre o uso de aplicações, em que momento e desde onde se está a utilizar uma determinada aplicação, aumentaremos significativamente a segurança de toda a infra-estrutura de TI.


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