Investimentos significativos em Big Data nos próximos dois anos

Mais do que uma previsão é uma expectativa de Jorge Pereira, director da Infosistema, a qual aposta na evolução dessa área, que será impulsionada pela IoT.

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Focada no sector financeiro, a Infosistema está a apostar nos projectos de Big Data, já com os de Internet das Coisas (IoT) no horizonte. São tecnologias com impacto forte esperado na fileira dos seguros, confirma Jorge Pereira, director-geral da  empresa.

Em entrevista ao Computerword, revela que o “nearshoring” para Espanha e Reino Unido são outras áreas de especial atenção para a empresa. A capacidade de entender o negócio do cliente e a facilidade de contacto são elementos diferenciadores. Mas o preço também “é bom”, especialmente a médio prazo, diz.

Computerworld ‒ Tendo em conta o contexto económico do país e a situação do sector segurador, quais são as prioridades estratégicas da Infosistema para 2015?

Jorge Pereira ‒ A Infosistema é mais do que uma empresa, é um grupo com cinco empresas. No ano passado nasceram mais três.

Apostamos na especialização das operações e competências. A Infosistema mantém-se focada no sector segurador, nacional e internacional, para ajudar à inovação de produtos e incorporação tecnológica como formas de melhoria da relação com os clientes, auxiliar na mudança dos paradigmas de canais de distribuição e melhorar a eficiência de custos e na relação com parceiros, em portais de Internet e canais de mobilidade.

As tecnologias da terceira plataforma, nas quais se inclui Big Data, fazem parte da estratégia da Infosistema para alcançar diferenciação.

CW ‒ Como estão a desenvolver a vossa internacionalização?

JP ‒ Criámos uma unidade em Espanha e outra no Reino Unido. E montámos em Portugal uma unidade especializada em outsourcing, que é a Growin, depois de em 2012 termos criado a Uniksystem, especializada na área de gestão recursos humanos, contabilidade, área financeira e processos, apoio à gestão de empresas na área industrial e Administração Pública.

CW ‒ Consultoria sempre com suporte tecnológico?

JP ‒ Com tecnologia, mas com componente forte de negócio. Cada vez mais, não há negócio sem tecnologia e esta não existe sem o primeiro.

As nossas equipas incluem valências de negócio, consultoria de negócio na área financeira, definição de requisitos, processos, com práticas Lean e Six Sigma, que depois produzem resultados com especificações do que a tecnologia deve implantar.

CW ‒ Mas a consultoria em TI continua a ser o principal motor de negócio?

JP ‒ Claro.

CW ‒ Representa perto 80% da facturação?

JP – Sim, mas acreditamos que a tecnologia a entregar na indústria financeira tem de ser bem entendida e desenvolvida no contexto de negócio. Por isso, as nossas equipas são formadas em conceitos de negócio e apoiadas por analistas no contacto com o cliente.

Jorge Pereira_CEO da Infosistema_1rCW ‒ Antes de afirmarem a área de Big Data como prioritária, tinham como prioridade a cloud computing. Foi uma aposta que esfriou ou como está a ser desenvolvida?

JP ‒ A Big Data está hoje muito ligada à cloud computing e esta é um paradigma de optimização de custos e ganhos de eficiência por escala. Já está no quotidiano das empresas. Big Data é o novo paradigma da abordagem sobre a informação do cliente, de  grande volumes, diversidade e a grande velocidade.

CW ‒ Mas com que tecnologias querem suportar os vossos serviços?

JP ‒ A Hadoop é norma e todos os “players” têm de a suportar. Nós procuramos parceiros especializados nas diferentes áreas e isso significa que temos um preferencial para a mobilidade, outro para middleware, para Big Data, englobando IBM, Oracle, Fico, Microsoft, Outsystems, em diferentes áreas.

CW ‒ Não quer especificar?

JP ‒ Prefiro não o fazer, porque enquanto consultores temos de aconselhar o cliente nos seus contextos específicos e, por isso, nalguns casos escolhemos uma ou outra solução.

CW ‒ O grupo tinha também uma operação de SaaS…

JP ‒ Uma plataforma de contratação pública que vendemos à AnoGov.

CW ‒ Mas mantêm outros serviços?

JP ‒ Temos SaaS noutras áreas de oferta que entretanto surgiram. Temos por exemplo uma de BPM, baseada em iFlow, que nos permite fornecer funcionalidades verticais, em áreas diferentes.

CW ‒ Antes, o negócio de cloud computing valia cerca de 12% da facturação da empresa. Agora vale quanto?

JP ‒ Mantém-se estável, mas tem grande potencial de crescimento. As áreas em que desenvolvemos maior esforço têm sido as de “business software factories” para o mercado financeiro, onde juntamos conceitos de negócio, processos, tecnologia, em projectos de média e longa duração, com equipas permanentes e depois continuadas.

CW ‒  E alojamento na vossa cloud?

JP ‒ Pode acontecer que, em sede de desenvolvimento de projecto, tenhamos pessoas a trabalhar nas nossas instalações em “nearshore” ou “offshore”. Desenvolvemos projectos para Estados Unidos, por exemplo. E algumas partes do software podem estar na infra-estrutura de qualquer fornecedor.

CW ‒ Que peso tem o negócio realizado nos mercados internacionais?

JP ‒  Cerca de 15%.

CW ‒ E tende a crescer?

JP ‒ Há perspectivas e objectivos de grande crescimento.

CW ‒ Focados em Espanha e no Reino Unido?

JP ‒ E Estados Unidos, mas a prioridade é a Europa.

CW ‒ Em modelo de “nearshoring” ou outro?

JP ‒ Em “nearshoring”, de preferência. E não estamos estrategicamente nos PALOPs.

CW ‒ Estrategicamente porquê?

JP ‒ Preferimos indústrias maduras e clientes mais exigentes, onde a especialização que temos desenvolvido seja reconhecida.

CW ‒ Quais são os vossos elementos de diferenciação no “nearshoring”?

JP ‒ A nossa capacidade de entendermos as capacidades de negócio, os requisitos e processos para o transformar em tecnologia de forma eficiente. Para isto é preciso conhecimento de negócio, de procedimentos e de gestão, e tecnologia e aliados a aspectos culturais, linguísticos e de comunicação.

Ao contrário de outro povos, o português tem uma facilidade enorme de comunicação com qualquer outra cultura do globo.

CW ‒ E isso é importante para o vosso negócio?

JP ‒ É, se considerarmos que os indianos têm um potencial enorme em engenharia, mas têm dificuldades de comunicação – e isso tem sido uma barreira para projectos não ficarem sedeados na Índia e irem para outras geografias. Temos boas escolas, bons profissionais e bom preço.

CW ‒ O último é um ponto sensível.

JP ‒ Somos mais caros do que os indianos, mas o resultado final e investimento é favorável.

CW ‒ Como se define o preço? Por horas de mão de obra?

JP ‒ Isso é muito limitativo. Temos de juntar ao custo-hora o valor global do investimento e benefício de negócio, e o calendário em que ele é obtido, o TCO.

É preciso olhar para os investimento a médio prazo. E aí somos ainda mais competitivos.

CW ‒ Porquê?Jorge Pereira_CEO da Infosistema_2r

JP ‒ Podemos não competir pelo preço-hora do engenheiro mas gastamos menos horas a desenvolver o mesmo projecto com maior sucesso.

O preço-hora não define o preço total de investimento para o cliente.

CW ‒ Mas isso envolve também maior pressão para o consultor, não é?

JP ‒ Os nossos trabalhadores são desafiados constantemente a estudar, a investir tempo na sua formação e certificação. Fazemos grande investimento nisso.

CW ‒ A Infosistema estava organizada em quatro unidades: SaaS, produtos, consultoria de TI e de negócio. O volume de negócio reparte-se em quem proporções?

JP ‒ A consultoria de TI tem a maior fatia. Mas o que tínhamos dividido em 2010, juntámos tudo em 2014, para comunicar melhor ao mercado, não por uma questão orgânica. Achamos melhor comunicar aos verticais (banca, seguros e serviços) e retomar a abordagem.

CW ‒ Nos seguros, qual é estratégia para abordar a evolução para os novos canais?

JP ‒ Queremos promover o debate e a partilha de opiniões. O sector português é muito tradicional. E, por isso, tem resistido ao fenómeno dos agregadores.

Essa transformação já começou em Portugal, embora possa não ter a mesma expressão do que no Reino Unido. Vai mudar o paradigma da distribuição de seguros nos próximos anos.

CW ‒ Além das tecnologias e plataformas de Internet, quais as outras tecnologias que vão ter impacto no sector dos seguros em Portugal?

JP ‒ Os temas das aplicações móveis e da mobilidade do software, que os parceiros das seguradoras e clientes vão usar, deverá crescer. As tecnologias de Big Data serão usadas por parte das seguradoras no futuro …

CW ‒ No futuro?

JP ‒ Já começam mas nos próximos dois anos vão surgir investimentos significativos em torno de Big Data.

CW ‒ Não referiu a Internet das Coisas (IoT), porquê?

JP ‒  Existe, está para ficar e vai produzir muita informação que as plataformas de Big Data vão ter de processar.

CW ‒ É com isso em mente que a Infosistema se quer posicionar no mercado?

JP ‒ Com prioridade no Big Data. A IoT há-de surgir como alavanca aos temas da informação.

CW ‒ Mas é um tema onde vê procura ou dinâmica?

JP ‒ Estamos a avaliar que outro tipo de investimentos faremos em resposta à IoT. Para já, estamos em fase de lançamento forte das plataformas de Big Data, de Internet e de mobilidade.




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