2VG quer ser parceiro da virtualização

Empresa prevê crescer 25% no corrente ano. Mercados da Rússia, Moçambique e Médio Oriente são dos principais objectivos a alcançar em 2015.

 

 

Miguel Luz Pinto_CEO 2VG - DR

A 2VG quer aproveitar a oportunidade das infra-estruturas para posicionar-se como um dos “players” da virtualização. O alvo são as maiores empresas e algumas PME. Em simultâneo, está a apostar mais na internacionalização, tendo Moçambique e Dubai como próximos mercados.

Depois de um período que a própria empresa reconhece de “difícil e complicado”, com quebra das receitas, e em que sentiu a necessidade de proceder a uma profunda reestruturação e algum reposicionamento, a 2VG está a começar a inverter o ciclo e considera que existem actualmente oportunidades no segmento do mercado da virtualização em Portugal e igualmente em mercados internacionais, para os quais está agora preparada. A palavra de ordem é crescer, sem comprometer o equilíbrio financeiro da empresa.

Em entrevista, Miguel Luz Pinto, CEO e sócio da tecnológica portuguesa, explica os objectivos e a estratégia da empresa para os próximos anos.

Computerworld – A 2VG é pouco conhecida e só nos últimos meses tem vindo a procurar dar-se a conhecer de uma forma mais agressiva. Quem é a 2VG e o que faz?
Miguel Luz Pinto – A 2VG é uma empresa tecnológica portuguesa criada em 2009, que surgiu com o objectivo de colmatar uma necessidade detetada no mercado das tecnologias de informação e comunicação: a virtualização.

No âmbito da virtualização, temos uma oferta de serviços e soluções, desde a área da consultoria em TI (redes, datacenter, armazenamento e segurança), engenharia de soluções – concepção, desenho e implementação de soluções de virtualização – e gestão de serviços, em que desenvolvemos toda a infra-estrutura e operação/gestão de sistemas virtualizados, incluindo operação e administração de sistemas, gestão de datacenter, protecção de dados e backup e recuperação de desastres.

Complementamos ainda esta oferta com uma área de formação, que também pode estar incluída no serviço ou funcionar de forma autónoma, com base no “know how” e experiência da equipa de instrutores e de workshops direccionados para tecnologias específicas, adaptados às necessidades dos clientes, desde presenciais, online e “on demand”.

CW – Em que base assenta esta especialização na virtualização?
MLP – A nossa prioridade e foco está na virtualização – servidores, aplicações, armazenamento e postos de trabalho. Para ir ao encontro deste foco, temos parcerias especializadas com dois dos principais “players” na área da virtualização – VMWare e DataCore Software, além de outros parceiros -, e dispomos ainda de soluções de formação técnica apoiadas nas tecnologias destes parceiros, com base no “know how” e experiência da nossa equipa de instrutores.

CW – A cloud não está nos vossos horizontes?
MLP – A cloud surgirá naturalmente, em associação com os nossos parceiros e por necessidade e decisão directa dos nossos clientes. Acabará por tornar-se um importante complemento aos serviços e soluções principais desenvolvidas e implementadas pela 2VG. O mercado tem vindo a adaptar-se de forma contínua, muito por via da necessidade de optimização e redução de custos que as soluções cloud oferecem, o que facilita a ultrapassagem da resistência à mudança instalada na nossa cultura.

CW – Falou na VMWare e na Data Score Software. São os únicos parceiros?
MLP – São os principais. No caso da VMware, acabámos de renovar o certificado de Enterprise Solution Provider Partner, mas é nosso objectivo, o mais rapidamente, se possível antes do final do presente ano, elevar o estatuto da nossa parceria para Premium. Mas temos também como parceiros a Cisco, EMC, Dell, Oracle, Microsoft, Nexsan, IBM, Redhat, Leostream ou Watchful.

Em Março último, acabámos de alargar a nossa oferta de serviços ao dinamizar uma parceria de negócios estratégica com a americana Netwrix, a plataforma mundial nº 1 em auditoria de alterações e configurações que fornece um relatório e visão completa de quem, quando e onde alterou o quê, em toda a infra-estrutura de TI.

Rússia e outros mercados
CW – A empresa tem dado a conhecer a sua aposta na internacionalização. Quais as razões e os objectivos?
MLP – A 2VG completou cinco anos de actividade e era necessário dizer ao mercado onde queremos estar quando fizermos os 10 anos. Para tal, iniciámos este 2015 com uma completa renovação de imagem, com acções de marketing mais eficazes, que têm muito a ver com o processo de internacionalização da empresa. Mas não só. Teve também a ver com o objectivo de transmitir uma mensagem de solidez e maturidade, como empresa de referência no que diz respeito a soluções de virtualização.

A internacionalização é um desses pilares dos nossos objectivos estratégicos, porque sentimos o potencial desta área de negócio lá fora e a lacuna em termos de “know how” nesta vertente de especialização. Através da internacionalização, pretendemos crescer, conseguir dar o salto e assim investir em duas áreas de especialização: primeiro, nas infra-estruturas com soluções globais de virtualização de sistemas, e depois na segurança, com a classificação e proteção de dados.

CW – Anunciaram no início do ano a entrada no mercado da Rússia. Em que consiste esta presença e que negócio está a desenvolver?
MLP – A nossa forte aposta na Rússia para 2015 acaba por ser um processo natural no decorrer da nossa actividade e dos nossos contactos (com clientes e parceiros de negócio) ao longo dos últimos cinco anos.

Somos a primeira empresa tecnológica portuguesa, especializada em serviços de virtualização, a apostar na Rússia. É uma aposta forte da empresa, que vem desde o segundo semestre de 2014. Temos já um escritório em São Petersburgo, a funcionar com dois colaboradores nossos, onde temos vindo a promover diversos contactos com instituições do governo local e serviços, e onde estamos já a trabalhar com a administração e o departamento de finanças russos.

Tirando os dois centros onde se concentra o maior conhecimento tecnológico (Moscovo e São Petersburgo), o mercado é enorme e com um vasto potencial. Apesar de estarmos concentrados na região de São Petersburgo, sentimos que existe uma maior abertura para explorar as alternativas à computação tradicional e os clientes começam a procurar optimizar as suas infra-estruturas.

O tema da redução de custos é global, os serviços públicos tendem a melhorar cada vez mais, contudo ainda há um longo caminho a percorrer. É esse caminho que julgamos poder fazer em conjunto com os actuais parceiros locais.

CW – Quais os outros mercados internacionais onde a 2VG está presente?
MLP – Esta estratégia vem no seguimento do processo de internacionalização da empresa nos mercados europeus onde temos referências e clientes como a Altimate (Bélgica), Algebra (Croácia), IB Cegos (França), Global Knowledge (Holanda), R-Com Consulting (Inglaterra), EDF (Itália) e Menshen (Angola).

CW – Essa estratégia vai continuar?
MLP – Esperamos alargar estas operações a outros mercados desta área geográfica, ainda durante a primeira metade de 2015, com a manutenção de alguns contratos no mercado nacional e a sua alavancagem com novos. Igualmente, há a aposta, conquista e formalização de contratos no mercado internacional, em especial na Rússia, Moçambique e Médio Oriente, são alguns dos principais e grandes objectivos a alcançar em 2015. Estamos confiantes.

CW – Pode especificar “área geográfica” e quais os países?
MLP – No Médio Oriente, nomeadamente, no Dubai, por via de consultores portugueses que já lá estão a trabalhar, e em Moçambique, através de parceiros estratégicos locais.

CW – Em que ponto estão, em particular em Moçambique?
MLP – A abordagem passa por encontrar até dois a três parceiros locais que possam acrescentar valor. Já estamos a desenvolver contactos interessantes e com grande potencial para, no segundo semestre de 2015, começarem a surgir os primeiros projectos.

CW – E a presença em Angola?
MLP – Neste momento, a aposta no mercado angolano não é uma prioridade. Considero que esse mercado encontra-se numa fase de saturação para as empresas portuguesas iniciarem agora investimentos e uma actividade bem conseguida.

Crescer 25% este ano
CW – A 2VG é uma PME. Tem um capital social de 50 mil euros, uma equipa de 12 colaboradores, facturou em 2014 cerca de 1,5 milhões de euros e um milhão em 2013. Como é possível estar em tantos países e financiar este processo de internacionalização, desde logo na Rússia, com recursos financeiros escassos?
MLP – O investimento na Rússia consiste num escritório em São Peterburgo, com duas pessoas, mais o site 2VG em versão russa, e temos parceiros locais no apoio ao desenvolvimento no negócio. Consideramos que a Rússia tem um potencial de negócio que pode ser o dobro da nossa receita, sobretudo, no segmento do governo, que é a nossa principal aposta.

Nos restantes mercados, o que posso dizer é que nunca precisámos de recorrer à banca, quer no período mais complicado entre 2011-13, quer agora.

CW – Qual é a abordagem? E a Rússia é o único mercado com equipa local?
MLP – A Rússia é a nossa maior aposta internacional, até por algumas garantias dadas. Nos restantes países, a abordagem e presença está a ser efectuada, preferencialmente, e numa fase muito prematura, através de parceiros estratégicos locais muito bem identificados.

CW – Quais são os objectivos de negócio e as linhas estratégias futuras, nomeadamente, para o corrente ano?
MLP – No que respeita aos objectivos de negócio, a nossa previsão de crescimento é de 25%. Para alcançar este objectivo, que é ambicioso, contamos manter e desenvolver alguns contratos que temos no mercado português, e alavancar novos, com um foco nas empresas de maior dimensão.

Consideramos que, no corrente ano e no próximo, sobretudo, por via do Portugal 2020 e da necessidade das empresas renovarem as suas infra-estruturas, existem oportunidades e nós queremos ser o parceiro dessas empresas na área da virtualização. Acreditamos seriamente que o futuro das empresas, e das empresas bem sucedidas, passa pela virtualização dos seus negócios.

CW – E o papel e contributo do mercado internacional?
MLP – Contamos que o mercado internacional represente em 2015 cerca de 10% da receita. Para isso, estamos a apostar na conquista e formalização de contratos no mercado internacional, em especial na Rússia, Moçambique e Médio Oriente, como referi.

Mercado português tem potencial de oportunidades
CW – Quais as referências de clientes no mercado nacional?
MLP – Temos cerca de duas dezenas de clientes no mercado nacional. Destacava, pela sua importância para o nosso negócio, a GE Money/Whitestar Asset Solutions, Douro Azul, Leroy Merlin, Banif e a Luís Simões.

CW – Os vossos principais clientes são médias ou grandes empresas?
MLP – Tendo em conta o perfil do nosso negócio, clientes e necessidades identificadas de renovação das infra-estruturas, o mercado português tem um grande potencial de oportunidades e continua a ser o nosso foco principal.

As médias e grandes empresas nacionais vão continuar a ser os nossos principais clientes e quem mais vai contribuir para a consolidação do nosso negócio, em particular, nos sectores das telecomunicações, banca e seguros, energia e diversos serviços da Administração Pública.

Pelo facto de sermos uma PME e também as PMEs necessitarem de acesso a tecnologias inovadoras, formalizámos recentemente a nossa adesão enquanto membro da Associação Nacional de PME (ANPME) e estabelecemos um protocolo de parceria com esta entidade, que permitirá aos associados desta organização usufruir de vantagens especiais e competitivas em futuros contratos que englobem serviços e necessidades, nomeadamente soluções de virtualização, automação, segurança e classificação de dados, centro de dados e serviços de cloud, integração de sistemas e ainda vários serviços em regime de outsourcing.

O objectivo será, não só dar a conhecer o âmbito das soluções e novidades da portuguesa 2VG e do elevado “know how” tecnológico das empresas e dos seus consultores, mas também organizar algumas acções de formação específicas em TI. E esta é uma nova área que contamos desenvolver e fazer crescer no futuro.


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