Compra da Nokia ainda não frutificou

A Microsoft tem de vender mais telemóveis, atrair fabricantes e programadores, enquanto a Finlândia sente-se traída.

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Satya Nadella, CEO da Microsoft, e Stephen Elop, vice-presidente para dispositivos e serviços da Nokia

Era um “casamento de conveniência” entre duas gigantes da indústria, cujos sucessos do passado não ajudaram num mercado de smartphones muito dinâmico. E um ano depois, ocorrido na passado sábado, é difícil dizer que a aquisição da unidade de dispositivos móveis da Nokia pela Microsoft tenha produzido os resultados ambicionados.

Mesmo depois da compra por 7,2 mil milhões de dólares, os smartphones Lumia e o sistema operativo Windows Phone ainda se debatem com os mesmos obstáculos. A Microsoft não desiste e tem grandes esperanças no impulso esperado do Windows 10: a criação de um ambiente computacional unificado, no qual os utilizadores podem mover informação facilmente entre desktops, tablets e smartphones, é de ter em conta.

O CEO da empresa, Satya Nadella, destacou na semana passada a necessidade de o fabricante cortar nos custos com os dispositivos, antes da chegada do Windows 10. O negócio é um projecto em curso, argumentou, apesar de ter revelado um aumento de vendas unitárias trimestrais homólogas.

Especula-se que Nadella nunca foi defensor da aquisição, avançada pelo seu antecessor Steve Ballmer. Mas o actual líder parece querer dar uma oportunidade ao referido negócio e elevar o fabricante para o patamar da Apple, Google e Samsung.

A Microsoft não está ainda a vender dispositivos suficientes, não tem o suporte de um número necessário de grandes fabricantes para o seu sistema operativo, e o desenvolvimento de aplicações do Windows Phone estão em segundo plano para a maioria dos programadores.

Para garantir o futuro do sistema operativo, a Microsoft precisa de aumentar a quota para pelo menos 10%, estima Ben Wood (CCS Insight).

No hardware, o fabricante está num frenesim de lançamentos de smartphones acessíveis. A estratégia parece fazer sentido, porque o segmento de baixa gama está a crescer mais rapidamente do que outros.

Além disso, os consumidores dos mercados emergentes (potenciais compradores desses dispositivos) não são tão apegados a marcas de smartphones específicas e interfaces de utilizador. Mas a concorrência neste segmento é feroz face ao universo Android.

A quota de mercado do Windows Phone está abaixo dos 3%, apesar do impulso dado pelos Lumia, o crescente interesse no sistema operativo e a adopção do mesmo por uma série de pequenos fornecedores de smartphones. Para garantir o futuro do SO, a Microsoft precisa de aumentar a quota para pelo menos 10%, de acordo com Ben Wood, director de pesquisa da CCS Insight.

“Nas nossas previsões, não antevemos isso, nem de perto, nos próximos três anos, o que sublinha a dimensão do desafio da Microsoft”, diz Wood.

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Risto Siilasmaa, CEO interino da Nokia, e o CEO da Microsoft, Steve Ballmer, no anúncio da aquisição

Para aumentar significativamente as vendas do Windows Phone, o fabricante precisa de estabelecer acordos com grandes parceiros, capazes de vender milhões de dispositivos por trimestre. Convencê-los é um dos efeitos esperados do Windows 10 e parece haver um ambiente favorável.

O sistema operativo vai ter uma interface de utilizador actualizada e uma série de melhorias nas aplicações, como um novo browser, o Spartan. Também deverá oferecer uma maior integração entre PCs e smartphones, incluindo a capacidade de ver as notificações através de diferentes dispositivos.

Por outro lado, a Xiaomi anunciou recentemente que alguns dos utilizadores dos seus smartphones baseados em Android serão capazes de testar o Windows Phone 10, instalando-o nos dispositivos. Ter convencido a Xiaomi foi uma grande conquista.

A empresa chinesa tornou-se um dos maiores fabricantes de smartphones no mundo, mesmo não vendendo muitos produtos fora da China.

O lançamento do Windows 10 é esperado para ser seguido pela chegada dos primeiros smartphones “high-end” da Microsoft.

“Joint-venture” resultou em milhares de desempregados

Na Finlândia, muitas famílias não estarão a comemorar de forma feliz o aniversário da fusão, tendo em conta os milhares de empregos eliminados pela Microsoft nas operações da Nokia. Na altura, o ministro das finanças finlandês, Antti Rinne, considerou que a Microsoft tinha traído o país.

Havia a expectativa de o negócio ser mais uma “joint-venture”, mas tem sido definitivamente mais uma aquisição do fabricante do Windows, na opinião de Wood.




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