Portal do Governo em cloud da Refer Telecom

A plataforma está alojada desde o ínicio do mês na infra-estrutura do fornecedor, em modelo de IaaS. Questões de segurança e custo foram factores da migração.

Manuel Honorato, director« do CEGER

Manuel Honorato, director do CEGER

O Centro de Gestão da Rede Informática do Governo (CEGER) migrou o Portal do Governo para a infra-estrutura pública de cloud computing da Refer Telecom. O contrato tem a duração de um ano, termina a 31 de Março de 2016, para um serviço de IaaS estabelecido por ajuste directo.

A entidade da Administração Pública (AP) mantém a gestão da plataforma e sobre os servidores nos quais está alojada, garantiu Manuel Honorato, director do organismo, em declarações ao Computerworld, após uma intervenção num evento sobre a adopção do IPv6 na AP. Uma das principais razões avançadas pelo responsável para a medida são questões de segurança, além da redução de custos: o serviço custará 49,3 mil euros, sem contar com IVA.

O contrato “teve por base uma consulta prévia ao mercado, a todos os operadores e outros fornecedores de cloud, durante 2014, com a decisão a ser tomada este ano”. De acordo com a análise de risco realizada, e segundo Manuel Honorato, a mudança deverá permitir ao CEGER libertar-se da incidência e da gestão dos ciberataques realizados ao portal. No contrato, é explicado que o CEGER é “alvo frequente de acções hostis” como DDoS.

O responsável afirma que o número de ofensivas à rede informática do Governo aumentou consideravelmente: “no final de 2014, o portal estava a registar por dia um número semelhante àquele verificado por mês no Verão de 2011”. Já em 2014, a acção dos “hacktivistas” constituiu a principal preocupação de segurança do organismo.

No processo de migração, o CEGER mudou também de fornecedor de serviço de CDN, antes garantido pela Akamai.

Como explicou o responsável, o serviço engloba alojamento e serviço de disponibilização de conteúdos ou Content Delivery Network (CDN), além de suporte a “live streaming” e outras funcionalidades. Com os conteúdos distribuídos através de um serviço de CDN, e na actual arquitectura, haverá “uma resiliência muito maior” garante o responsável.

No processo de migração, o CEGER mudou também o fornecedor de serviço de CDN, antes garantido pela Akamai, e agora disponibilizado através da Refer Telecom. A alteração baseou-se na adequação dos serviços aos requisitos para o portal.

“Cerca de 99% dos acessos são feitos a partir da Europa e a maior parte, perto de 96%, desde Portugal”, explica o director. Assim, não se justificava estar a pagar um serviço com desempenho igual para todas as zonas do globo.

“Concentrámo-nos nos nossos clientes, admitindo um pouco mais de latência no acesso desde outras regiões”, explicou.

Migração afasta pólo de atracção de ataques

O facto de o portal estar alojado na infra-estrutura de um fornecedor “quer dizer que as acções hostis contra o portal não afectam a ligação da rede informática do governo em intranet”, argumenta Manuel Honorato. Ao mesmo tempo, acrescenta, a plataforma fica mais protegida de ataques a outros serviços do CEGER, por deixar de estar numa infra-estrutura comum.

Outros serviços poderão passar para cloud externas, já que o centro procura sempre classificar a sensibilidade da informação e requer as soluções adequadas em função dessa classificação, recorda o responsável. “Há informação que não deve sair dos centros de dados do CEGER, por exemplo a do processo legislativo”, diz.

Mas informação como a do portal do Governo, “sem dados pessoais, pública e de divulgação”, pode estar fora. “Existe informação de sensibilidade intermédia que não necessita de estar no CEGER, mas que também não pode estar em clouds comerciais, nos centros de dados de terceiros”, ressalva.

Há ainda outras que podem ir para fora do território nacional. “O portal do Governo podia ter ido para fora, dentro da Europa”, exemplifica.

Segundo o Conselho de Ministros desta quinta-feira, foi aprovado um diploma em que se procede à fusão, por incorporação, da EP Estradas de Portugal na Refer – Rede Ferroviária Nacional, passando a nova empresa a denominar-se Infraestruturas de Portugal.




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