Oposição mais presente no Twitter

Um estudo diz que haveria “alterações importantes” na distribuição de lugares para a Assembleia da República, se o critério fosse apenas a influência online dos políticos.

Mapa de Poder_Assembleia da Republica

Pertencem a partidos da oposição os políticos mais activos no Twitter, procurando exercer influência através da rede junto dos eleitores, diz uma estudo da Imago-Llorente & Cuenca. O trabalho TOP 50 Mapa de Poder na Rede – Políticos Influentes no Twitter, beneficiou do apoio do Centro de Estudos de Comunicação e Cultura, da Universidade Católica Portuguesa (UCP).

Segundo o mesmo, Rui Tavares, João Galamba, Carlos Zorrinho e Ana Gomes, são alguns dos poucos políticos portugueses que “já viram no Twitter um canal privilegiado para a difusão das suas ideias, visões e opiniões políticas, numa perspectiva mais individual que partidária”, explica um comunicado.

O estudo incidiu sobre 618 protagonistas políticos portugueses no activo, entre os meses de Janeiro e Fevereiro de 2015. O índice de influência foi calculado de acordo com cinco indicadores: número de seguidores, menções, retweets, influência automática e presença noutros espaços da Internet.

“O Twitter foi considerado o expoente máximo da influência online, uma vez que este é um espaço aberto onde se criam relações e se difundem ideias de uma forma mais concisa e rápida do que em qualquer outra rede social”, diz a Imago-Llorente & Cuenca.

O estudo confirma que, de uma forma geral, são os políticos sem voz activa dentro da Assembleia da República aqueles com maior necessidade de explorar outras formas de se fazerem ouvir.

O grupo inclui ex-políticos, dissidentes, eurodeputados ou, simplesmente, políticos sem associação partidária. “Só os deputados mais ambiciosos ou os eurodeputados — por estarem fisicamente longe — recorrem mais intensamente ao Twitter. Rui Tavares acumula as quatro condições, o que explica o seu primeiro lugar no recurso ao Twitter: jovem, chefe dum pequeno partido, ambicioso e ex-deputado europeu”, sublinha Eduardo Cintra Torres, professor auxiliar da UCP.

Mesmo em ano de eleições legislativas, os líderes dos principais partidos candidatos ao poder continuam a pôr de lado uma estratégia de comunicação digital.

A análise realizada faz uma projecção sobre a distribuição de lugares na Assembleia da República, baseada na influência online dos seus deputados e evidencia “alterações importantes”. Os políticos mais influentes online também já estão habituados ao comentário político em nome próprio fora daquele contexto, nota Rita Figueiras, coordenadora do doutoramento em ciências da comunicação da UCP. “Alguns dos políticos mais influentes fazem parte dos espaços de comentário na imprensa de referência e nos canais de informação no cabo”, explica.

Mesmo em ano de eleições legislativas, os líderes dos principais partidos candidatos ao poder continuam a pôr de lado uma estratégia de comunicação digital. “Se a actividade de Passos Coelho antes da sua eleição em 2011 lhe confere ainda influência nesta rede, o mesmo não se pode dizer de António Costa, que continua ausente deste espaço de comunicação com o eleitorado”, diz a agência.

Mapa de Poder_Ranking Top 10

Sem ser o Primeiro-Ministro, apenas Catarina Martins, do Bloco de Esquerda, está entre os 10 primeiros. E entre os potenciais candidatos às Presidenciais de 2016, apenas Pedro Santana Lopes tem lugar no TOP 50 dos políticos mais influentes no Twitter, onde ocupa o 34o lugar.

Ficam para trás, Marcelo Rebelo de Sousa, António Guterres ou mesmo Henrique Neto, sem qualquer presença digital nesta rede.

O cenário contrasta com o panorama internacional: segundo dados do Digital Policy Council, 80% dos líderes políticos à escala mundial integram o Twitter nas suas estratégias de comunicação.




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