NarrowNet disponibiliza rede SigFox exclusiva para IoT em Portugal

Portugal tem condições para desenvolver cluster para IoT, diz em entrevista João Pimenta, country manager da NarrowNet.

IoT - NarrowNet

Portugal pode ser um dos primeiros países a ter uma rede exclusiva de comunicações para a Internet das Coisas (IoT), com cobertura inicial para o continente ainda este ano, seguindo-se a Madeira e os Açores em 2016.

A tecnologia é da empresa francesa SigFox (criada há cinco anos por Ludovic Le Moan e que já obteve três rondas de financiamento) e será implementada em Portugal pela NarrowNet, criando “a única rede de comunicações pensada e dedicada exclusivamente à IoT, extremamente simples, que possibilita o envio de pequenas mensagens, a um custo mínimo de comunicação e com grande eficiência e autonomia energética”, diz a empresa.

França, Holanda, Reino Unido, Espanha, cidades russas ou São Francisco (EUA) já têm redes semelhantes em desenvolvimento. No recente Mobile World Congress, a SigFox apresentou várias aplicações de parceiros usando a sua tecnologia de rede.

O termo IoT é, neste caso, uma evolução do anterior M2M, de comunicação máquina-a-máquina, mas pode ter aplicações em ambientes domésticos ou industriais, nos contadores “inteligentes”, na saúde, em controlo remoto, no retalho ou na segurança. A rede permite mais de 140 mensagens diárias por objecto, um tamanho de 12 bytes por mensagem, numa ligação a 100 bits por segundo.

A NarrowNet foi criada em Setembro de 2014 pelo Kaisaras Group e pela JDF Capital Investment, e enviou a primeira mensagem pela rede SigFox a 26 de Março passado, quando foi anunciada a parceria para Portugal.

Em entrevista, o seu country manager João Pimenta afirma que “há aqui uma oportunidade de ouro para os empreendedores portugueses”, no desenvolvimento de um cluster nacional para a IoT.

Joao Pimenta - NarrowNet

João Pimenta, country manager da NarrowNet

Computerworld – Como será efectivada a instalação desta rede? Será a NarrowNet a, fisicamente, instalar a rede, ou irá subcontratar largura de banda aos operadores móveis ou outros?
João Pimenta – A rede é própria, é uma infraestrutura muito leve, pensada, desenhada e implementada em exclusivo para a IoT e será instalada com recursos próprios da NarrowNet e dos seus parceiros.

CW – Qual o custo desta rede, em Portugal?
JP – Dadas as suas características, custará uma fração do custo de outras redes do tipo GSM ou LTE.

CW – A rede será instalada só em cidades, como já fizeram noutros casos, ou irá para locais mais remotos, como dizem no comunicado?
JP – A ideia será alcançarmos uma cobertura nacional, com alguma prioridade às zonas urbanas, mas com muita atenção às zonas menos populosas. Isto porque, pelas características da tecnología SigFox, há inúmeras aplicações em ambiente não urbano em que as vantagens comparativas de uma rede exclusivamente pensada para IoT, como é a nossa (ínfimo consumo energético, dispositivos isolados, sem necessidade de acesso permanente a uma fonte energética, elevada autonomia, simplicidade de instalação, para além de custos reduzidos, tanto dos dispositivos como das comunicações) são determinantes.

Além disso, faz parte dos nossos objetivos dedicar uma parte dos nossos recursos a projetos de responsabilidade social, onde se encaixa, naturalmente, o apoio a populações com recursos mais escassos, muitas vezes de idade mais avançada e a viver em áreas rurais.

CW – Quais as mais-valias de uma rede como esta perante operadores que já têm ofertas M2M, ou quando se posicionam para adoptar normas e desenvolver redes focadas no M2M/IoT (a Boygues anunciou isso para França, por exemplo)?
JP – A nossa proposta é complementar à oferta das telcos e não pretendemos nem concorrer nem substituir as iniciativas em curso.

O mercado potencial é tão grande que nenhuma entidade poderá ambicionar controlá-lo. No entanto, acreditamos que a tecnologia SigFox, pelo seu pioneirismo, posicionamento e rápida expansão, poderá estar na linha da frente no que se refere ao estabelecimento de normas inter-regiões e inter-tecnologias.

As nossas mais-valias podem resumir-se aos seguintes fatores-chave: baixo custo de comunicação, baixo consumo energético, dispositivos isolados, longo alcance, facilidade de implementação.

CW – No âmbito dos investidores da SigFox, a Air Liquide será uma das empresas parceiras em Portugal?
JP – No passado mês de Fevereiro, a SigFox anunciou um “major round of fundraising with the record amount of $115 million“.

A Air Liquide foi um dos investidores de foco industrial que se juntou a essa ronda de capital, entre outros, como a GDF Suez. Outros investidores relevantes na área das comunicações foram a Eutelsat (satélites), e as telcos espanhola, sul-coreana e japonesa – respetivamente, a Telefónica, SK Telecom e NTT Docomo.

O interesse de todas estas sociedades na SigFox irá certamente muito além de um simples investimento financeiro, pelo que aguardaremos evoluções dos seus projetos no futuro próximo, e de que forma poderão incluir Portugal, como será potencialmente o caso da Air Liquide.

CW – Quais serão os preços dos chips para os dispositivos e do tráfego?
JP – Os custos do tráfego, e os preços dos equipamentos, serão uma fração dos de outras tecnologias M2M/IoT atualmente no mercado.

Já há várias empresas a produzir dispositivos, chips, e produtos finais “SigFox ready”. No entanto, ainda estamos no início do processo, pelo que, com o aumento das quantidades produzidas, o seu custo irá reduzir-se muito significativamente.

Saliento que há aqui uma oportunidade de ouro para os empreendedores portugueses, havendo no nosso país todas as condições para o desenvolvimento de um cluster IoT catalisador da recuperação económica portuguesa.

Temos universidades e centros de desenvolvimento tecnológico de reconhecido valor internacional, comunidades de start-ups muito dinâmicas, apetência dos portugueses para serem “early adopters” de novas tecnologias, o que muitas vezes é aproveitado como mercado-teste para alavancar exportações, etc. – o que proporcionará inúmeras possibilidades de gerar negócios e acrescentar valor, e colocará Portugal na vanguarda mundial da IoT.

CW – Que largura de banda vão usar em Portugal? 868 MHz ou outra? E precisam de autorização da Anacom?
JP – Não podemos esquecer que o objetivo desta rede é facilitar o acesso à IoT ao maior número de utilizadores possíveis, incluindo entidades públicas e empresas privadas, pelo que toda a tecnologia foi pensada para apresentar custos o mais baixo possível.

Por isso, em Portugal, como em toda a região ETSI, a largura de banda utilizada é a da frequência 868 MHz, isto é, a banda livre.

Já informámos as autoridades regulamentares sobre esse facto e obtivemos a respetiva autorização da Anacom.




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