Watson da IBM já está a ser usado em Portugal

Solução da Novabase assente no Watson está a ser utilizada para o sector financeiro.

superbowl - Watson - IBM

A IBM Portugal efectuou esta terça-feira uma demonstração pública do sistema Watson, em Lisboa, e o seu presidente, Raposo de Lima, confirmou que há interacções para o ter em português do Brasil mas também de Portugal.

O Watson, explicou, “não é apenas inovação, é um super-sistema que marca a computação cognitiva”. Tem “três características que o diferenciam da informática tradicional, está noutro patamar”: a capacidade de entender e processar linguagem natural, o processamento de dados – “é analítica, quando 80% dos dados são não estruturados” – e “não se programa, o Watson aprende e faz recomendações com essa aprendizagem”, disse.

O “super-sistema” surgiu de um projecto de investigação em 2006, inicialmente para a saúde mas que agora tem aplicações nos sectores do retalho, banca, educação, cidades ou recursos humanos, conforme foi exemplificado.

Entre 2006 e 2010 foi um projecto de I&D, em 2011 foi demonstrado (no concurso Jeopardy, por exemplo), nos dois anos seguintes foi validado por uma divisão interna da empresa e, em 2014, iniciou-se a sua comercialização no IBM Watson Group. Neste período, a IBM adquiriu várias empresas de analítica, com resultados congregados no Watson, recordou Ricardo del Olmo, responsável das IBM Business Analytics Solutions para mercados do sul da Europa, incluindo Portugal.

O Watson já custou mil milhões de dólares mas a IBM investe anualmente seis mil milhões de dólares em I&D, lembrou Pires dos Santos, responsável das “smart cities” na IBM Portugal. “É a terceira era da computação, a dos sistemas cognitivos, depois das máquinas de tabulação e dos sistemas programáveis”, explicou, referindo ainda o nível de miniaturização que tem sido conseguido: “em 2011, eram seis supercomputadores enormes, hoje são três slots numa rack”. Além disso, é possível usá-lo em modelo de cloud.

O Watson tem ainda outras vantagens relativamente aos humanos: “sabe o que sabe e o que não sabe”, como explicava um vídeo, “aprende e não esquece” mas “percebe o mundo como nós”, referiu Pires dos Santos, cujo potencial exemplificou com o crescimento da informação. Actualmente, são publicados nove mil artigos financeiros por dia e a informação actual é igual a cada um dos seis mil milhões de pessoas ter 340 jornais para ler diariamente. Em 2020, só a informação médica vai duplicar a cada 73 dias, disse.

Perante esta inundação de dados, em que “é difícil ser-se um especialista”, o Watson é valioso – até porque, diferente de um motor de busca actual, ele “dá a resposta, não os resultados de uma pesquisa”.

Segundo del Olmo, desde Novembro passado, a IBM conseguiu 40 mil clientes para o Watson. Os números para Portugal não são revelados pela empresa.

Wizzio - Novabase

No entanto, já está a ser usado para análise financeira em Portugal. A Novabase demonstrou a solução Wizzio, destinada a equipas de vendas e gestores de relação dos bancos, que permite um “aconselhamento e criação de valor para o cliente final”, explicou Pedro Gaspar, usando como exemplo a gestão da carteira de fundos de um hipotético cliente.

Segundo este responsável do LiveBanking na Novabase, a solução de analítica predictiva com o Watson permite “não apenas sugerir alternativas mas novos caminhos que podíamos não ter pensado”. O Watson “abre caminhos que antes não eram possíveis de trilhar”, disse, “é uma ‘smart machine’ que melhora a eficiência e aumenta a produtividade” dessas equipas.

A solução, apesar de desenvolvida na plataforma da IBM, pertence à Novabase, explicou Raposo de Lima à margem do evento. Ou como referiu Pedro Gaspar, trata-se de “um ecossistema, vai-se construindo com os sistemas existentes, entre parceiros e com os clientes”.




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