A evolução dos meios de pagamento e a solução wallet

Os principais “players” e os seus movimentos no mercado dos pagamentos electrónicos, também em Portugal, e os desafios futuros, analisados por Nuno Guerra, CEO da Create IT.

Nuno Guerra - Create ITA adopção generalizada de smartphones, tablets e tecnologias móveis é uma realidade com um forte impacto na forma como os consumidores interagem com as organizações. Um aspecto fundamental dessa mudança prende-se com a forma como os consumidores efectuam os seus pagamentos, com o lançamento de diversas iniciativas de wallets digitais que permitem o pagamento através de smartphones.

Sendo uma realidade com forte impacto tecnológico, os pagamentos via wallets surgem num contexto de mudança também nos comportamentos dos consumidores. De acordo com um estudo da Verifone, mais de metade dos consumidores americanos (53%) consideram importante que mais retalhistas disponham de dispositivos que permitam o pagamento com recurso a smartphones. Adicionalmente, a grande maioria dos consumidores (84%) mostra-se preparada para usar o smartphone para pagar compras de baixo ou médio valor como um café ou um par de calças. Contudo, os cartões de crédito e débito permanecem o principal método de pagamento para a maioria dos consumidores (63%), sendo que 6% favorecem já métodos alternativos de pagamento, como o PayPal, e 4% preferem a utilização de wallets.

Quais os principais players e os seus movimentos no mercado
A nível internacional, a rivalidade dá-se entre Google, Apple, entidades financeiras, grandes operadores e retalhistas. Sendo pioneira neste campo, a Google lançou em 2011 o Google Wallet, o qual passou a estar disponível para utilização com todos os cartões, ainda que só nos EUA, em Agosto de 2012. O alargamento desse conceito deu-se em Novembro de 2013 com o Google Wallet Card, cartão físico apenas disponível para residentes nos EUA, e que permite efectuar pagamentos e levantamentos de dinheiro nos milhões de locais que permitem a utilização de cartões MasterCard.

Já no caso da Apple, ao lançamento do Apple Pay em Outubro de 2014, resultado de uma parceria com diversas entidades como a American Express, a MasterCard e a Visa, seguiu-se a notícia do registo de um milhão de cartões de crédito no Apple Pay em apenas três dias. Apesar da resistência inicial dos maiores retalhistas nos EUA consubstanciada na decisão de não aceitar o Apple Pay – casos da BestBuy ou da Wallmart -, a adopção tem sido surpreendente, com os mais recentes números a indicarem que dois em cada três dólares gastos nos EUA em pagamentos “contactless” nas três maiores redes de cartões são feitos via Apple Pay.

A decisão das grandes cadeias de retalho acontece já que, segundo o jornal New York Times, estes retalhistas estão impedidos de usar o Apple Pay por pertencerem ao Merchant Customer Exchange (MCX), que se encontra a desenvolver uma app para pagamentos, a CurrentC, que deverá ser lançada durante 2015. Estes mais de 50 grandes retalhistas dos EUA esperam assim conhecer melhor o perfil de consumo dos seus clientes e, simultaneamente, evitar o pagamento das taxas de processamento de cartões de crédito que podem representar em média cerca de 2%.

Em Portugal são também já várias as iniciativas nesta área, desde o lançamento em 2012 de um wallet por parte da TMN, a que se seguiu o mais recente lançamento em 2014 do Meo Wallet e, posteriormente, em Outubro, do MB Way, ou de iniciativas menos conhecidas do grande público como a da SEQR, plataforma com origem na empresa sueca Seamless, lançada em Portugal no mês seguinte. No caso do MB Way, disponibilizado como piloto em Outubro de 2014, o lançamento generalizado está previsto para Abril de 2015, tendo a missão de conquistar a adesão dos consumidores, que beneficiarão das vantagens de mobilidade e segurança associadas a este tipo de pagamentos.

A utilização crescente dos meios de pagamento móveis e o desafio para futuro
Em face do enorme potencial de crescimento na utilização de soluções de pagamento móveis, há que ter em consideração alguns casos de sucesso como é o caso da Starbucks que, fruto de um tipo de produto tipicamente de grande volume e baixo custo, conta com pagamentos móveis a atingirem já 16% do total, ou dos cerca de 800 mil clientes do Bank of America que já adoptaram o Apple Pay.

A realidade é dinâmica e de difícil previsibilidade na medida em que prevalece a disputa entre os principais players do mercado. Entretanto, os tradicionais cartões físicos – tecnologia com mais de 50 anos e que apenas agora inicia a evolução nos EUA para adoção da tecnologia EMV, com recurso ao chip em complemento à habitual banda magnética – mantêm forte vantagem. É entre a guerra pelas margens financeiras e pelo controlo da informação sobre os clientes e o foco efetivo no melhor serviço ao cliente, assente na simplicidade e na segurança, que a disputa se colocará.

A bem do crescimento do mercado dos wallets, espera-se que este tenha a capacidade de convergir para soluções que disponibilizem um melhor serviço ao consumidor, estando o desafio em responder aos seus níveis de exigência, garantindo privacidade, confiança e consequente fidelização.




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